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quarta-feira, 18 de maio de 2011

* outro canto de outono *

tela: Duy Huynh

voei na asa
de um pássaro
fosse talvez
um anjo
levou-me
á casa dos ventos
lançou-me
olhos atentos:
de outros tempos

de outra ordem
é o mistério que
aqui conto
e quem conta
aumenta um ponto

Úrsula Avner

quinta-feira, 14 de abril de 2011

* Canção do derramamento *

imagem : chuva para Vinicius- por Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


em cada gota
um cristal
uma crista de onda
uma pedra de sal

em cada pingo
um mistério
um assombro
um destino prévio

obstinada gota
guarda o fascínio da quietude
a parte invisível
é o que a faz inteira
plena da força do açude

Úrsula Avner

segunda-feira, 11 de abril de 2011

* Alma flamenca *

tela : danza del fuego- Carlos Carreteiro

passos absolutos
golpeiam o chão
chora a guitarra
...

Hoje estou no Maria Clara: Simplesmente Poesia- para continuar lendo o poema clique aqui

Obrigada por sua visita e carinho. Um abraço amigo.

Úrsula Avner

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

* do que está velado *

desenho : jardim de luz
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


não sei
do mistério
da folha
da sombra
do vento

ao andar
entre esporas
do tempo
entendi de
perscrutar
o véu sobre
tua face
paradoxalmente
rijo e transparente

não te desvendei
te guardei segredo
jardim fechado
te tranquei
no silêncio
do almoxarifado

Úrsula Avner

terça-feira, 31 de agosto de 2010

* O que é preciso saber *

foto : libélula
por : Alberto Maia


o que há sob as luvas
dissolve um deserto
umidifica um rio sedento
sustenta o peso do mundo

o silêncio verde
da mariposa
cobre jardins
de um mistério profundo

há lágrimas no interior
de rochas calcárias
basta uma gota de chuva
para banhar a pétala

não é preciso morrer
para se alcançar
estado de graça
bem o sabe a libélula

Úrsula Avner

* poesia inspirada no poema " Uma didática da invenção " de Manoel de Barros

terça-feira, 20 de julho de 2010

* (Re)canto *


arte: Patient gardener
By : Maggie Taylor


no ruflar das asas

entre um movimento e outro

silêncio inescrutável

lampejo de existência

mistério insondável


vesti-me de sons

que andei recolhendo

aqui e ali na orla

do intocável vento

no estribilho do tempo


se já fui verso

hoje sou (re)verso

linhas traçadas

com gosto de sangue

caducam em veias abertas

nuas e secas

imagens incertas

do que me acometeu


se em mim

arrefeceu

o que é poesia

não me abato

amanhã

é outro dia


Úrsula Avner

terça-feira, 8 de junho de 2010

* Confeite*




para enfeitar um poema

não preciso de rimas

ou de palavras sãs

preciso do fio da esgrima

da febre terçã

da adrenalina

da arte de tecelã

da singeleza de menina

da maciez da lã

preciso do amor em surdina

do mistério guardado na avelã

para enfeitar um poema

dispenso as rimas

e as palavras vãs


Úrsula Avner

domingo, 18 de abril de 2010

* Mistério *




já era

jaz

na espera

sonho mapeado

de incerteza

se não fosse

incerto

de certo

não seria sonho


deserto



Úrsula Avner


*imagem disponível no google imagens

quarta-feira, 10 de março de 2010

* Do que é (in)finito *

aconteceu
num mes qualquer
num dia qualquer
é tão enfadonho
lembrar datas
evocação da finitude
sob disfarce de viva memória

fotos são contempladas
como se houvesse algo ali
como se o ontem ainda fosse
passado com cara de hoje

o tempo que era
que foi
que não mais será
ou ainda virá
é conjugação verbal

meus olhos nus
postados no espelho
são o que me valem

ontem
poeira guardada
em gavetas

amanhã
mistério ainda
não traçado em letras

Úrsula Avner

* imagem do google

domingo, 6 de setembro de 2009

* Silêncio poético *

É no murmúrio da noite
que avança o mistério

no silente quarto fechado
no céu apagado

na mata desvirginada
na dor embutida

borboleta parou
imóvel ficou
como se fosse
proibido dançar

Qual nada ! ( tola borboleta)
na noite quem faz barulho
é quem não sabe voar

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

sexta-feira, 10 de abril de 2009

* Algumas reflexões



Não posso falar de mim mesma
sem o olhar fito no fantasma da incerteza
figura que me assombra
lembra-me que sou complexa, sou mistério
De mim, a vida zomba
porque sabe que eu não me encontro inteira
Quando me olho no espelho
que o tempo cravejou

vejo-me multifacetada
feita em pedaços, interrogação certeira

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria- Lei 9.610/98 dos direitos autorais