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domingo, 24 de julho de 2011

* lilás *

desenho: árvore do fim de tarde
por: Luiza Maciel Nogueira

já vejo estrelas
porto de anseios
como na Terra
em todos os seios
palpita um coração
entre luas
entre/meios
.
.
.

leva-me

secretamente
ao seio da noite
só lá sinto-me
em casa
cheiro de leite
nas narinas

é lilás
o fim de tarde

Úrsula Avner

quarta-feira, 18 de maio de 2011

* outro canto de outono *

tela: Duy Huynh

voei na asa
de um pássaro
fosse talvez
um anjo
levou-me
á casa dos ventos
lançou-me
olhos atentos:
de outros tempos

de outra ordem
é o mistério que
aqui conto
e quem conta
aumenta um ponto

Úrsula Avner

terça-feira, 3 de agosto de 2010

* João- de- barro *

foto : Marcelo Cazani

João não perdeu tempo
fez sua casa de barro
trabalhou duro
embrenhou-se lá dentro
seguro
morreu de velho

Úrsula Avner

domingo, 27 de dezembro de 2009

* De volta á velha casa ( Soneto)


tela : Benedito Calixto



Mãos deslizam sobre o velho teclado

desnudam tons graves e agudos

memórias saltam do passado

descarilam fantasmas mudos


a pele do tronco do carvalho

se dissolve na saliva do vento

tulipas anelam chuva de orvalho

a secura da ausência debela o tempo


portas e janelas agora ventiladas

são caminhos de uma nova passagem

discreto eflúvio corre na casa da vila


no limbo das emoções surtadas

momentos empoeirados renascem

cada canto da casa de novo cintila



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

* Soneto do retorno *



Na casa de todos os ventos
soprava um cântico de cor anil
envolto agora em trapos sedentos
do que em tempos idos sorriu

Um girassol reinava no jardim
absoluto em beleza e majestade
nas canções que se abriam em mim
havia o doce favo da liberdade

Sopravam ali copiosos ventos
cruzavam os cômodos em jactância
notas musicais de alegrias e lamentos

No balanço de velhos desejos sedentos
paira sereno o aroma da infância
persistem sol e lua de arejados tempos


Úrsula Avner


* imagem - retirada de dowloads.open4group.com

sábado, 20 de junho de 2009

* Fluir poético *




* Bailado *


Na entrada da casa
pássaros e flores de fuxico
acomodados
em guirlandas de cetim

explosão de cores
anúncio de boas novas
No meu tempo interno
borboletas dançam

* Visão *

Eu vi um homem de cera
um homem velho
fincado ao pé da colina
Eu vi um homem de cera velho
tempo derretido no solo

* Esquizofrenia *

Arrancou as calças no meio do salão
ninguém tinha notado sua presença
até então
Olhar distante
medo ambulante
colibri em cauda de pavão

* Canto aflito *

Espicha a noite
modelo sonhos
no esmeril da vida

Eis que espia o dia
Junto os espólios
do quem em mim desfacelou

* Profecia *

Passarinho defecou
no vidro da janela
"É sinal de sorte "
minha mãe dizia
Sorte ? Só se for para ela
Passarinho manchou
minha aquarela
Turvou mundo de sonhos
do outro lado da janela


* Haikai *


Mar azul canta
lança corpo na praia
mil rendas de sal


* poemas com registro de autoria
*imagem do Google