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sábado, 16 de julho de 2011

* adorno *

tela: Lena Gal

grinaldas de borboletas me cercam
em ballet harmonioso e apurado
enroscam-se em pensamentos e quedam
na clidéia de um sonho emancipado

de dentro do ser
desabrocham palavras
que não plantei
pontos de luz que teimam em aparecer
sopro de pétalas aveludadas
grávidas dos versos que tão somente inventei

mergulho no poema
como quem salta
em tonel de flores
busco nas rimas um estratagema
preenchimento do que em mim é falta
no entrelaçar de dores e amores

não cesso de escrever
o desejo quando satisfeito
dissolve o prazer
lugar vazio de emoção
leito em solidão
o que não se pode decifrar ou entender
vértice de misteriosa peregrinação

por isso ainda estou á cata
de palavras mil para escrever
em versos torpes e linha inexata
até de mim mesma desentender


Úrsula Avner

domingo, 11 de julho de 2010

* (Des)encontro familiar *


Tela : Café na roça
artista : Cristina

algo acontece


quando os talheres tinem


pratos se estranham


na mesa posta



não é ao acaso


que flores esperam


em jarro de água fria


silenciosas inertes


apenas observam


os espasmos do dia


aquilo que de outro modo


não vivenciariam



agarra-se á áurea do cotidiano


lamento das horas


os mesmos gestos


as mesmas palavras


cirandam a mesa



os mesmos ritos


as mesmas risadas


pães dormidos na cesta



Úrsula Avner


* poema inspirado no livro " Reunião de família " de Lya Luft.
Obrigada por sua visita e comentário !

sábado, 19 de junho de 2010

* Poesia suja * ( anticenário)

arte : Vino Morais

se te escrevo
em palavras torpes
é porque te desejo translúcida
não enxertada de flores

hoje te almejo espelhada
em si mesma mergulhada
até te encontrar serena
posto que é melhor a nudez
do que plumas em cena

Úrsula Avner

Obrigada pelo carinho de sua visita e comentário !



quinta-feira, 6 de maio de 2010

* (re)nascimento*


quando perder o viço
a pele das palavras
há de se encontrar
nas rugas
versos adormecidos
acordes de lira
novo percurso
em alarido
nova morada

o que era sonho apalpei
no largo do caminho
das flores soube
o perfume e o espinho
é tarde e a primavera
já passou
molda novo sorriso
a presente estação


Úrsula Avner

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

* Breve canção poética

borboleta taxeia
entre as flores do jardim
dança rodopia esperneia
alegre tonta em efusão

quem dera fosse um zangão
sem ansiedade

sem vida nevrálgica
sem rugas em breve idade

na sua euforia uterina
a borboleta goza em ebulição
vida breve e intensa
transformada em canção


Úrsula Avner

* imagem do google

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

* Crisálida *



asas (con)torcidas

dentes presos no abismo

rebuliço no íntimo

partiu com dores de parto

mas partiu

drapeja ébria entre as flores


Úrsula Avner


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

* Átimo *




Florescimento


na voz insone do verbo


oculta flores em cimento


ápteras


lacônica existência


na porosidade da lágrima


desfolhada na aridez do dia


bulicoso estado do ser


intrépido modo de (sobre)viver




O silêncio das pedras


precisa bradar


vociferar o que está guardado


Estagnar pode ser sopro de vida


analgésico, entorpecente


o sal das ondas o sabem


em dias argênteos


ou em noites poluidas


do lacônico viver




Em vales e depressões


alojam-se águas límpidas


nas vísceras, rios vivos


chocalham peixes á margem


dos sonhos


dos desejos


dos arroubos




Bulício no íntimo


Silêncio !


As pedras podem despertar



Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria

terça-feira, 18 de agosto de 2009

* Significado *




Um poema diz

o que se propõe dizer

o que não pretendia

o que desconhece de si mesmo

corpo fechado

matéria propalada

nas entrelinhas

em versos alados

em melodia solfejada

em meio a flores de aço ou vinhas


o não dito é lido

por quem rumina o poema

em homeopáticas doses

fagocitose

vida em sobressalto


Um poema é salto

basta a si mesmo

não sabe que é frágil

leque aberto

ave de voo ágil

caminho incerto


Seguro um poema nas mãos

com luvas de seda

sorvo dele uma canção

deixo-o repousar sob a asa esquerda


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google imagens


OBS : escrevi este poema depois de ouvir alguém falar que ás vezes não entende o que o poema quer dizer. Um abraço carinhoso a todos que me visitam.

domingo, 2 de agosto de 2009

* Borda(da) *




transborda sonho

na borda da alma

mulher borda flores

agulha pano linha

destreza na palma

na borda da janela

borboleta observa


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google imagens

quinta-feira, 2 de julho de 2009

* Florescimento



Eu mulher

(tra) vestida de flores

em manhã primaveril


Traduzidos no corpo

esparramados na alma

jardins de Monet sob céu anil



Úrsula Avner



* poesia com registro de autoria

* Pintura de Alice Rabaça Gaspar F. Vaz - " Cara flores "

domingo, 28 de junho de 2009

* Série Poetrix *




Um pássaro solfeja

na minha janela

sonhos voam com ele


***//***


Incontido é o lamento da noite

lágrimas felpudas

regam o silêncio


***//***


Par de incansáveis sentinelas

são seus olhos a perscrutar

aquilo que se oculta em mim


***//***


Há flores no jardim

em meu coração

botões fechados


***//***


O sol tinge o céu

com seus dedos dourados

aquarela crepuscular


***//***


Na madrugada úmida

profundo silêncio

desejos insones


***//***


Sons atravessam a madrugada

onde sonhos trafegam

ecos da alma


* versos com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sábado, 20 de junho de 2009

* Fluir poético *




* Bailado *


Na entrada da casa
pássaros e flores de fuxico
acomodados
em guirlandas de cetim

explosão de cores
anúncio de boas novas
No meu tempo interno
borboletas dançam

* Visão *

Eu vi um homem de cera
um homem velho
fincado ao pé da colina
Eu vi um homem de cera velho
tempo derretido no solo

* Esquizofrenia *

Arrancou as calças no meio do salão
ninguém tinha notado sua presença
até então
Olhar distante
medo ambulante
colibri em cauda de pavão

* Canto aflito *

Espicha a noite
modelo sonhos
no esmeril da vida

Eis que espia o dia
Junto os espólios
do quem em mim desfacelou

* Profecia *

Passarinho defecou
no vidro da janela
"É sinal de sorte "
minha mãe dizia
Sorte ? Só se for para ela
Passarinho manchou
minha aquarela
Turvou mundo de sonhos
do outro lado da janela


* Haikai *


Mar azul canta
lança corpo na praia
mil rendas de sal


* poemas com registro de autoria
*imagem do Google

sábado, 30 de maio de 2009

* Ao som da lira *

Ao som cristalino da lira
embalo pensamentos num desejo insone
de edificar versos com a força de um ciclone
com palavras depuradas no fogo da pira

Removo as águas barrentas que inundam o poema
Quero versos desabrochados em flores musicais
poesia cantada, solfejada com o brilho de cristais
fonte límpida que flui serena

Desejo versos tecidos com simplicidade
em lirismo avantajado e incontestável

pois sem o som da lira não há poesia desejável
Não há entre o poeta e a sua obra qualquer cumplicidade

Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

quarta-feira, 13 de maio de 2009

* Artífice do amor *



Ah quem me dera

ter asas como o beija-flor

artífice do amor

galante e intrépido sedutor

Ah se eu pudesse

voar como o beija-flor

levar em minhas asas

o perfume roubado da flor

Vai e vem o pequeno galanteador

sem compromisso ou demora

se embrenha no jardim de variada flora

voa até ser noite e de novo , aurora

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* esta poesia é composta por tres quartetos- não consegui fazer a divisão necessária por problemas no computador.

terça-feira, 21 de abril de 2009

* Palavras poéticas *



Componho versos com simplicidade
Não almejo o rebuscamento das palavras
que emergem sem viço
como pele seca, flor desbotada
sem a saliencia do riso
ausentes da vivacidade

Componho versos
em vida penetrada pela poesia
em solo aberto e fecundo a cada dia
oscilando entre as areias e os oasis
dos meus desertos

O que importa que digam
"seus versos são simples"
A simplicidade é o adubo da vida
vida livre das correntes dos códigos
essencia inscrita nas tábuas da lei
do meu coração asfaltado
daquilo que eu sei
dos sentimentos diversificados
pela poesia viscejados

Em respiração arpejada
com os olhos marejados de strass
solfejo palavas poéticas em nuvem prateada
onde por fim, qualquer lamento jaz

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* conheça o meu blog de poesias infantis- Gotinhas de poesia e o site - A alma da poesia ( na lista de links)
Obrigada pelo carinho da sua visita !

sábado, 18 de abril de 2009

* Sentinela dos sonhos *



Há sonhos alvejados de um briho celestial
em que espocam desejos na plenitude do cristal
Vez por outra, um anjo acampa nas trilhas
dos pensamentos engomados de luz
onde uma estrela de mil pontas reluz

O anjo recolhe desejos em formato de flor
envasa deles, o aroma, a cor e o sabor
Desenha um jardim no véu nebuloso dos sonhos
ornados com as pétalas do verdadeiro amor

Sereno, o anjo espalha as sementes
na terra misteriosa e fecunda de cada coração
Somente os sensíveis seres viventes
não querem despertar do sonho celestial
onde o anjo continua a entoar uma sublime canção
suave melodia sem igual


* Úrsula Avner * ( http://www.ursulaavner.com/ )

dica: leia o poema ouvindo a música "Angels" da Enya- tecle "play" no ipod ao lado- música 2

* poema com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

sábado, 4 de abril de 2009

* Sonhos voam da janela *



Sonhos escaparam de mim
voaram da borda da janela
onde me debruço todas as tardes

Vagaram por entre as flores do jardim
se misturaram ás cores da aquarela
em vívida flora onde se espelham minhas vontades

Voam os sonhos sem pouso certo
fazem do céu seu campo aberto
ora estão distantes, ora estão por perto


* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

terça-feira, 17 de março de 2009

* A moça espia da janela *



A moça espia da janela
espia ao longe
como quem contempla numa tela
o galante e sorridente rouxinol
que namora as flores fincadas na terra do quintal

Espia no vão das lembranças
que saltam como um cardume
de peixes graudos
na rede do pescador

São tantas andanças
que emergem da palidez ao lume
em olhos vivos ou sorrisos mudos
no lugar compartilhado da dor e do amor

No céu pálido da memória
as recordações se amotinam
formam uma encadeada estória
singulares momentos que se aglutinam

A moça espia da janela
o tempo em suas facetas
o instante regado de luz ou o cinzento temporal
o ballet harmonioso das borboletas
o dia e a noite, nas trilhas do bem e do mal

* Úrsula Avner *

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no google

segunda-feira, 2 de março de 2009

* Um anjo em minha vida*


* Um anjo em minha vida *

Um anjo entrou pela minha janela
sussurrou ao meu ouvido
uma canção suave e bela
trouxe o perfume de flores celestiais
e o brilho aveludado
das luzes de mil castiçais

Quero bailar com o anjo
ao som da flauta ou do banjo
quero toda a angelical melodia
lançando purpurina ao meu dia

Autora: Úrsula Avner
* poesia com registro de autoria
* imagem extraída de pesquisa feita no Google