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segunda-feira, 24 de maio de 2010

* Asas quebradas *

recolhi minhas asas
as guardei no baú
onde vivem teias amorfas
as cobri com a leveza da seda

com o veludo de pétalas de rosas
(hoje) sou pássaro ferido
insensivelmente abatido
vaso de barro trincado
em pedra fria esculpido

quero voar novamente
levar em minhas asas
alguma semente
de esperança, de amor
vida em botão de flor

quero arejar em minhas asas
antigos versos rimados
sentimentos alados
poesia cantada solfejada

decido abrir o baú
tapar as narinas
ao cheiro acre
do bolorento destino

quero remover o lacre
ouvir o badalar do sino
permito que o oleiro
repare o vaso
conserte as asas quebradas

encontro novas moradas
sou de novo
fluidez em poesia
em versos ritmados
em rimas cantadas

Úrsula Avner


* esse poema foi um dos primeiros que compus e é dedicado á talentosa e querida amiga Glória Salles
* imagem do google- desconheço a autoria

segunda-feira, 13 de abril de 2009

* Vaso de barro *


Não estou pronta
Sou um ser inacabado
Vaso de barro
Peça de escultura em reparo
Nas mãos do oleiro, moldado

O que sei de mim
é o que recolho
das lamas do meu manguezal
O que desconheço
está imerso nas areias amarronzadas
do meu íntimo abissal

A imagem no espelho
fita-me atônita
clama por uma resposta
uma palavra tônica
um gesto, um simples rito
Nada acontece
Apenas o cavernoso silencio permanece

* Úrsula Avner *
* imagem retirada de pesquisa feita no Google
* poesia com registro de autoria