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terça-feira, 31 de agosto de 2010

* O que é preciso saber *

foto : libélula
por : Alberto Maia


o que há sob as luvas
dissolve um deserto
umidifica um rio sedento
sustenta o peso do mundo

o silêncio verde
da mariposa
cobre jardins
de um mistério profundo

há lágrimas no interior
de rochas calcárias
basta uma gota de chuva
para banhar a pétala

não é preciso morrer
para se alcançar
estado de graça
bem o sabe a libélula

Úrsula Avner

* poesia inspirada no poema " Uma didática da invenção " de Manoel de Barros

quarta-feira, 21 de abril de 2010

* Tédio *

arte : Mel Gama


enrolada
nos trapos da mesmice
olhava para si mesma
com ar de desdém
sem desejo de sorrir
ou de lacrimejar também
sentimento depois de revirado
desbotado entornado
se não muda
petrifica

o cair da tarde
evoca lembranças
de outras eras
no chão de pele escura
verte-se lágrimas de sangue
explosiva mistura

Úrsula Avner

terça-feira, 15 de setembro de 2009

* Incontinência *


lágrimas escorrem

como seiva do caule

gota a gota

salgam o oceano

levam dores e alegrias

no dorso de noites e dias


lágrimas escorrem

feito água de chuva

gota a gota

inundam o solo

fazem curva

cobrem do rio o colo


lágrimas escorrem

enquanto luzes dormem


Úrsula Avner


* imagem retirada do google- sem informação de autoria

* poema com registro de autoria

terça-feira, 28 de julho de 2009

* Fuga de estrelas *



O céu impiedosamente chora
verte em lágrimas espessas dissabores
em angústia lentificada implora
por menos dor e mais amores

Atrás da vidraça
vida imersa em reflexões
vida que o tempo abraça
no entrelaçar das emoções

Ouve-se o grito implacável dos trovões
fuga de estrelas em agonia
lépido despertar de incontáveis sensações
o céu plúmbeo anoitece o dia

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google

segunda-feira, 20 de julho de 2009

* Paradoxo *


Se quero rosas vermelhas

tu me trazes pálidos crisântemos

se me recolho para olhar a mim mesma

do alto de minhas telhas

tu queres que eu remexa meus ânimos

que eu acenda minhas candeias

em mil centelhas


Queres que eu recolha minhas teias

fale pelos cotovelos

conte piadas

diga coisas engraçadas

que eu implore para ser amada


Se me exaspero

se liberto meus ais

se não sei se quero

tu clamas pelo silêncio

te recolhes mais


Se queres ler jornal

quero que me contemples

que não me vejas como ponto final

cuidas de olhar meu íntimo

mergulhado em exclamações

atolado em interrogações

repleto de interjeições


Se tu queres falar

quero que te cales

amordaças a tua boca

quero que toques meu corpo

com tua suavidade pouca

tua ardência louca


Se queres sorrir

quero um homem de sal

refeito em lágrimas

desejosas de parir

aquilo que se oculta em ti


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google


domingo, 28 de junho de 2009

* Série Poetrix *




Um pássaro solfeja

na minha janela

sonhos voam com ele


***//***


Incontido é o lamento da noite

lágrimas felpudas

regam o silêncio


***//***


Par de incansáveis sentinelas

são seus olhos a perscrutar

aquilo que se oculta em mim


***//***


Há flores no jardim

em meu coração

botões fechados


***//***


O sol tinge o céu

com seus dedos dourados

aquarela crepuscular


***//***


Na madrugada úmida

profundo silêncio

desejos insones


***//***


Sons atravessam a madrugada

onde sonhos trafegam

ecos da alma


* versos com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sexta-feira, 22 de maio de 2009

* A vida e o tempo *


Contemplo minha vida gotejando

nas linhas que o destino traça

A vida é como o tempo que me escapa

se acampa nos céus que ele mesmo tinge e enlaça


Hoje... As nuvens nimbus , o vento forte

A vida segue o compasso da tormenta

Amanhã... O céu azul anil , o sol no horizonte

A vida brada no ritmo do dia claro que a acalenta


Se hoje fechou-se o tempo

e a chuva torrencial destelha os bons pensamentos

onde lágrimas alojam meus desalentos

Amanhã , o dia se abrirá num manto azulado

A vida irá sorrir sem a lívida lembrança

do que já foi tornado


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria conforme Lei vigente no país

* imagem retirada do Google- desconheço a autoria

quinta-feira, 12 de março de 2009

* Dentro de mim *



O que está dentro de mim
está dentro de mim
Ninguém arranca se eu não quiser

Ninguém me tira do chão

ou me faz descer das nuvens
se eu não me dispuser
a navegar meus rios
a contemplar meus desvarios
a devastar meus mares
a conhecer em mim diferentes lugares

Cubro-me de sonhos ventilados pela poesia
Em mim salpicam estrelas
que cintilam no céu da nostalgia

Há dissabores e lágrimas agarrados ás minhas saias
Também encontro ondas de amor e alegria
percorrendo as minhas praias

Não é assim o vai e vem do mar da vida ?
Escrevo sobre o que salta das minhas areias
até encontrar a saída

Autora : Úrsula Avner
* poesia com registro de autoria
* imagem retirada da net

domingo, 8 de março de 2009

*Compasso da espera


Ando calejada
como as areias do mar
feridas pelas ondas
que desembocam na enseada
Placas de sal no coração
Rochas desgastadas
Erosão
Enquanto o tempo passa
dentro de mim
mar de lágrimas

( Úrsula Avner )


* imagem retirada da net
* poesia com registro de autoria