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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

* Derrame *

derrama- se
a lágrima
a sombra
o desejo

o leite
o olhar
o beijo

o sol
em tardes
profanas
a vida
derradeira
em vontades
subterrâneas

Úrsula Avner


fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

quinta-feira, 28 de julho de 2011

* Deslumbre *

desenho: A flor do desejo
por: Luiza Maciel Nogueira

a voz que seca a garganta
salta em versos
como gotas lacrimejam
a folha na madrugada

se a pérola soubesse
do canto de pássaro
não seria tão contida
mas o adormecer
em si mesmo
gera asas
quando adormeço
em mim
amanheço
sol esparramado
claridade sem fim

Úrsula Avner

sábado, 7 de maio de 2011

* Feito amor de mãe *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

horizonte aberto
á minha frente
braços robustos
escancarados
traz assombro
não é a amplitude
que me aflige
é o que ela esconde
contemplo o que
sobrou do sol
de manhã era conde
ao fim da tarde
servo sem dono
sem identidade
sem fonte
não sabe viver
sem o colo maternal
do horizonte

Úrsula Avner

sábado, 12 de março de 2011

* Tela viva *

fonte da imagem : Google

óbvia
a linha do horizonte
onde quase nada
é previsível
a não ser as tintas
que o sol pincela
laranja da terra
banana-ouro
manga-rosa
franjas frutíferas

Úrsula Avner

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

* Canção do entardecer *

desenho: Por do sol
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

esta faca
em seus olhos
agreste felina
lâmina afiada
corte de esgrima
esconde pérolas
brilho aveludado
réstia de sol
amor obnubilado
tímida voz no arrebol

Úrsula Avner

... em cada coisa o lado que corta se revela... João Cabral de Melo Neto

* Caros amigos e amigas, estou sendo plagiada por uma tal de " Hanna " , cujo endereço na net não consegui encontrar. Apenas localizei imagens com poemas meus assinados por ela. Uma amiga do Recanto das Letras me informou por e-mail. Se alguém conseguir descobrir alguma coisa favor me avisar para que eu possa adverti-la de que vários poemas meus tem registro de autoria, inclusive um dos que ela plagiou está publicado em uma coletânea ... É incrível como que a ética, o respeito e o bom senso são cada vez mais escassos hoje em dia...
Um abraço carinhoso a todos e todas !

sábado, 18 de setembro de 2010

*Janela aberta *

línguas vermelhas
serpenteiam arte

em céu de esplendor
saliva o fim de tarde

no horizonte fulvo
o sol ainda arde

tímido complacente
envelhece e parte

Úrsula Avner

domingo, 29 de agosto de 2010

* Poema (re) visitado *

arte : Rochas no mar
autora :Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

percorro as fibras do poema
como quem lava em açude
o rosto descamado
como quem vê amiúde
o mar esbravejar
e lanço rimas ao ar

alinhavo palavras
que não se avizinhavam
corpos estranhos
não se aninhavam

visto-me de sol
até a lua enciumar
colho estrelas com anzol
lanço versos ao mar

Úrsula Avner

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

* Incontinência *


Uma chuva
de milagres
eis do que preciso
milagres que espoquem
aqui ali acolá
feito granizos
caducos
milagres que se joguem
em terra ardida de sol
em areias enrugadas de mar
feito peixes
astutos
sabem bem mais
do que nadar

Úrsula Avner

* imagem retirada do google imagens-sem informação de autoria

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

* Solstício de inverno *


Bom dia poesia !
Hoje trago a lua
na garupa
ainda não bebi o sol
venezianas fechadas

em linhas sinuosas
vou tracejando
aquilo que não
se pode represar

é preciso vazar
gotejar palavras
até inundar de sol
um quarto de vida

Úrsula Avner

* imagem retirada do google- sem informação de autoria

terça-feira, 10 de agosto de 2010

* Refluxo *

talhou desejo
de abraçar o sol
hoje sou noite
sem estrelas
beija-me oscilante brisa
que insiste em praguejar
corta uma folha perdida
talho de amor

Úrsula Avner

quinta-feira, 22 de julho de 2010

* Da ausência *



eis que de longe acena
a mão do tempo
agarrada ao horizonte
onde o sol se despede
em franjas douradas

não soube da revoada
de pássaros selados
marcados para viver
um destino previsível

soube da ausência
e saber-se ausência
é mais do que se pode suportar

soube das conchas expulsas do mar
guardadoras de mistérios
do que não se deve decifrar
mais uma vez a ausência
aos meus ouvidos a cantarolar

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria

quarta-feira, 14 de julho de 2010

* Quando me vejo *

tela : Olhando no espelho
autor : Marco Antônio

no suplício das horas
um resquício de sol
suspiro incontido vaga
entre colunas e paredes
espectro solar

Foge da luz
chama de vida
só na penumbra
encontra guarida
estou a salvo
de mim mesma
salvo quando
me olho no espelho
onde quase tudo
é claridade


Úrsula Avner

segunda-feira, 14 de junho de 2010

* Busca *




cato aqui e ali

um cheiro de brisa


entre as pedras

um poema preso


nas parcas rimas

um gosto de hortelã


remo rumo ao sol

no suave abrigo da lã


Úrsula Avner


* imagem do google-sem informação de autoria



sábado, 22 de maio de 2010

* Descompasso*



arte: Heaven is a place on earth
by : Mel Gama


na madrugada insípida
corre em efusão
fio de estranheza
ausência do que se espera

se não tivesses
errado o tom
se tivesses tocado
a nota certa
não desafinaria o sol
no horizonte

diapasão alucinou
és canção perdida
em notas ranhidas

ficas á espera do vento
esse sabe cantar
como ninguém
embala teus sentimentos

em dó, lá ou si
nas notas que lhe convém

Úrsula Avner

quinta-feira, 20 de maio de 2010

* Paisagismo*

no jardim
pau-ferro marmorizado
dita o tom

espadas-de-são-jorge
crescem em cachepôs
folhas rajadas


em ramos altos
do chapéu-de-sol
festejam orquídeas

flores de ipê
deitadas no chão
são estrelas

domesticada flora

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria

sexta-feira, 23 de abril de 2010

* (Sou)zinho *


arte : Pino Daeni


sou de prata
talvez de bronze
ouro é precioso demais
em cada gesto
mais silêncio que estrondo
hoje, passivo é
o tempo cá dentro
contempla o sol se pondo
pardo
amarrotado
ás vezes
sonolento e brando


Úrsula Avner

quarta-feira, 14 de abril de 2010

* Canção singular *

a canção que invento
tem brilho de ponta
de estrela
fagulha cuspida
da implosão bucólica
do sol
quietude de riacho
quando os peixes dormem
sob águas serenas

a canção que invento
pinga o suor das faces
vincadas
tem o pó das pisaduras
intrépidas
dos que trabaham
em troca de pão
o canto do pintassilgo
que apregoa sua efêmera
liberdade
o vacilo das mãos
quando tecem (versos)

a canção que invento
tem o múrmurio das conchas
a solidão da folha
que da árvore quedou (se)
a fugacidade das borboletas
que voam e pousam
pousam e voam
num ballet intermitente
e breve

a canção que invento
colhe dejetos de becos sombrios
percorre o íntimo do ser humano
perscruta dores medos desejos
a vulnerabilidade
o peso do livre arbítrio

a canção que invento
é lamento
choro alagado
que se deita sobre
a retina e o coração
e inscreve seu legado


Úrsula Avner


* imagem do Google imagens

terça-feira, 16 de março de 2010

* Cópula em dobro *




imagem : Casal

autor: Lauri Blank
sol penetrou
lua garbosa

breve encontro crepuscular

feixes de luz saltitaram

- orgasmos múltiplos-

No céu

um arco-íris noturno

erótica paisagem

******//******


o lápis penetra a folha alva

vai desvirginando o vazio

um canto orgástico ecoa

palavras viris



Úrsula Avner

sexta-feira, 12 de março de 2010

* Canção noturna *

o homem
da rua sem poste
esgueira-se da luz do dia
tatua no corpo
o sol da meia-noite
sombra estirada
sobre a lápide do lume
olhos que veem
mãos que apalpam
sem a clarividência do sol
sem o estrondo do cotidiano
o homem da rua sem poste
há de viver (sem) cem anos


Úrsula Avner


* imagem do google- sem informação de autoria

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

* Visão de mundo *


sorvi do tempo o que
não se podia perscrutar
avancei mar adentro

penetrei o mel e a azia
de cada sentimento
tra(vesti) a dor de poesia

embalei canções uterinas
em ventre rasgado de dor
vi papoulas regadas a urina
senti seu odor

coisas escandalosas
cortam os dias
coisas vãs e tortas
são abelhas africanas
na boca de homens improbos
almas vazias mentes insanas

a sombra das árvores que ainda salivam
foge dos homens cuja calçada é o sol
os homens não sabem que as árvores uivam


figuras espectrais rondam as ruas
há medo em olhares altivos
vestes camuflam almas nuas

há espelhos em cada canto
refletem imagens disformes fugidias
um pardal entoa seu can(pran)to
notas afinadas porém tardias

a pressa é hipertensa foge do sono
incute ao paladar sequidão losna de abismo
halitose labirintite fobia abandono

em cada olhar um caco de vidro
arranha a tênue imagem da esperança
lâmina na cama faz vazar o prurido

ossos estralam ouço seus gritos
osteoporose artrose lordose
vidas lânguidas em leitos aflitos

sorvi do tempo a parte dentada
protuberantes caninos e molares
mandíbulas afiadas ranhuras
marcas da poderosa arcada
o que resta são meros disfarces

Úrsula Avner


* poema com registro de autoria
* imagem do google