
tela : A mulher
autora: Cristina Coelho
o que me vale
são os pés
fincados na estrada
ora retilínea
ora desdobrada em curvas
o que me vale
é a amplitude da alma
dissolvida em reflexões
ora desnuda
ora trancada em porões
Úrsula Avner


Há momentos
dentro de mim
que emergem como um frêmito
numa avidez visceral
buscam a causa
de meus suspiros, ais e desalentos
Preciso ficar a sós com meus pensamentos
estancar a lamúria dos sons
revolver nos guardados da memória
deletos momentos
trancá-los á chave
preservar o brilho dos tons
Hoje, o novo me assusta
é tormento
o que é surpreendente me repele
é aflito
Quero apenas no eco dos pensamentos
cada preciso instante vivido
as mesmas reflexões em novos movimentos
Úrsula Avner
* poema com registro de autoria
* imagem retirada do Google- desconheço a autoria


Hoje amanheci inverno
gosto de folhas secas na boca
resquício de outono
em meu tempo interno
Um vento gélido laminando a alma
sibilando no vão dos sentimentos
açoite na pele dos pensamentos
Levanto-me serena e calma
um feixe de luz solar invade o quarto
Hoje não almejo o espelho da claridade
quero a penumbra que se aloja na dor do parto
das reflexões gestadas pela serenidade
Úrsula Avner
* poesia com registro de autoria
* imagem do Google