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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

* Vida *

vida
um sonho uma ilusão
suspiro paixão
corre apressada
inventa as passadas
escorre serena ou sem pena

vida medida ou transbordante
amena ou desvairada
sequidão e riacho
amor e descompasso

vida urbana vida no morro
vida que grita por socorro

vida que implora por sossego
ou só quer um aconchego

vida amiga vida bandida
vida que acolhe vida que mata
vida que brota do nada
vida que sonha acordada
vida esquecida no sono
vida sem juízo vida sem dono

vida que amou demais
vida que não tem paz
Rita, José, Maria, Manoel
há quantas vidas ao léu ?
Andam por caminhos estreitos
tímidas passadas
rios sem leitos
duras jornadas

vida
dádiva do Criador
formosa menina
cheia de frescor
moça tão bela
passageira e eterna
vaso de barro pó sopro... e já era.

Úrsula Avner

quarta-feira, 27 de maio de 2009

* Desejo de ser pássaro *



Quisera enxergar na parede
apenas aquele ponto mal esboçado
quase invisível, ali prostrado
imóvel, imperceptível

Quisera aquietar meu coração
na certeza do que não vejo
do que é crível
de uma teimosa esperança
acalentada pelo tempo
irremovível
esparramada na parede

Do outro lado
uma cratera profunda
Não há rede
só uma base funda

Quisera viver como os pássaros
completamente dependentes
do Seu criador
Não plantam , não colhem
todavia, não lhes falta alimento nem alento
Não se perdem em lamento
não choram de dor
não conhecem o amor
não sabem de si senão o que vivem
a cada preciso e indecifrável momento


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google