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sábado, 14 de janeiro de 2012

Presença

imagem: Duy Huynh

contemplo hoje
da vida
nova face
nunca antes vista
e que jamais será
vista de novo

é preciso viver
cada momento como
um acontecimento essencial
tal qual
a queda de uma folha
o trajeto de uma lágrima
a agonia do sol no horizonte
ao fim de uma tarde avermelhada
que no dia seguinte
pode não se fartar de cor
e surgir domada
por um céu plúmbeo
em todo o seu vigor

Úrsula Avner

sexta-feira, 20 de maio de 2011

* Anoitecendo* ( segundo canto)

tela: Duy Huynh

o corpo do dia
esticado
no varal dos olhos

se o orvalho
transcendesse
a gota
seria dilúvio
não caberia
em meus olhos
calejados de ver
a face do mundo
do mudo
do que é fundo
e não transborda

de longe
a noite espia

se estrelas cantassem
em coro afinado
embalariam meu
sono caloso
macerado
fadigado
amofinado

vem o clarão da noite
em pele fina
e ainda é dia

Úrsula Avner

terça-feira, 26 de abril de 2011

* Canção das faces do amor *

desenho: Maré e Floresta
por : Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


talvez amanhã
ainda nos amaremos
com o denodo de
um maremoto
em dia de borrasca
sem censura
sem medo
sem máscara
sem freio e sem foto
encardida no porta-retrato
assinalando o momento
que não se quer esquecer
que se deseja de volta
que se teme padecer

talvez amanhã
(ainda) nos amaremos
na quietude do espinho
que cresce na rosa
na face no peito
sem aquela pontuda
necessidade de dizer
" eu te amo "
sem o aperto
no íntimo

a secura na boca

talvez (amanhã)
(ainda) nos amaremos
no encanto da chama
que insistente trepida
no múrmurio
da chuva fina
manso suave
como quem afina
um instrumento raro
com brandura e precisão
ou como quem dispensa
o sentido e a razão
e em súbito delírio
evoca a loucura
que a morte abomina

talvez amar
seja tão somente
nossa sina

Úrsula Avner

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

* da despedida *


imagem : Restos
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


fiz as malas
defiz os laços
peguei tudo o que era meu
agrupei em sacos plásticos
pertences pesados
difíceis de carregar
sonhos aprisionados
aves que agora
querem voar

rompi barreiras
quebrei algemas
falei asneiras
usei estratagemas
para não cair
no vazio
para não sentir
na face
o hálito acre
da mesmice
fluindo como um rio
caudaloso e lento
na incerta vida de dentro

Úrsula Avner


Queridos amigos, amigas e visitantes, voltei com entusiasmo, embora ainda ferida, em processo de elaboração da separação conjugal. Tenho a poesia, tenho vocês, tenho o amor e o apoio da minha família, das minhas filhas e tenho sobretudo, a fé Naquele que criou todas as coisas e me sustenta nos momentos difíceis. Um abraço afetuoso a todos que sempre me visitam e assinalam em palavras e/ou pensamentos o carinho que me dedicam.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

* do que está velado *

desenho : jardim de luz
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


não sei
do mistério
da folha
da sombra
do vento

ao andar
entre esporas
do tempo
entendi de
perscrutar
o véu sobre
tua face
paradoxalmente
rijo e transparente

não te desvendei
te guardei segredo
jardim fechado
te tranquei
no silêncio
do almoxarifado

Úrsula Avner

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

* (Ins)piração *

tela : Salvador Dali

o poeta precisa do silêncio
não de um silêncio qualquer
mas daquele que vem de dentro
matéria-prima do que
suas mãos esboçam
na escuta sutil do sentimento

o que vem de fora
mesmo quando não é silêncio
traz na face rajadas de vento
sopro de versos
que adulteram o pensamento
ou fazem dele
surpreendente momento

Úrsula Avner

quinta-feira, 3 de junho de 2010

* Sonhos na janela *

entre um suspiro e outro

emergem lembranças de uma vida

na primavera dos sonhos tecida

esculpida nas trilhas do tempo revolto


abre-se um campo em flor

no lugar de sequidão da memória

esperança de edificação de uma estória

onde o protagonista seja o amor


pensamentos são flechas pontudas

buscam na sudorese do tempo

lugares de alento refrigério unguento

só a quietude precipita em faces mudas


Úrsula Avner

imagem : do google imagens- sem informação de autoria

segunda-feira, 31 de maio de 2010

* Timidez *



a chama que tinge a face
de um rubor fumegante
chama ao ápice meus instintos
faz-me plena daquele instante

quisera não propalar segredos na face
fosse ela alva como um chumaço de algodão
dormiriam as fraquezas no sótão da alma
mas é carmim a cor do descobrimento que salva

Úrsula Avner

* imagem do google- desconheço a autoria

OBS: Hoje tem poema meu no Maria Clara Simplesmente Poesia . Aguardo sua visita. Um abraço afetuoso !

sábado, 27 de março de 2010

* Sede *

arte : I want to live ( eu quero viver )
By : Mel Gama

um rio seco

atravessa a garganta

o não dito

o mal dito

escoam

no suor da testa vincada

na espinha que abre a face

no pisca-pisca dos olhos

(mar)ejados

arejados de mar

de uma água

salgada e fria

de uma dor

que não se sabia

Úrsula Avner

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

* Paisagem *


Se não fosse chuva

o que vi em sua face

se não fosse a morte

um alegórico disfarce

estaria o sol

a reciclar as tardes

de açucar queimado


um manto dourado

cobriria o céu azul

cores que se abraçam

sem razão

sem explicação

tonalidades astutas

entornadas

esparramadas

feito prostitutas


Úrsula Avner

* imagem do Google- sem informação de autoria
* leia também " A poesia feminina no divã ou o contrário ? " no blog

sábado, 4 de julho de 2009

* Lua em verso e prosa *


Sobre o mar

a lua deitou sua lamúria

esparramou nas águas oceânicas sua fúria

cheia de si mesma

minguou até escurecer a própria face

tornou-se um quarto crescente

de gemidos e mágoas

Envelheceu

até se lembrar de que uma face sua

ainda era nova


Lua cheia

lua minguante

lua crescente

lua nova


Lua que é meia

lua carente

canta suas dores

em verso e prosa


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada de pesquisa feita no Google

quinta-feira, 9 de abril de 2009

* Crisântemos vermelhos*



Aproximou-se de mim com serenidade
como um sopro de brisa primaveril
tocou minha face sem fazer alarde
acendeu em meu peito o pavio
tateou suas mãos orvalhadas
pelo meu corpo já cambaleante
sussurrou palavras de amor adornadas
com respiração ofegante
Chamou-me amada de minh´alma
envolveu-me em seus braços com surpreendente calma
lançou-me o olhar do desejo em estilhaços
refletido em espelhos do brilho aveludado
dos crisântemos vermelhos


* Úrsula Avner * ( Obrigada por sua visita ! )



* poesia com registro de autoria


domingo, 15 de março de 2009

* Somente eu e voce



Quando estamos juntos
somente eu e voce
não somos mais dois mundos
somos um único ser

Tudo á nossa volta
reflete intensa paixão
O céu e o mar se alinham
somos um só coração

Tudo é desejo e liberdade
nas asas da imaginação
tudo é luz, claridade
doce face revelada da ilusão

* Úrsula Avner *

* poesia com registro de autoria
http://www.ursulaavner.com