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sábado, 19 de novembro de 2011

* palco*

fonte da imagem: Google

quando se lê um poema
tem-se um encontro
com uma cena
um dilema
um teorema
um estratagema

ás vezes começo
pelo fim
leio o último verso
até alcançar o primeiro

viro o poema do avesso
leio as estrofes ao inverso
vou sacudindo as palavras

quando se lê um poema
tem-se uma história
o infinito do poeta
sombreia os versos
o infinito de quem lê
margeia os (in)versos

Úrsula Avner

* Olá amigos e amigas estou de volta ! Obrigada a todos pelo carinho de sempre...

sábado, 16 de julho de 2011

* adorno *

tela: Lena Gal

grinaldas de borboletas me cercam
em ballet harmonioso e apurado
enroscam-se em pensamentos e quedam
na clidéia de um sonho emancipado

de dentro do ser
desabrocham palavras
que não plantei
pontos de luz que teimam em aparecer
sopro de pétalas aveludadas
grávidas dos versos que tão somente inventei

mergulho no poema
como quem salta
em tonel de flores
busco nas rimas um estratagema
preenchimento do que em mim é falta
no entrelaçar de dores e amores

não cesso de escrever
o desejo quando satisfeito
dissolve o prazer
lugar vazio de emoção
leito em solidão
o que não se pode decifrar ou entender
vértice de misteriosa peregrinação

por isso ainda estou á cata
de palavras mil para escrever
em versos torpes e linha inexata
até de mim mesma desentender


Úrsula Avner

sábado, 14 de maio de 2011

* (des)conexão*

tela: anjo torto
autora: Gabriela Boechat

a cor do desencanto
é mar ouriçado
em dia de chuva
azul fraquejado
pálido magro
em gris bordado

versos espocam
sem rima
sem ritmo
sem nexo
aqui e ali
amontoam-se
palavras
sem léxico

o dia faz curva
ao largo
do pensamento

um poema diz
o que quer dizer
até o último alento

Úrsula Avner

sábado, 11 de dezembro de 2010

* Do que excede *

fonte da imagem: google-sem informação de autoria

versos

não me traduzem
de mim deduzem
o que eu mesma desconheço
se a palavra é infinita
quero prová-la até o osso
lamber os dedos
a palavra seca o ócio
como o colar adorna o pescoço
escrever ainda me basta
quando não for o bastante
talvez nada mais seja
entre o que fica e o que passa
o verbo sobeja

Úrsula Avner

domingo, 29 de agosto de 2010

* Poema (re) visitado *

arte : Rochas no mar
autora :Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

percorro as fibras do poema
como quem lava em açude
o rosto descamado
como quem vê amiúde
o mar esbravejar
e lanço rimas ao ar

alinhavo palavras
que não se avizinhavam
corpos estranhos
não se aninhavam

visto-me de sol
até a lua enciumar
colho estrelas com anzol
lanço versos ao mar

Úrsula Avner

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

* Solstício de inverno *


Bom dia poesia !
Hoje trago a lua
na garupa
ainda não bebi o sol
venezianas fechadas

em linhas sinuosas
vou tracejando
aquilo que não
se pode represar

é preciso vazar
gotejar palavras
até inundar de sol
um quarto de vida

Úrsula Avner

* imagem retirada do google- sem informação de autoria

domingo, 11 de julho de 2010

* (Des)encontro familiar *


Tela : Café na roça
artista : Cristina

algo acontece


quando os talheres tinem


pratos se estranham


na mesa posta



não é ao acaso


que flores esperam


em jarro de água fria


silenciosas inertes


apenas observam


os espasmos do dia


aquilo que de outro modo


não vivenciariam



agarra-se á áurea do cotidiano


lamento das horas


os mesmos gestos


as mesmas palavras


cirandam a mesa



os mesmos ritos


as mesmas risadas


pães dormidos na cesta



Úrsula Avner


* poema inspirado no livro " Reunião de família " de Lya Luft.
Obrigada por sua visita e comentário !

sexta-feira, 9 de julho de 2010

* Entre palavras *

imagem : Patícia Van Lubeck


de tudo o que se pode guardar
guarde o silêncio
objetos são perecíveis
palavras... dispensáveis
o silêncio é enfático e duradouro
ainda que por alguns instantes

a reflexão é do silêncio
o ancoradouro
fere com estacas pontiagudas
a alma das palavras
serpenteia como lâminas cortantes

o silêncio é grilo falante
quando se colhe sentimentos
filho da verborragia
corta o ar como uma cotovia

nos versos da poesia
o silêncio é chama intrépida
travestido de palavras em seda fria
som estrepitoso
ecoa solitário
nas cavernas da mente

entre palavras e palavras
a pausa colossal do silêncio
é brado veemente
lacuna onde se deita
o que não é dito
ou dito de modo surpreendente
no suspiro abafado
no canto dos olhos
no sorriso embotado

brada o silêncio
o que os pulmões condensam
revela o que os seres
mais sensíveis pensam
faz imenso barulho em mim
é começo e é o fim

Úrsula Avner


* Obrigada pela gentileza de sua visita e comentário.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

* Asas no azul *


arte : Freedom of my soul
by : Mel Gama
quando o mar abrir seu colo
deitar-me-ei em plácidas ondas
berço das vontades inquietas
dos desejos doudos
das palavras desertas

num ramo de flor
atei um pedido
raiz caule dor
do que não foi ouvido


Úrsula Avner

terça-feira, 8 de junho de 2010

* Confeite*




para enfeitar um poema

não preciso de rimas

ou de palavras sãs

preciso do fio da esgrima

da febre terçã

da adrenalina

da arte de tecelã

da singeleza de menina

da maciez da lã

preciso do amor em surdina

do mistério guardado na avelã

para enfeitar um poema

dispenso as rimas

e as palavras vãs


Úrsula Avner

sábado, 5 de junho de 2010

* Leveza *

na boca
um resto de vinho seco
se apega ao paladar
não há que se falar
em excesso de bagagem
na poesia
sou leve como pluma
o voo é suave
as palavras lentamente
fermentam
espocam versos
da espuma

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria

quinta-feira, 6 de maio de 2010

* (re)nascimento*


quando perder o viço
a pele das palavras
há de se encontrar
nas rugas
versos adormecidos
acordes de lira
novo percurso
em alarido
nova morada

o que era sonho apalpei
no largo do caminho
das flores soube
o perfume e o espinho
é tarde e a primavera
já passou
molda novo sorriso
a presente estação


Úrsula Avner

segunda-feira, 3 de maio de 2010

* Visão de mundo *

Olá queridos ( as) amigos (as) e visitantes,

Hoje é dia de Maria Clara Simplesmente Poesia. Para ler o poema de minha autoria clique aqui
Grande abraço a todos !


quinta-feira, 29 de abril de 2010

* Cativas *



ferem-me a boca

palavras carcomidas

alojadas nos cantos

cortadas pela saliva

quando mordo a língua

lembro-me delas

ora morrem á mingua

ora são ávidas sentinelas


Úrsula Avner

* imagem do google - sem informação de autoria

domingo, 14 de março de 2010

* Sempre Poesia *










Imagem : jóia em forma de borboleta com ouro amarelo, ouro branco, rubis e pérola-


Fonte: google


* esse texto poético leva o mesmo nome do blog e traz em seu bojo duas figuras poéticas que podem ser vistas no template do blog- borboletas e pérolas, que representam a liberdade, a delicadeza e transparência na criação poética, da forma como a concebo. É uma singela homenagem ao dia da poesia !



Abracei meus silêncios
como o mar (en)revolve as conchas
em seu corpo profundo e extenso
Entre pérolas e borboletas traço meus segredos
ora escancarados, ora ( nas entrelinhas) presos
Espaços vazios em mim falam mais que milhares de palavras.
Quando a poesia dança entre meus dedos
outro som algum se torna audível.
Palavras saltam da alma, do ventre, do peito...
do que é ou não crível.
Desatam-se os nós.
As pérolas cintilam
as borboletas, serenas, migram...


( de um canto a outro do meu ser ).



Úrsula Avner

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

* No balanço do silêncio *




eis que rompe o dia

invade meu estado de apagão

claridade estúpida


eis que sou sala vazia

lamentos em voz de multidão

garganta calejada e úmida



ruido surdo se alastra

palavras chegam tarde

em vozes moribundas


verso tímido a língua castra

palavras fazem alarde

morrem em valas profundas


Úrsula Avner


* imagem do Google
* poema com registro de autoria
OBS: Caros amigos(as) e visitantes, estou enfrentando problemas de saúde na família por isso ainda não tive tempo para responder aos últimos comentários feitos e para visitar os blogs que acompanho. Espero em breve poder retomar meus contatos com mais tempo. Um abraço a todos e obrigada pelo carinho.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

* depois da tempestade *


tela : Salvador Dali
da avidez pluvial
o que fica
desenha poliedros na calçada

desejos encharcados
já não respondem
ao apelo visceral

há delírio na estrada

palavras são pêndulos
instáveis

ávidas e alucinadas
se moldam
frenesi

cansadas de vagar
se acomodam
cheias de si

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

* Enfado *


tela : Mirza Boleiro


palavras crespas

borbulham na mente

quando o sol se apaga


lembranças espessas

são guizo de serpente

quando a noite se propaga


Úrsula Avner


* Obrigada por sua presença !

sábado, 11 de julho de 2009

* Solitária canção *



Protejo-me de mim mesma

em frágil redoma

onde contemplo minhas vicissitudes

traspassadas por enigmáticas atitudes



Sentimentos falam por mim

o que eu mesma não decifrei

palavras me retalham por fim

em versos que eu simplesmente inventei



Em minha bojuda campânula

permaneço alicerçada a inexoráveis mistérios

enjambrada nesta perene cúpula

onde se ramificam segredos etéreos



Divago em sonhos evaporáveis

resquícios de uma ébria ilusão

nutrindo esperanças que julguei indenizáveis

perco-me no arpejo da minha solitária canção



Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google

quinta-feira, 9 de julho de 2009

* O suor do poema *




Nos escorregadores da memória

pensamentos deslizam

querem transmutar

palavras se aninham

tecem estórias


O poema transpira

alguns tímidos versos

extravasam emoções pelos poros

Ofegante o poema respira

pétalas frescas são colhidas

por um anjo azulado

no chão do pensamento orvalhado


Nos sulcos profundos da alma

sentimentos falam mais que mil palavras

ouso tracejar algumas linhas

letras mal esboçadas

na folha que almeja pelo poema inteiro



Versos me escapam

como filetes de água

escorrem entre os dedos

umedecem as paredes dos desejos



Persiste o sonho do poema

em brocal bordado

do verso pulsante

despudorado

do verso ainda não plantado

ausente da vida uterina

tão efusivamente sonhado

semeado para germinar

cumprir sua sina



Poema

te quero em versos impensados

que me venham como larvas vulcânicas

cuspidas no destino da folha



Te quero lacrimejante

como quem verte lágrimas de pus

brotoejas na alma das palavras

Te vejo como chamas flamejantes

em versos nus

que ardem a dor

das vontades aprisionadas



Úrsula Avner



* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google