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quarta-feira, 14 de abril de 2010

* Canção singular *

a canção que invento
tem brilho de ponta
de estrela
fagulha cuspida
da implosão bucólica
do sol
quietude de riacho
quando os peixes dormem
sob águas serenas

a canção que invento
pinga o suor das faces
vincadas
tem o pó das pisaduras
intrépidas
dos que trabaham
em troca de pão
o canto do pintassilgo
que apregoa sua efêmera
liberdade
o vacilo das mãos
quando tecem (versos)

a canção que invento
tem o múrmurio das conchas
a solidão da folha
que da árvore quedou (se)
a fugacidade das borboletas
que voam e pousam
pousam e voam
num ballet intermitente
e breve

a canção que invento
colhe dejetos de becos sombrios
percorre o íntimo do ser humano
perscruta dores medos desejos
a vulnerabilidade
o peso do livre arbítrio

a canção que invento
é lamento
choro alagado
que se deita sobre
a retina e o coração
e inscreve seu legado


Úrsula Avner


* imagem do Google imagens

terça-feira, 22 de setembro de 2009

* Rutilância *

tropecei na canção
errei o passo
lânguido frouxo
descuidado

abraçada ao chão
fui andarilha
em notas musicais

sob aparência de clave
andei grávida de cânticos
criei asas de ave

torpor embriaguez
brilho de estrela na tez

supernova

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

NOTA : tem poesia minha postada no
mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com

sábado, 30 de maio de 2009

* Ao som da lira *

Ao som cristalino da lira
embalo pensamentos num desejo insone
de edificar versos com a força de um ciclone
com palavras depuradas no fogo da pira

Removo as águas barrentas que inundam o poema
Quero versos desabrochados em flores musicais
poesia cantada, solfejada com o brilho de cristais
fonte límpida que flui serena

Desejo versos tecidos com simplicidade
em lirismo avantajado e incontestável

pois sem o som da lira não há poesia desejável
Não há entre o poeta e a sua obra qualquer cumplicidade

Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sexta-feira, 24 de abril de 2009

* Pouso certo *



Uma delicada borboleta
encontrou pouso na minha mão
parecia dizer-me : " abra seu coração "
Preciso buscar a palavra certa

Secou o rio das paixões desvairadas
Hoje, transita em mim o amor sereno
o sentimento calçado de um brilho ameno
sem palavras que borbulham impensadas

Trago no coração a palavra almejada
busco no lamento do meu ser abissal
a vida adormecida no silencio do cristal
A borboleta ? Permanece em minha mão (re) pousada

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google- desconheço a autoria

sábado, 18 de abril de 2009

* Sentinela dos sonhos *



Há sonhos alvejados de um briho celestial
em que espocam desejos na plenitude do cristal
Vez por outra, um anjo acampa nas trilhas
dos pensamentos engomados de luz
onde uma estrela de mil pontas reluz

O anjo recolhe desejos em formato de flor
envasa deles, o aroma, a cor e o sabor
Desenha um jardim no véu nebuloso dos sonhos
ornados com as pétalas do verdadeiro amor

Sereno, o anjo espalha as sementes
na terra misteriosa e fecunda de cada coração
Somente os sensíveis seres viventes
não querem despertar do sonho celestial
onde o anjo continua a entoar uma sublime canção
suave melodia sem igual


* Úrsula Avner * ( http://www.ursulaavner.com/ )

dica: leia o poema ouvindo a música "Angels" da Enya- tecle "play" no ipod ao lado- música 2

* poema com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

quinta-feira, 9 de abril de 2009

* Crisântemos vermelhos*



Aproximou-se de mim com serenidade
como um sopro de brisa primaveril
tocou minha face sem fazer alarde
acendeu em meu peito o pavio
tateou suas mãos orvalhadas
pelo meu corpo já cambaleante
sussurrou palavras de amor adornadas
com respiração ofegante
Chamou-me amada de minh´alma
envolveu-me em seus braços com surpreendente calma
lançou-me o olhar do desejo em estilhaços
refletido em espelhos do brilho aveludado
dos crisântemos vermelhos


* Úrsula Avner * ( Obrigada por sua visita ! )



* poesia com registro de autoria


domingo, 29 de março de 2009

* Venha meu amado *



Ah , venha logo meu amado
te espero adormecida
em nuvens prateadas
Quero me achar
em teu regaço aconchegada
com um lato bilho no olhar
holofote que propaga meu amor
com toda a intensidade
com que posso te desejar

Venha meu amado
provei do paladar da tua boca
como quem degusta um bom vinho
quero que me envolvas nas carícias de fino linho


Venha logo meu amado
coberta estou
por uma echarpe de seda
suave tecido fulgurante
Em ti encontro aprazível vereda
Sou sua mulher, amiga e amante


* Úrsula Avner *

* imagem retirada de pesquisa feita no Google
* poesia com registro de autoria

quarta-feira, 4 de março de 2009

* Quando se trata de amor *



Quando se trata de amor
o céu azul em nuvens cúmulos
se enrrola como um pergaminho
se abrindo num manto de estrelas
em fulgente desalinho

Quando se trata de amor
as diferenças são minimizadas
as fronteiras ficam tênues
quase apagadas
qualquer fugaz momento se torna perene

Quando se tratra de amor
há um cheiro de terra molhada
aroma despretensioso pairando no ar
reluz o brilho da relva orvalhada
projetado no olhar

Quando se trata de amor
os sonhos são palpáveis

não necessitam do adormecer
as manhãs nebulosas se abrem
despedindo-se num dourado entardecer

Quando se trata de amor...


* Úrsula Avner *


* a imagem da poesia foi retirada da net
* poesia com registro de autoria