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sábado, 19 de novembro de 2011

* palco*

fonte da imagem: Google

quando se lê um poema
tem-se um encontro
com uma cena
um dilema
um teorema
um estratagema

ás vezes começo
pelo fim
leio o último verso
até alcançar o primeiro

viro o poema do avesso
leio as estrofes ao inverso
vou sacudindo as palavras

quando se lê um poema
tem-se uma história
o infinito do poeta
sombreia os versos
o infinito de quem lê
margeia os (in)versos

Úrsula Avner

* Olá amigos e amigas estou de volta ! Obrigada a todos pelo carinho de sempre...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

* Deslumbre *

desenho: A flor do desejo
por: Luiza Maciel Nogueira

a voz que seca a garganta
salta em versos
como gotas lacrimejam
a folha na madrugada

se a pérola soubesse
do canto de pássaro
não seria tão contida
mas o adormecer
em si mesmo
gera asas
quando adormeço
em mim
amanheço
sol esparramado
claridade sem fim

Úrsula Avner

sábado, 16 de julho de 2011

* adorno *

tela: Lena Gal

grinaldas de borboletas me cercam
em ballet harmonioso e apurado
enroscam-se em pensamentos e quedam
na clidéia de um sonho emancipado

de dentro do ser
desabrocham palavras
que não plantei
pontos de luz que teimam em aparecer
sopro de pétalas aveludadas
grávidas dos versos que tão somente inventei

mergulho no poema
como quem salta
em tonel de flores
busco nas rimas um estratagema
preenchimento do que em mim é falta
no entrelaçar de dores e amores

não cesso de escrever
o desejo quando satisfeito
dissolve o prazer
lugar vazio de emoção
leito em solidão
o que não se pode decifrar ou entender
vértice de misteriosa peregrinação

por isso ainda estou á cata
de palavras mil para escrever
em versos torpes e linha inexata
até de mim mesma desentender


Úrsula Avner

terça-feira, 21 de junho de 2011

* Náufrago(do verbo)

nu da minha voz : Gabriela Boechat

calou-se
adormeceu sobre versos
que submergiram
lacrimejou
sobre a folha vazia
alva e gélida

espanto de si mesmo

é no vácuo
que algo acontece
não há movimento
sem queda
sem espaços vazios

que o sono seja
longo e reparador
que sonhos tragam
fragância e bolor

Úrsula Avner

sábado, 14 de maio de 2011

* (des)conexão*

tela: anjo torto
autora: Gabriela Boechat

a cor do desencanto
é mar ouriçado
em dia de chuva
azul fraquejado
pálido magro
em gris bordado

versos espocam
sem rima
sem ritmo
sem nexo
aqui e ali
amontoam-se
palavras
sem léxico

o dia faz curva
ao largo
do pensamento

um poema diz
o que quer dizer
até o último alento

Úrsula Avner

terça-feira, 26 de abril de 2011

* Canção das faces do amor *

desenho: Maré e Floresta
por : Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


talvez amanhã
ainda nos amaremos
com o denodo de
um maremoto
em dia de borrasca
sem censura
sem medo
sem máscara
sem freio e sem foto
encardida no porta-retrato
assinalando o momento
que não se quer esquecer
que se deseja de volta
que se teme padecer

talvez amanhã
(ainda) nos amaremos
na quietude do espinho
que cresce na rosa
na face no peito
sem aquela pontuda
necessidade de dizer
" eu te amo "
sem o aperto
no íntimo

a secura na boca

talvez (amanhã)
(ainda) nos amaremos
no encanto da chama
que insistente trepida
no múrmurio
da chuva fina
manso suave
como quem afina
um instrumento raro
com brandura e precisão
ou como quem dispensa
o sentido e a razão
e em súbito delírio
evoca a loucura
que a morte abomina

talvez amar
seja tão somente
nossa sina

Úrsula Avner

sábado, 19 de março de 2011

* Coisas de alma poética *

gota de orvalho- Madu Lopes

se inventei de contar estrelas
é porque as elegi parceiras
no desenfreado desejo
de abraçar o céu
mistério cravado no íntimo

quisera retornar ao jardim original
desprovido de dor ou labor
a marca da falta
da ausência perene
cabe bem nos versos que invento
e eles conversam comigo

Úrsula Avner

* Freud que o diga...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

* despertar *

tela : Canto da manhã- Lena Gal

versos me abraçam
feito manhã festiva
claridade singular
lépida incisiva
trazem passarinhos
em revoada
coro afinado
insistente e altivo

quando cessar a cantoria

e o silêncio cortar
a seiva da contemplação
versos ainda hão de gotejar
até correr chuva
feito acordes de uma canção

Úrsula Avner

sábado, 11 de dezembro de 2010

* Do que excede *

fonte da imagem: google-sem informação de autoria

versos

não me traduzem
de mim deduzem
o que eu mesma desconheço
se a palavra é infinita
quero prová-la até o osso
lamber os dedos
a palavra seca o ócio
como o colar adorna o pescoço
escrever ainda me basta
quando não for o bastante
talvez nada mais seja
entre o que fica e o que passa
o verbo sobeja

Úrsula Avner

domingo, 10 de outubro de 2010

* Esfera muda *

imagem : iceberg
Fonte : Google- sem informação de autoria

quisera escrever sobre o que não é familiar
cansei-me do previsível
almejo versos dos quais eu possa duvidar
mudar de lugar, apagar, inserir no plano invisível

versos que me venham como a luz da aurora
ou despenquem e me cubram como noites escuras
versos não compromissados com prévia estória
que espoquem de águas insanas ou puras

quisera escrever sobre o que não sei
o que sei é tangível, pedra miuda
lubrificado pelo que meditei
ausente do inconsciente, essa esfera muda

Úrsula Avner

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

* (Ins)piração *

tela : Salvador Dali

o poeta precisa do silêncio
não de um silêncio qualquer
mas daquele que vem de dentro
matéria-prima do que
suas mãos esboçam
na escuta sutil do sentimento

o que vem de fora
mesmo quando não é silêncio
traz na face rajadas de vento
sopro de versos
que adulteram o pensamento
ou fazem dele
surpreendente momento

Úrsula Avner

domingo, 29 de agosto de 2010

* Poema (re) visitado *

arte : Rochas no mar
autora :Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

percorro as fibras do poema
como quem lava em açude
o rosto descamado
como quem vê amiúde
o mar esbravejar
e lanço rimas ao ar

alinhavo palavras
que não se avizinhavam
corpos estranhos
não se aninhavam

visto-me de sol
até a lua enciumar
colho estrelas com anzol
lanço versos ao mar

Úrsula Avner

terça-feira, 20 de julho de 2010

* (Re)canto *


arte: Patient gardener
By : Maggie Taylor


no ruflar das asas

entre um movimento e outro

silêncio inescrutável

lampejo de existência

mistério insondável


vesti-me de sons

que andei recolhendo

aqui e ali na orla

do intocável vento

no estribilho do tempo


se já fui verso

hoje sou (re)verso

linhas traçadas

com gosto de sangue

caducam em veias abertas

nuas e secas

imagens incertas

do que me acometeu


se em mim

arrefeceu

o que é poesia

não me abato

amanhã

é outro dia


Úrsula Avner

sexta-feira, 25 de junho de 2010

* A palavra e o poeta *




consternada me via

soube que chorava

na sua (in)sanidade não se atrevia

a sair tresloucada


aguardava serena o momento certo

mergulhada em si mesma noite e dia

olhava-me com fervor bem de perto

mas era o silêncio seu guia


gotejava luz e minguava

tal qual estrela fria

e a lua no céu que acenava

no seu corpo o instante luzia


Ah bendita que chega de repente

junta-se a outras cúmplices e baila acalorada

na folha de papel respira contente

tece versos onde não cabe mais nada


Úrsula Avner


* imagem do google sem infomação de autoria

sábado, 5 de junho de 2010

* Leveza *

na boca
um resto de vinho seco
se apega ao paladar
não há que se falar
em excesso de bagagem
na poesia
sou leve como pluma
o voo é suave
as palavras lentamente
fermentam
espocam versos
da espuma

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria

segunda-feira, 24 de maio de 2010

* Asas quebradas *

recolhi minhas asas
as guardei no baú
onde vivem teias amorfas
as cobri com a leveza da seda

com o veludo de pétalas de rosas
(hoje) sou pássaro ferido
insensivelmente abatido
vaso de barro trincado
em pedra fria esculpido

quero voar novamente
levar em minhas asas
alguma semente
de esperança, de amor
vida em botão de flor

quero arejar em minhas asas
antigos versos rimados
sentimentos alados
poesia cantada solfejada

decido abrir o baú
tapar as narinas
ao cheiro acre
do bolorento destino

quero remover o lacre
ouvir o badalar do sino
permito que o oleiro
repare o vaso
conserte as asas quebradas

encontro novas moradas
sou de novo
fluidez em poesia
em versos ritmados
em rimas cantadas

Úrsula Avner


* esse poema foi um dos primeiros que compus e é dedicado á talentosa e querida amiga Glória Salles
* imagem do google- desconheço a autoria

quinta-feira, 6 de maio de 2010

* (re)nascimento*


quando perder o viço
a pele das palavras
há de se encontrar
nas rugas
versos adormecidos
acordes de lira
novo percurso
em alarido
nova morada

o que era sonho apalpei
no largo do caminho
das flores soube
o perfume e o espinho
é tarde e a primavera
já passou
molda novo sorriso
a presente estação


Úrsula Avner

domingo, 4 de abril de 2010

*Germinação*

quanto ao verso
que não compus
virou queixume de coisas
lágrima e pus
(es)correu nas narinas do tempo
perdeu-se no vão dos sentimentos


Faço versos
ao embalo de canção uterina
entendo ser essa a minha sina
ouço a melodia que vem das entranhas
voz de muitas águas que cantam
na noite e no dia
no riso e nas manhas


Úrsula Avner


* imagem do google

sexta-feira, 5 de março de 2010

* Versos perfumados *

Tela: Menina no jardim
by : Cícero Dias


Quero te oferecer versos
com perfume de flor
flor de laranjeira
de jabuticabeira
flor do campo
qualquer flor
que exale
a fragância
o néctar
do amor

quero te oferecer versos
com essencia de mar
com cheiro de cio
em noites de luar
versos com aroma
de fruta madura
colhida no tempo adequado
do amor madurado
do sentimento serenado
em caminho andado

Úrsula Avner

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

* No balanço do silêncio *




eis que rompe o dia

invade meu estado de apagão

claridade estúpida


eis que sou sala vazia

lamentos em voz de multidão

garganta calejada e úmida



ruido surdo se alastra

palavras chegam tarde

em vozes moribundas


verso tímido a língua castra

palavras fazem alarde

morrem em valas profundas


Úrsula Avner


* imagem do Google
* poema com registro de autoria
OBS: Caros amigos(as) e visitantes, estou enfrentando problemas de saúde na família por isso ainda não tive tempo para responder aos últimos comentários feitos e para visitar os blogs que acompanho. Espero em breve poder retomar meus contatos com mais tempo. Um abraço a todos e obrigada pelo carinho.