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sábado, 14 de maio de 2011

* (des)conexão*

tela: anjo torto
autora: Gabriela Boechat

a cor do desencanto
é mar ouriçado
em dia de chuva
azul fraquejado
pálido magro
em gris bordado

versos espocam
sem rima
sem ritmo
sem nexo
aqui e ali
amontoam-se
palavras
sem léxico

o dia faz curva
ao largo
do pensamento

um poema diz
o que quer dizer
até o último alento

Úrsula Avner

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

* (Ins)piração *

tela : Salvador Dali

o poeta precisa do silêncio
não de um silêncio qualquer
mas daquele que vem de dentro
matéria-prima do que
suas mãos esboçam
na escuta sutil do sentimento

o que vem de fora
mesmo quando não é silêncio
traz na face rajadas de vento
sopro de versos
que adulteram o pensamento
ou fazem dele
surpreendente momento

Úrsula Avner

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

* Ósculo *

tela : O beijo
by : Gustav Klimt

não há verso puro
a palavra vem do tédio
senão da lama
mineral é o pensamento
que não encontrou pouso
pedra bruta
onda que beija as rochas
e recua
amor bandido
estrada nua

Úrsula Avner

¨... é mineral o papel onde escrever o verso ; o verso que é possível não fazer ... " - João Cabral de Melo Neto

domingo, 18 de julho de 2010

* Amplidão *

lanço as pernas ao ar

porque o chão é áspero

prende em placas de cimento

o que se quer deixar voar


levita ave azul do pensamento

leva em seu frágil corpo

a fugacidade do instante oco

o tártaro do sentimento


Úrsula Avner

* imagem retirada do google- sem informação de autoria

sábado, 8 de agosto de 2009

* Verso fujão *



Verso arteiro fugiu de mim
sem dilema
Onde se meteu aquele danado ?
Talvez esteja escondido
nas entrelinhas do poema

Será que ele pensa ter escapado ?
Se o fujão se embrenhar cá dentro
certamente irei recuperá-lo
mas se desaparecer sem sofrimento
outro verso buscarei
não irei procurá-lo

Versos que fogem do pensamento
são como estrelas que explodem
não brilham mais no firmamento
fragmentos de luz que implodem
escondem-se nos umbrais do sentimento

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem do Google imagens

quinta-feira, 18 de junho de 2009

* Canteiro *



Há no poema luz escondida
candelabro que aquece a vida

Quem viveu
e em nenhum momento

um poema escreveu
deixou de abrir uma fenda
no céu do pensamento

Dela escorre luz
reflexões gestadas em canteiro de idéias
goteja também o que não reluz
o que se oculta num campo de azaléias

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
*imagem retirada do Google