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sábado, 16 de julho de 2011

* adorno *

tela: Lena Gal

grinaldas de borboletas me cercam
em ballet harmonioso e apurado
enroscam-se em pensamentos e quedam
na clidéia de um sonho emancipado

de dentro do ser
desabrocham palavras
que não plantei
pontos de luz que teimam em aparecer
sopro de pétalas aveludadas
grávidas dos versos que tão somente inventei

mergulho no poema
como quem salta
em tonel de flores
busco nas rimas um estratagema
preenchimento do que em mim é falta
no entrelaçar de dores e amores

não cesso de escrever
o desejo quando satisfeito
dissolve o prazer
lugar vazio de emoção
leito em solidão
o que não se pode decifrar ou entender
vértice de misteriosa peregrinação

por isso ainda estou á cata
de palavras mil para escrever
em versos torpes e linha inexata
até de mim mesma desentender


Úrsula Avner

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

* Herança *

penso que primeiro
meus pés vieram ao mundo
depois o corpo rompeu
o velcro profundo
que me mantinha aconchegada
ás entranhas maternas
desapegada
de quaisquer coisas dessa Terra

talvez por isso eu goste tanto
de pisar o chão ou de sair dele
em passos leves como os da bailarina
num caminhar desafrouxado
beirando o mar que me fascina

toco pedregulhos e algas
com as pontas dos dedos
na carícia da areia úmida
recolho conchas com seus segredos

depois que eu nasci
com o tempo percebi
que a tez pregueada e os vincos profundos
foram herança materna
o sorriso encurralado ao canto dos olhos fundos
foi legado paterno

meus pés amam o chão
também repousam neles
asas lubrificadas
com o óleo fresco da imaginação
com a indescritível essência da emoção

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria
* poema escrito em Agosto de 2008

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

* Minha peregrinação *

Deleito-me nas fissuras de um céu crepuscular
onde pensamentos se aconchegam e silenciam
sentimentos se acotovelam como linhas no tear
percorro lugares longínquos que aos poucos se distanciam

Sou peregrina em meus próprios sentimentos
recolho minha estranheza no albergue da emoção
perco-me na lembrança de fulgurantes momentos
afagados pelo pulsar das veias do coração

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

terça-feira, 19 de maio de 2009

* Por que escrevo ? *


Há coisas que não são explicáveis

são " sentíveis "

Apenas exequíveis

Sou poetisa não por acaso

ou por opção

Não por vaidade

mas por incumbência

por aterradora necessidade

Poesia é algo que compõe minha essência

Escrever está para as minhas veias

assim como o par de asas

está para o pássaro

Sou livre para alçar longos voos

nos tentáculos da imaginação

para sentir no pulsar das veias

o plasma vermelho da emoção



Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

* Jardim do encontro *


Em meu jardim encantado
encontro você
Quisera em meu livro repaginado
te reescrever
Em meu fúlgido pensamento
te esquecer
Quisera em meu insensato coração
te esconder
sufocar minha emoção
até de vista te perder

* Úrsula Avner *

* imagem retirada da net / poesia com registro de autoria