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domingo, 21 de agosto de 2011

*Escarlate *

imagem : Amanda Cass

pés outrora cimentados
não pisaram jardins abertos
olhos cerrados
não contemplaram
um céu escarlate
agonizando no peito

Quando você chegou
abriu-se manhã ensolarada
pés atirados ao vento
valsam com olhos chapiscantes
escarlate agora é
nossa teia de amor

Úrsula Avner


sábado, 9 de abril de 2011

* emergente estação *

Fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

folha seca
tremula aflita
espera a passagem
do tempo
o colo celestial
o rito do vento

cai a chuva
impiedosa
renova a terra idosa

assim se desfaz o verão
respira o outono

Úrsula Avner

segunda-feira, 28 de março de 2011

* Da sequidão *

fonte da imagem : google

plantou sementes
em terra seca
á espera de
um milagre
que nunca veio
o vento ainda sibila por lá
solitário canto
arrasta folhas rugosas
galhos mancos

á noite
voz de mil estrelas
fazem do pó esfoliante
extenso tapete
rio árido
da contemplação


Úrsula Avner

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

* do que está velado *

desenho : jardim de luz
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


não sei
do mistério
da folha
da sombra
do vento

ao andar
entre esporas
do tempo
entendi de
perscrutar
o véu sobre
tua face
paradoxalmente
rijo e transparente

não te desvendei
te guardei segredo
jardim fechado
te tranquei
no silêncio
do almoxarifado

Úrsula Avner

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

* (Ins)piração *

tela : Salvador Dali

o poeta precisa do silêncio
não de um silêncio qualquer
mas daquele que vem de dentro
matéria-prima do que
suas mãos esboçam
na escuta sutil do sentimento

o que vem de fora
mesmo quando não é silêncio
traz na face rajadas de vento
sopro de versos
que adulteram o pensamento
ou fazem dele
surpreendente momento

Úrsula Avner

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

* Hibernação *

em cesto
de vime
colho golfadas de brisa
vozes de pássaros
são pegadas
no chão que se pisa

nem mesmo
manhãs ensolaradas
em céu azul realeza
escapam da lâmina

entre sulcos da ânima
há um fio cortante
vento de inverno

com pontos de agulha
in vento um terno
que me cobrirá
o corpo
mas não evitará
as estrias nos lábios
o abate morno

Úrsula Avner

* imagem extraída do Google- sem informação de autoria

terça-feira, 20 de julho de 2010

* (Re)canto *


arte: Patient gardener
By : Maggie Taylor


no ruflar das asas

entre um movimento e outro

silêncio inescrutável

lampejo de existência

mistério insondável


vesti-me de sons

que andei recolhendo

aqui e ali na orla

do intocável vento

no estribilho do tempo


se já fui verso

hoje sou (re)verso

linhas traçadas

com gosto de sangue

caducam em veias abertas

nuas e secas

imagens incertas

do que me acometeu


se em mim

arrefeceu

o que é poesia

não me abato

amanhã

é outro dia


Úrsula Avner

sábado, 12 de junho de 2010

* Trajetória de uma raça *


arte : Vino Morais

atravessou o tempo

certeiro como arpão

o grito da escravidão


sementes escondidas

em cabelos crespos

cairam no caminho

vontades sacudidas

fecundaram o solo

espalharam raízes


bebês buscaram o colo

das mães amortecidas

oprimidas

desiludidas

ecoou no vento

toque de tambor

buscou-se alento

em canções de dor


Úrsula Avner


* Vino Morais é artista plástico Angolano. Conheça outras obras dele clicando aqui

sábado, 22 de maio de 2010

* Descompasso*



arte: Heaven is a place on earth
by : Mel Gama


na madrugada insípida
corre em efusão
fio de estranheza
ausência do que se espera

se não tivesses
errado o tom
se tivesses tocado
a nota certa
não desafinaria o sol
no horizonte

diapasão alucinou
és canção perdida
em notas ranhidas

ficas á espera do vento
esse sabe cantar
como ninguém
embala teus sentimentos

em dó, lá ou si
nas notas que lhe convém

Úrsula Avner

segunda-feira, 22 de março de 2010

* Vozes *




arte: Maggie Taylor


ouço passos

de dança

(com)passos

que a vida rege


ouço vozes

de anjos

de homens

de bichos

atrozes


sons do silêncio

se enroscam

nas paredes do tempo


ouço movimentos

folhas farfalham ao vento

águas que correm

regurgitam lamentos



Úrsula Avner

domingo, 27 de dezembro de 2009

* De volta á velha casa ( Soneto)


tela : Benedito Calixto



Mãos deslizam sobre o velho teclado

desnudam tons graves e agudos

memórias saltam do passado

descarilam fantasmas mudos


a pele do tronco do carvalho

se dissolve na saliva do vento

tulipas anelam chuva de orvalho

a secura da ausência debela o tempo


portas e janelas agora ventiladas

são caminhos de uma nova passagem

discreto eflúvio corre na casa da vila


no limbo das emoções surtadas

momentos empoeirados renascem

cada canto da casa de novo cintila



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

* No chão *


arrasta pé
arrasta móvel
mulher arrasta
suplicante olhar
sobre o mar

arrasta o desejo
no coro do vento
que arrasta folhas
poeira no tempo

tempo arrasta
correntes
homens arrastam
a rede no mar
peixes saltam contentes
depois se arrastam
já não podem respirar

tem vida que arrasta
o medo da solidão
só se percebe
quando se alinha
ao chão


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

* Mera contemplação *

mulher canção
cabelos desfibrados
emolduram-se ao vento

mulher solidão
olhos no céu plantados
face de quem dribla o tempo

tempo para
tempo escoa
tempo corre
tempo voa

mulher dorme
no berço do tempo
vida escorre
onde perdeu-se o lamento


Úrsula Avner

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

*(De) lírio *

deitada sobre colchão
de folhas secas
não vi estrelas no céu
tudo tão escuro misterioso
como no interior da traqueia
ou num beijo de língua
que fermenta a espuma nas bocas

só a saliva do desejo é cristalina

de olhos cerrados vi
um vestido cor de prata
talvez fosse rosa chá
pequeno ponto de luz
na negritude

barulho algum
a não ser
a sonoridade seca
das folhas copulando
ao vento

(de)lírio
só soube daquele
bordado no vestido

pela manhã
há de orvalhar poesia
em vestes de seda
depois de romper
o silêncio insondável
da placenta

fórceps ao avesso


Úrsula Avner

* imagem do google

* poesia com registro de autoria

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

* Guerreira *




brava rosa

(des)brava caminho

á beira do asfalto

chapiscado de vinho


passa carro

passa gente

o vento passa

a rosa resiste


cresce mato

vem enchente

o tempo passa

a rosa insiste


brada a rosa



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

* Quando amanhece em mim *


Quando em mim amanhece
sereno é o fôlego da reflexão
que meus sentimentos aquece
salpicado de luz pulsa o coração

vontades e segredos destelhados
são como o sol em céu crepuscular
vago pelas vigas dos meus sobrados
desponta alvorada no olhar

nas trilhas que o destino esculpiu
não sei o quanto de mim ficou
cimentado nas lacunas do tempo
e o quanto de mim encontrou

liberdade nas espirais do vento
não sei na inteireza
o que do meu ser fluiu

sei apenas que
quando amanhece em mim
flores aromáticas espocam na alma
borboletas coloridas bailam
com admirável elegância e calma

Úrsula Avner

* imagem do Google- sem informação de autoria

* poema com registro de autoria

terça-feira, 2 de junho de 2009

* Azul na poesia *


Em versos mudos
destravei algemas
Silencio preso
virou colibri
Cauda longa de espátulas azuis
Vistosa plumagem
tremula ao vento da imaginação

Úrsula Avner


* imagem retirada de pesquisa feita no Google

* poesia com registro de autoria

sexta-feira, 22 de maio de 2009

* A vida e o tempo *


Contemplo minha vida gotejando

nas linhas que o destino traça

A vida é como o tempo que me escapa

se acampa nos céus que ele mesmo tinge e enlaça


Hoje... As nuvens nimbus , o vento forte

A vida segue o compasso da tormenta

Amanhã... O céu azul anil , o sol no horizonte

A vida brada no ritmo do dia claro que a acalenta


Se hoje fechou-se o tempo

e a chuva torrencial destelha os bons pensamentos

onde lágrimas alojam meus desalentos

Amanhã , o dia se abrirá num manto azulado

A vida irá sorrir sem a lívida lembrança

do que já foi tornado


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria conforme Lei vigente no país

* imagem retirada do Google- desconheço a autoria

quinta-feira, 30 de abril de 2009

*Resquício de outono



Hoje amanheci inverno

gosto de folhas secas na boca

resquício de outono

em meu tempo interno

Um vento gélido laminando a alma

sibilando no vão dos sentimentos

açoite na pele dos pensamentos

Levanto-me serena e calma

um feixe de luz solar invade o quarto

Hoje não almejo o espelho da claridade

quero a penumbra que se aloja na dor do parto

das reflexões gestadas pela serenidade


Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* imagem do Google