Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de maio de 2011

* sem medida *

escrever é caminho
sem volta
beco sem saída
onda desmaiada na areia
sem socorro sem guarida
falo do que me encanta
e do que me assombra
mas o que me assombra
também me encanta
na linha paradoxal
dos sentimentos
nascem os poemas
ávidos sedentos
cenas obscenas
desabafos lamentos
cacos fragmentos
implacáveis dilemas

Úrsula Avner

" escrever é uma pedra lançada no poço fundo" ( Clarice Lispector)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

* A alma da poesia *

poesia é algo
que brota de dentro
desponta do fundo da alma
traduz valores desejos sentimentos
é mistura de encanto e desalento
nudez do que está oculto
descoberta de si mesmo
esmero da vida e do luto

poesia é arte
é coisa fina
é o abrir da densa cortina
que cobre o âmago do ser
aquilo que não se pode entender
sem o olhar que alcança o horizonte
sem a curiosidade dos infantes
sem a inquietude dos jovens
sem o borbulhar dos amantes

poesia é devaneio e beleza
é encontro programado
também é surpresa
dor prazer palco de sombras
luzes... incerteza

Úrsula Avner

* poema escrito em 2004 e editado no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea- 2008 pela CBJE ( com algumas modificações em relação ao original)

* imagem do google- sem informação de autoria

sexta-feira, 9 de julho de 2010

* Entre palavras *

imagem : Patícia Van Lubeck


de tudo o que se pode guardar
guarde o silêncio
objetos são perecíveis
palavras... dispensáveis
o silêncio é enfático e duradouro
ainda que por alguns instantes

a reflexão é do silêncio
o ancoradouro
fere com estacas pontiagudas
a alma das palavras
serpenteia como lâminas cortantes

o silêncio é grilo falante
quando se colhe sentimentos
filho da verborragia
corta o ar como uma cotovia

nos versos da poesia
o silêncio é chama intrépida
travestido de palavras em seda fria
som estrepitoso
ecoa solitário
nas cavernas da mente

entre palavras e palavras
a pausa colossal do silêncio
é brado veemente
lacuna onde se deita
o que não é dito
ou dito de modo surpreendente
no suspiro abafado
no canto dos olhos
no sorriso embotado

brada o silêncio
o que os pulmões condensam
revela o que os seres
mais sensíveis pensam
faz imenso barulho em mim
é começo e é o fim

Úrsula Avner


* Obrigada pela gentileza de sua visita e comentário.

sábado, 22 de maio de 2010

* Descompasso*



arte: Heaven is a place on earth
by : Mel Gama


na madrugada insípida
corre em efusão
fio de estranheza
ausência do que se espera

se não tivesses
errado o tom
se tivesses tocado
a nota certa
não desafinaria o sol
no horizonte

diapasão alucinou
és canção perdida
em notas ranhidas

ficas á espera do vento
esse sabe cantar
como ninguém
embala teus sentimentos

em dó, lá ou si
nas notas que lhe convém

Úrsula Avner

domingo, 4 de abril de 2010

*Germinação*

quanto ao verso
que não compus
virou queixume de coisas
lágrima e pus
(es)correu nas narinas do tempo
perdeu-se no vão dos sentimentos


Faço versos
ao embalo de canção uterina
entendo ser essa a minha sina
ouço a melodia que vem das entranhas
voz de muitas águas que cantam
na noite e no dia
no riso e nas manhas


Úrsula Avner


* imagem do google

sexta-feira, 19 de março de 2010

* Projeção *




suntuosa é aquela nuvem

rajada de lilás

em céu azul anil

ensinua-se

cheia de trejeitos

move-se

vejo aqueles seios

rijos transparentes

duas tulipas imponentes

olhos ardentes

perscrutam meus pensamentos

debelam meu peito

oxigenam sentimentos


de repente

se desfaz lentamente

desaparece

nunca mais retornará

não da mesma forma

da forma que só eu a vi passar


mal dita nuvem

aparece

se oferece

meus sentidos aquece

depois simplesmente

me esquece


Úrsula Avner


* imagem do google

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

* Quando amanhece em mim *


Quando em mim amanhece
sereno é o fôlego da reflexão
que meus sentimentos aquece
salpicado de luz pulsa o coração

vontades e segredos destelhados
são como o sol em céu crepuscular
vago pelas vigas dos meus sobrados
desponta alvorada no olhar

nas trilhas que o destino esculpiu
não sei o quanto de mim ficou
cimentado nas lacunas do tempo
e o quanto de mim encontrou

liberdade nas espirais do vento
não sei na inteireza
o que do meu ser fluiu

sei apenas que
quando amanhece em mim
flores aromáticas espocam na alma
borboletas coloridas bailam
com admirável elegância e calma

Úrsula Avner

* imagem do Google- sem informação de autoria

* poema com registro de autoria

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

* Minha peregrinação *

Deleito-me nas fissuras de um céu crepuscular
onde pensamentos se aconchegam e silenciam
sentimentos se acotovelam como linhas no tear
percorro lugares longínquos que aos poucos se distanciam

Sou peregrina em meus próprios sentimentos
recolho minha estranheza no albergue da emoção
perco-me na lembrança de fulgurantes momentos
afagados pelo pulsar das veias do coração

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

sábado, 11 de julho de 2009

* Solitária canção *



Protejo-me de mim mesma

em frágil redoma

onde contemplo minhas vicissitudes

traspassadas por enigmáticas atitudes



Sentimentos falam por mim

o que eu mesma não decifrei

palavras me retalham por fim

em versos que eu simplesmente inventei



Em minha bojuda campânula

permaneço alicerçada a inexoráveis mistérios

enjambrada nesta perene cúpula

onde se ramificam segredos etéreos



Divago em sonhos evaporáveis

resquícios de uma ébria ilusão

nutrindo esperanças que julguei indenizáveis

perco-me no arpejo da minha solitária canção



Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google

quinta-feira, 9 de julho de 2009

* O suor do poema *




Nos escorregadores da memória

pensamentos deslizam

querem transmutar

palavras se aninham

tecem estórias


O poema transpira

alguns tímidos versos

extravasam emoções pelos poros

Ofegante o poema respira

pétalas frescas são colhidas

por um anjo azulado

no chão do pensamento orvalhado


Nos sulcos profundos da alma

sentimentos falam mais que mil palavras

ouso tracejar algumas linhas

letras mal esboçadas

na folha que almeja pelo poema inteiro



Versos me escapam

como filetes de água

escorrem entre os dedos

umedecem as paredes dos desejos



Persiste o sonho do poema

em brocal bordado

do verso pulsante

despudorado

do verso ainda não plantado

ausente da vida uterina

tão efusivamente sonhado

semeado para germinar

cumprir sua sina



Poema

te quero em versos impensados

que me venham como larvas vulcânicas

cuspidas no destino da folha



Te quero lacrimejante

como quem verte lágrimas de pus

brotoejas na alma das palavras

Te vejo como chamas flamejantes

em versos nus

que ardem a dor

das vontades aprisionadas



Úrsula Avner



* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sexta-feira, 8 de maio de 2009

* Sala de espelhos *



Tantas vezes olhei para mim mesma

ainda olho

Olhar atento de quem busca o que é familiar

e encontra o inexplicável

Olhar enviesado de quem duvida de si mesma

e se depara com o inevitável

Do avesso me reviro

Chocalho de sentimentos

Balanço alvoroçado de emoções

alvejadas por complexos pensamentos

Não posso fugir de mim mesma

Espelhos internos e externos

cercam-me por todos os lados

nos meus espaços quadrados

Reflexo indelével

do que não posso deixar de contemplar

Sinal incontestável

do que cotidianamente

há de me acompanhar

Um olhar atônito atravessa o tempo

fica guardado no cristal dos espelhos

Vejo uma figura estranha

cujo processar é lento

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem pesquisada no Google- desconheço a autoria

quinta-feira, 30 de abril de 2009

*Resquício de outono



Hoje amanheci inverno

gosto de folhas secas na boca

resquício de outono

em meu tempo interno

Um vento gélido laminando a alma

sibilando no vão dos sentimentos

açoite na pele dos pensamentos

Levanto-me serena e calma

um feixe de luz solar invade o quarto

Hoje não almejo o espelho da claridade

quero a penumbra que se aloja na dor do parto

das reflexões gestadas pela serenidade


Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* imagem do Google

sexta-feira, 24 de abril de 2009

* Pouso certo *



Uma delicada borboleta
encontrou pouso na minha mão
parecia dizer-me : " abra seu coração "
Preciso buscar a palavra certa

Secou o rio das paixões desvairadas
Hoje, transita em mim o amor sereno
o sentimento calçado de um brilho ameno
sem palavras que borbulham impensadas

Trago no coração a palavra almejada
busco no lamento do meu ser abissal
a vida adormecida no silencio do cristal
A borboleta ? Permanece em minha mão (re) pousada

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google- desconheço a autoria

terça-feira, 21 de abril de 2009

* Palavras poéticas *



Componho versos com simplicidade
Não almejo o rebuscamento das palavras
que emergem sem viço
como pele seca, flor desbotada
sem a saliencia do riso
ausentes da vivacidade

Componho versos
em vida penetrada pela poesia
em solo aberto e fecundo a cada dia
oscilando entre as areias e os oasis
dos meus desertos

O que importa que digam
"seus versos são simples"
A simplicidade é o adubo da vida
vida livre das correntes dos códigos
essencia inscrita nas tábuas da lei
do meu coração asfaltado
daquilo que eu sei
dos sentimentos diversificados
pela poesia viscejados

Em respiração arpejada
com os olhos marejados de strass
solfejo palavas poéticas em nuvem prateada
onde por fim, qualquer lamento jaz

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* conheça o meu blog de poesias infantis- Gotinhas de poesia e o site - A alma da poesia ( na lista de links)
Obrigada pelo carinho da sua visita !

sexta-feira, 13 de março de 2009

* Tão somente entregue a ti *



Deleito-me num mar de delícias
onde a paixão fixou morada
entrego-me ao prazer de tuas carícias
completamente doada
Sentimento carmim
volúpia desencapada
Desejo estar exatamente assim
totalmente nua
exposta como a garbosa lua
absolutamente tua

* Úrsula Avner *

*imagem retirada do Google
* poesia com registro de autoria

sábado, 21 de fevereiro de 2009

* No interior da poesia *

Em meio a rimas e versos quero estar
no interior da poesia quero mergulhar
É onde encontro meu lugar
onde desfilam meus anseios e sentimentos
minhas inquietações, meus pensamentos
É na poesia que aporto meus dissabores
derramo minha vida na intensidade de mil amores
A poesia é meu porto seguro
É deleite constante e puro
Ah poesia, falar de ti é menos
te construir e decifrar é frenos
Te quero poesia
poesia te quero
Ad infinitum
Ad serenus

* Autora: Úrsula Avner

* imagem retirada da net
* poesia com registro de autoria