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terça-feira, 23 de junho de 2009

* Que venha o silêncio *



Há momentos

dentro de mim

que emergem como um frêmito

numa avidez visceral

buscam a causa

de meus suspiros, ais e desalentos



Preciso ficar a sós com meus pensamentos

estancar a lamúria dos sons

revolver nos guardados da memória

deletos momentos

trancá-los á chave

preservar o brilho dos tons



Hoje, o novo me assusta

é tormento

o que é surpreendente me repele

é aflito

Quero apenas no eco dos pensamentos

cada preciso instante vivido

as mesmas reflexões em novos movimentos



Úrsula Avner



* poema com registro de autoria


* imagem retirada do Google- desconheço a autoria

segunda-feira, 13 de abril de 2009

* Vaso de barro *


Não estou pronta
Sou um ser inacabado
Vaso de barro
Peça de escultura em reparo
Nas mãos do oleiro, moldado

O que sei de mim
é o que recolho
das lamas do meu manguezal
O que desconheço
está imerso nas areias amarronzadas
do meu íntimo abissal

A imagem no espelho
fita-me atônita
clama por uma resposta
uma palavra tônica
um gesto, um simples rito
Nada acontece
Apenas o cavernoso silencio permanece

* Úrsula Avner *
* imagem retirada de pesquisa feita no Google
* poesia com registro de autoria

domingo, 8 de março de 2009

*Compasso da espera


Ando calejada
como as areias do mar
feridas pelas ondas
que desembocam na enseada
Placas de sal no coração
Rochas desgastadas
Erosão
Enquanto o tempo passa
dentro de mim
mar de lágrimas

( Úrsula Avner )


* imagem retirada da net
* poesia com registro de autoria