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domingo, 21 de agosto de 2011

*Escarlate *

imagem : Amanda Cass

pés outrora cimentados
não pisaram jardins abertos
olhos cerrados
não contemplaram
um céu escarlate
agonizando no peito

Quando você chegou
abriu-se manhã ensolarada
pés atirados ao vento
valsam com olhos chapiscantes
escarlate agora é
nossa teia de amor

Úrsula Avner


sexta-feira, 20 de maio de 2011

* Anoitecendo* ( segundo canto)

tela: Duy Huynh

o corpo do dia
esticado
no varal dos olhos

se o orvalho
transcendesse
a gota
seria dilúvio
não caberia
em meus olhos
calejados de ver
a face do mundo
do mudo
do que é fundo
e não transborda

de longe
a noite espia

se estrelas cantassem
em coro afinado
embalariam meu
sono caloso
macerado
fadigado
amofinado

vem o clarão da noite
em pele fina
e ainda é dia

Úrsula Avner

segunda-feira, 11 de abril de 2011

* Alma flamenca *

tela : danza del fuego- Carlos Carreteiro

passos absolutos
golpeiam o chão
chora a guitarra
...

Hoje estou no Maria Clara: Simplesmente Poesia- para continuar lendo o poema clique aqui

Obrigada por sua visita e carinho. Um abraço amigo.

Úrsula Avner

quarta-feira, 30 de março de 2011

* Dona poesia *

desenho : Poesia
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

* a todos os poetas e poetisas e aos que amam a poesia


senhora

de si
de lá de cá
de qualquer lugar
que lhe caiba
imponente
arvora-se da própria intrepidez
embora não saiba
que o despojamento
lhe é peculiar

plena e imutável
única e variável
carrega no ventre
espanto mistério
paixão beleza
r.e.f.l.e.x.ã.o
a solidão do verbo
aquilo que não é dizível
o que salta aos olhos
o invisível
o que não é tangível

desconhece o tédio
ri de si mesma
e quando vítima
de assédio
silencia
e seu silêncio
é voz de muitas águas

Úrsula Avner

Querida Luiza, seus desenhos são encantadores e alguns em especial , como " poesia", tocam-me e inspiram minha escrita. Obrigada por compartilhar comigo seu talento e sensibilidade. Espero que o poema faça jus ao seu lindo e expressivo desenho que por si só já é " poesia "... Beijo,

Úrsula

domingo, 13 de fevereiro de 2011

* Do interior *

fonte da imagem: Google- sem informação de autoria

súbito estrala
o som dos teus sonhos
perscrutam os meus

.......

* continue a ler o poema acima no " Maria Clara : Simplesmente Poesia ", onde estou hoje. Clique aqui

* Obrigada por sua presença e carinho !


Úrsula Avner

domingo, 5 de dezembro de 2010

* Contemplação apenas *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

hoje posso
deitar na relva
olhos cravados no céu
como se nunca
o tivesse visto antes
queixo apontado para a lua
em volta
uma outra luz
entornada na rua
no vão dos umbrais
no vão dos desejos
seminua

Úrsula Avner

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

* Canção do entardecer *

desenho: Por do sol
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

esta faca
em seus olhos
agreste felina
lâmina afiada
corte de esgrima
esconde pérolas
brilho aveludado
réstia de sol
amor obnubilado
tímida voz no arrebol

Úrsula Avner

... em cada coisa o lado que corta se revela... João Cabral de Melo Neto

* Caros amigos e amigas, estou sendo plagiada por uma tal de " Hanna " , cujo endereço na net não consegui encontrar. Apenas localizei imagens com poemas meus assinados por ela. Uma amiga do Recanto das Letras me informou por e-mail. Se alguém conseguir descobrir alguma coisa favor me avisar para que eu possa adverti-la de que vários poemas meus tem registro de autoria, inclusive um dos que ela plagiou está publicado em uma coletânea ... É incrível como que a ética, o respeito e o bom senso são cada vez mais escassos hoje em dia...
Um abraço carinhoso a todos e todas !

sábado, 27 de novembro de 2010

* Vermelha visão *

tela: Bete Brito


em campo aberto
um mar de tulipas
forra meus olhos
de esplendor
tulipas vermelhas
ruborizam
a terra calejada
quando vem o crepúsculo
aí fica tudo carmim
de uma cor escandalosa
que não cabe mais em mim

Úrsula Avner

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Foi bom demais !!!

Olá pessoal , ontem foi uma data muito significativa para as doze Marias, sobretudo para mim e para a Adriana Godoy, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente. O lançamento do nosso livro Maria Clara: UniVersos femininos, aqui em BH, foi um sucesso regado com deliciosos "comes" e "bebes" , alegria e muita música... Momento singular e inesquecível !

Um beijo a todos e todas que mesmo de longe estiveram presentes no evento, torcendo por nós !

Deixo-vos um poema de minha autoria e um da Adriana que constam do livro, para degustação dos queridos amigos, amigas e visitantes.


* quando acordei

peguei a noite com as mãos
de manhã
meus olhos eram duas estrelas

Adriana Godoy


* interior

imenso mar
guarda segredos
na praia
conchas falantes

Úrsula Avner


* Do improviso

Adriana foi ao céu
enquanto Úrsula foi ao mar

e apesar da distância
nunca estiveram tão perto...

Beijão Adriana !


Obs : atualizarei minhas visitas durante o feriado pois estarei absolutamente sem tempo até o final dessa semana. Bj.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

* A vida de uma lágrima ( Rondel )


imagem : Gota
autora : Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo
gota de cristal transformada em magma
vulcaniza meu peito na busca do teu colo

precisa gota que brota da ânima
pequena pedra de sal que rola sem dolo
dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo

pesada e viscosa é a lágrima que cai
sentimento burilado na porosidade dos lamaçais
pensamento marejado a lubrificar meus ais
solitário momento na inquietude da alma
dos olhos escorrega uma lágrima

Úrsula Avner

* este poema foi escrito há anos e só agora resolvi postá-lo. Grata pela leitura e comentário.

sábado, 31 de julho de 2010

* passagem *



tela : Salvador Dali


pássaro leva
no bico
um trevo

a contemplar seus olhos
não me atrevo

amanhece
aranha tece
sem pressa
sua teia

acontece
breve prece
na misteriosa ceia
desejo tem pressa

lá fora (aos poucos)
o dia esmorece

Úrsula Avner


Caros amigos , amigas e visitantes , o folder anuncia o lançamento do livro Maria Clara: uniVersos femininos, pela Livro Pronto Editora na 21 ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo- S.P entre os dias 12 e 22 de Agosto. O livro reune poesias de doze autoras- as " Marias" , entre as quais eu estou incluida. Tenho o prazer de fazer parte dessa obra literária organizada pela mestra Hercília Fernandes, professora e poetisa de grande talento e sensibilidade. Obtenha mais informações sobre o livro clicando aqui

Obrigada pelo carinho de todos,

Úrsula Avner

sexta-feira, 9 de julho de 2010

* Entre palavras *

imagem : Patícia Van Lubeck


de tudo o que se pode guardar
guarde o silêncio
objetos são perecíveis
palavras... dispensáveis
o silêncio é enfático e duradouro
ainda que por alguns instantes

a reflexão é do silêncio
o ancoradouro
fere com estacas pontiagudas
a alma das palavras
serpenteia como lâminas cortantes

o silêncio é grilo falante
quando se colhe sentimentos
filho da verborragia
corta o ar como uma cotovia

nos versos da poesia
o silêncio é chama intrépida
travestido de palavras em seda fria
som estrepitoso
ecoa solitário
nas cavernas da mente

entre palavras e palavras
a pausa colossal do silêncio
é brado veemente
lacuna onde se deita
o que não é dito
ou dito de modo surpreendente
no suspiro abafado
no canto dos olhos
no sorriso embotado

brada o silêncio
o que os pulmões condensam
revela o que os seres
mais sensíveis pensam
faz imenso barulho em mim
é começo e é o fim

Úrsula Avner


* Obrigada pela gentileza de sua visita e comentário.

terça-feira, 11 de maio de 2010

* Relação pontual *

tela : casal
by : Francisco Paneca


no ponto de ônibus
encontro marcado

em ponto de bala
correm nossos olhos
corpo a corpo

nos contemplamos
ao som estrepitoso
da paixão
observamos
um ponto no céu

alinhavamos nossa união
em ponto-de-cruz
ao ponto de não desatar

em tal ponto da relação
não basta
um ponto de exclamação
ou de interrogação

a que ponto chegamos ?
Retornamos ao ponto de partida
até alcançarmos o ponto final
ou não


Úrsula Avner

sábado, 27 de março de 2010

* Sede *

arte : I want to live ( eu quero viver )
By : Mel Gama

um rio seco

atravessa a garganta

o não dito

o mal dito

escoam

no suor da testa vincada

na espinha que abre a face

no pisca-pisca dos olhos

(mar)ejados

arejados de mar

de uma água

salgada e fria

de uma dor

que não se sabia

Úrsula Avner

sexta-feira, 12 de março de 2010

* Canção noturna *

o homem
da rua sem poste
esgueira-se da luz do dia
tatua no corpo
o sol da meia-noite
sombra estirada
sobre a lápide do lume
olhos que veem
mãos que apalpam
sem a clarividência do sol
sem o estrondo do cotidiano
o homem da rua sem poste
há de viver (sem) cem anos


Úrsula Avner


* imagem do google- sem informação de autoria

quarta-feira, 10 de março de 2010

* Do que é (in)finito *

aconteceu
num mes qualquer
num dia qualquer
é tão enfadonho
lembrar datas
evocação da finitude
sob disfarce de viva memória

fotos são contempladas
como se houvesse algo ali
como se o ontem ainda fosse
passado com cara de hoje

o tempo que era
que foi
que não mais será
ou ainda virá
é conjugação verbal

meus olhos nus
postados no espelho
são o que me valem

ontem
poeira guardada
em gavetas

amanhã
mistério ainda
não traçado em letras

Úrsula Avner

* imagem do google

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

* Vida / tempo *


Não é que o tempo

está a nos espreitar

com seus olhos esbugalhados ?

Olhar enviesado

de quem contempla mistérios

num quadro


envergar

talvez não seja de todo ruim

bambus se dobram

beijam o chão

depois retomam

a original posição

cair e levantar-se

é renovação

jeito de entoar uma nova canção


Úrsula Avner

* Caros amigos (as) e visitantes, desejo a todos que em 2010 possamos entoar uma nova canção, em que a fé, a esperança, o amor, a perseverança, sejam nossa fortaleza contra as adversidades. Que as quedas vividas neste ano, sejam marcas de aprendizado ; fortalecimento interior e imã para as conquistas que virão !

Que tudo o que é bom ocupe nossos pensamentos e sentimentos !

Felicidades a todos ! Abraço afetuoso !

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

* Mera contemplação *

mulher canção
cabelos desfibrados
emolduram-se ao vento

mulher solidão
olhos no céu plantados
face de quem dribla o tempo

tempo para
tempo escoa
tempo corre
tempo voa

mulher dorme
no berço do tempo
vida escorre
onde perdeu-se o lamento


Úrsula Avner

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

*(De) lírio *

deitada sobre colchão
de folhas secas
não vi estrelas no céu
tudo tão escuro misterioso
como no interior da traqueia
ou num beijo de língua
que fermenta a espuma nas bocas

só a saliva do desejo é cristalina

de olhos cerrados vi
um vestido cor de prata
talvez fosse rosa chá
pequeno ponto de luz
na negritude

barulho algum
a não ser
a sonoridade seca
das folhas copulando
ao vento

(de)lírio
só soube daquele
bordado no vestido

pela manhã
há de orvalhar poesia
em vestes de seda
depois de romper
o silêncio insondável
da placenta

fórceps ao avesso


Úrsula Avner

* imagem do google

* poesia com registro de autoria

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

* Pescaria *


Tela : Maggie Taylor

um peixe
olhou-me
olhos de esgrima

eu o persegui
rio abaixo
rio acima

estava o peixe
na vazante
solitário
na vida breve
do instante

desta vez
fui eu quem
lançou-lhe o olhar
de soslaio
em gesto silente

olhos de surpresa

o peixe assustou
morria o valente
á beira da represa

Úrsula Avner