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quarta-feira, 11 de maio de 2011

* No fim do dia *

fonte da imagem : Google

sombra
derramada na calçada
agoniza
pálida desavisada
tomba a noite
feito cascata
em pedra firme
vem em canção
de açoite
porque anoitecer
é parto
dor e deslumbramento
eis que parto
não sei pra onde
sobre mim
deita o firmamento

Úrsula Avner

Oi Jacqueline Rolim, você deixou um comentário muito amável nesta postagem mas sem querer eu o exclui. Se puder postá-lo novamente agradeço muito. Bj.

domingo, 3 de abril de 2011

* Inesperado encontro*

Fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

por três vezes
atravessou
meu caminho
voo azul-turqueza
vida despretensiosa
ciente de sua realeza

talvez três
seja um número
de sorte
se tal visão
não cura completamente
abranda a dor do corte

Úrsula Avner

* a poesia foi escrita neste último final de semana em que estive na encantadora pousada "Cachoeira da Serra" em Jabuticatubas- M.G. Uma linda borboleta azul muito semelhante á que está na imagem postada, passou por mim três vezes. Infelizmente não consegui fotografá-la, mas ela permanece gravada em minha mente. Quem me conhece sabe do meu interesse e amor pelas borboletas e do quanto elas me inspiram a escrever... Afinal elas são a metáfora peculiar da poesia. Um abraço a todos. Assim que possível atualizarei as visitas. Até breve !

Úrsula

sábado, 19 de março de 2011

* Coisas de alma poética *

gota de orvalho- Madu Lopes

se inventei de contar estrelas
é porque as elegi parceiras
no desenfreado desejo
de abraçar o céu
mistério cravado no íntimo

quisera retornar ao jardim original
desprovido de dor ou labor
a marca da falta
da ausência perene
cabe bem nos versos que invento
e eles conversam comigo

Úrsula Avner

* Freud que o diga...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

* Borboletrando *


Fonte da imagem : internet
Poema da querida amiga Wania em minha homenagem http://encantaventos.blogspot.com


Encasulo-me
[ Tessituras de mil pensamentos]
Fio a dor
Para cerzir as sedas
Das asas rotas
Descosturo-me
No avesso,
Ainda sou aquela borboleta
Que achava o céu pequeno

( Wania )


* querida amiga Wania, não resisti e postei o poema assim que o li... Agradeço de coração o belo poema tecido com tanta sensibilidade, carinho e habilidade poética. Bj na alma.

Úrsula Avner

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

* Aborto *






Tela : Heuller Pinson


entre os soluços

da tarde

(a)fetos revirados

fetos do que seria

amor


sobre a mesa

um vaso de flor

um retrato desfigurado

em silente dor

alguma miudeza


no chão

de mármore

rio de incerteza


Úrsula Avner

quinta-feira, 1 de julho de 2010

* Asas no azul *


arte : Freedom of my soul
by : Mel Gama
quando o mar abrir seu colo
deitar-me-ei em plácidas ondas
berço das vontades inquietas
dos desejos doudos
das palavras desertas

num ramo de flor
atei um pedido
raiz caule dor
do que não foi ouvido


Úrsula Avner

segunda-feira, 28 de junho de 2010

* Despejo *

a taça da ira
está cheia
transborda
quando o cá li ce
for derramado
ca le -se
não há o que dizer
após o derrame
silêncio dor
espanto horror
vida infame

Úrsula Avner

* poema inspirado na postagem- Cálice Censurado- da poetisa Mirze Souza em seu blog de poesias. A postagem mostra um vídeo com a música - " Cálice " do Chico Buarque de Hollanda. Nas próximas eleições, façamos a necessária reflexão antes dos votos... antes do derrame... Um abraço com carinho a todos que me visitam.

sábado, 12 de junho de 2010

* Trajetória de uma raça *


arte : Vino Morais

atravessou o tempo

certeiro como arpão

o grito da escravidão


sementes escondidas

em cabelos crespos

cairam no caminho

vontades sacudidas

fecundaram o solo

espalharam raízes


bebês buscaram o colo

das mães amortecidas

oprimidas

desiludidas

ecoou no vento

toque de tambor

buscou-se alento

em canções de dor


Úrsula Avner


* Vino Morais é artista plástico Angolano. Conheça outras obras dele clicando aqui

domingo, 11 de abril de 2010

* Andrógina*

tela: Vendedora de flores
by : Diego Rivera


meu caminho é inverso
ao caminho das coisas
penso andar
na contramão do mundo
em mim repousa
mistério profundo

não sei se quero partir
não sei se me dou
se devo sorrir
se arrisco voo de condor

quisera ir
quisera voar
para bem distante da dor
sem rumo, sem ter onde chegar

se hoje sou silêncio
já fui estrondo
voz de cachoeira
se hoje me rendo
já mergulhei rio adentro
canto de lavadeira

Úrsula Avner

sábado, 27 de março de 2010

* Sede *

arte : I want to live ( eu quero viver )
By : Mel Gama

um rio seco

atravessa a garganta

o não dito

o mal dito

escoam

no suor da testa vincada

na espinha que abre a face

no pisca-pisca dos olhos

(mar)ejados

arejados de mar

de uma água

salgada e fria

de uma dor

que não se sabia

Úrsula Avner

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

* Visão de mundo *


sorvi do tempo o que
não se podia perscrutar
avancei mar adentro

penetrei o mel e a azia
de cada sentimento
tra(vesti) a dor de poesia

embalei canções uterinas
em ventre rasgado de dor
vi papoulas regadas a urina
senti seu odor

coisas escandalosas
cortam os dias
coisas vãs e tortas
são abelhas africanas
na boca de homens improbos
almas vazias mentes insanas

a sombra das árvores que ainda salivam
foge dos homens cuja calçada é o sol
os homens não sabem que as árvores uivam


figuras espectrais rondam as ruas
há medo em olhares altivos
vestes camuflam almas nuas

há espelhos em cada canto
refletem imagens disformes fugidias
um pardal entoa seu can(pran)to
notas afinadas porém tardias

a pressa é hipertensa foge do sono
incute ao paladar sequidão losna de abismo
halitose labirintite fobia abandono

em cada olhar um caco de vidro
arranha a tênue imagem da esperança
lâmina na cama faz vazar o prurido

ossos estralam ouço seus gritos
osteoporose artrose lordose
vidas lânguidas em leitos aflitos

sorvi do tempo a parte dentada
protuberantes caninos e molares
mandíbulas afiadas ranhuras
marcas da poderosa arcada
o que resta são meros disfarces

Úrsula Avner


* poema com registro de autoria
* imagem do google

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

* Breve companhia *

Partiste
lépido sem despedida
do meu regaço fugiste
deixaste-me
solitário e triste
gotejando a dor da partida

Quisera aninhar-te
em meu colo
afagá-lo em minhas mãos
só mais um instante

contemplar o silêncio
de tuas asas
o pulsar galopante
do teu coração
sentir tua respiração
ofegante

Invejo tua liberdade
que em mostrar-me insiste
o quanto sou chão
em mim subsiste
a lembrança da tua canção
serena e incisiva
abaulando no peito
segredos inescrutáveis da vida


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* Imagem do google

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

* Na hora zero *

Na hora zero
não me fustigará
o sol do meio dia

não se inclinará
meu corpo
ao cansaço das horas

não verei
os vincos da dor
ou os espinhos da injustiça

não terei por companhia
sombras encarceradas

não ouvirei ruflar
algum tambor

a guerra é uma sucessão de erros
não sabe do contorcionismo da ostra

quando germina a pérola

na hora zero
nenhum movimento
somente o eco cavernoso
do insolvente silêncio

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem do Google

domingo, 6 de setembro de 2009

* Silêncio poético *

É no murmúrio da noite
que avança o mistério

no silente quarto fechado
no céu apagado

na mata desvirginada
na dor embutida

borboleta parou
imóvel ficou
como se fosse
proibido dançar

Qual nada ! ( tola borboleta)
na noite quem faz barulho
é quem não sabe voar

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

quinta-feira, 9 de julho de 2009

* O suor do poema *




Nos escorregadores da memória

pensamentos deslizam

querem transmutar

palavras se aninham

tecem estórias


O poema transpira

alguns tímidos versos

extravasam emoções pelos poros

Ofegante o poema respira

pétalas frescas são colhidas

por um anjo azulado

no chão do pensamento orvalhado


Nos sulcos profundos da alma

sentimentos falam mais que mil palavras

ouso tracejar algumas linhas

letras mal esboçadas

na folha que almeja pelo poema inteiro



Versos me escapam

como filetes de água

escorrem entre os dedos

umedecem as paredes dos desejos



Persiste o sonho do poema

em brocal bordado

do verso pulsante

despudorado

do verso ainda não plantado

ausente da vida uterina

tão efusivamente sonhado

semeado para germinar

cumprir sua sina



Poema

te quero em versos impensados

que me venham como larvas vulcânicas

cuspidas no destino da folha



Te quero lacrimejante

como quem verte lágrimas de pus

brotoejas na alma das palavras

Te vejo como chamas flamejantes

em versos nus

que ardem a dor

das vontades aprisionadas



Úrsula Avner



* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

quarta-feira, 27 de maio de 2009

* Desejo de ser pássaro *



Quisera enxergar na parede
apenas aquele ponto mal esboçado
quase invisível, ali prostrado
imóvel, imperceptível

Quisera aquietar meu coração
na certeza do que não vejo
do que é crível
de uma teimosa esperança
acalentada pelo tempo
irremovível
esparramada na parede

Do outro lado
uma cratera profunda
Não há rede
só uma base funda

Quisera viver como os pássaros
completamente dependentes
do Seu criador
Não plantam , não colhem
todavia, não lhes falta alimento nem alento
Não se perdem em lamento
não choram de dor
não conhecem o amor
não sabem de si senão o que vivem
a cada preciso e indecifrável momento


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

quinta-feira, 30 de abril de 2009

*Resquício de outono



Hoje amanheci inverno

gosto de folhas secas na boca

resquício de outono

em meu tempo interno

Um vento gélido laminando a alma

sibilando no vão dos sentimentos

açoite na pele dos pensamentos

Levanto-me serena e calma

um feixe de luz solar invade o quarto

Hoje não almejo o espelho da claridade

quero a penumbra que se aloja na dor do parto

das reflexões gestadas pela serenidade


Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* imagem do Google

terça-feira, 17 de março de 2009

* A moça espia da janela *



A moça espia da janela
espia ao longe
como quem contempla numa tela
o galante e sorridente rouxinol
que namora as flores fincadas na terra do quintal

Espia no vão das lembranças
que saltam como um cardume
de peixes graudos
na rede do pescador

São tantas andanças
que emergem da palidez ao lume
em olhos vivos ou sorrisos mudos
no lugar compartilhado da dor e do amor

No céu pálido da memória
as recordações se amotinam
formam uma encadeada estória
singulares momentos que se aglutinam

A moça espia da janela
o tempo em suas facetas
o instante regado de luz ou o cinzento temporal
o ballet harmonioso das borboletas
o dia e a noite, nas trilhas do bem e do mal

* Úrsula Avner *

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no google