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sábado, 16 de julho de 2011

* adorno *

tela: Lena Gal

grinaldas de borboletas me cercam
em ballet harmonioso e apurado
enroscam-se em pensamentos e quedam
na clidéia de um sonho emancipado

de dentro do ser
desabrocham palavras
que não plantei
pontos de luz que teimam em aparecer
sopro de pétalas aveludadas
grávidas dos versos que tão somente inventei

mergulho no poema
como quem salta
em tonel de flores
busco nas rimas um estratagema
preenchimento do que em mim é falta
no entrelaçar de dores e amores

não cesso de escrever
o desejo quando satisfeito
dissolve o prazer
lugar vazio de emoção
leito em solidão
o que não se pode decifrar ou entender
vértice de misteriosa peregrinação

por isso ainda estou á cata
de palavras mil para escrever
em versos torpes e linha inexata
até de mim mesma desentender


Úrsula Avner

domingo, 29 de agosto de 2010

* Poema (re) visitado *

arte : Rochas no mar
autora :Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

percorro as fibras do poema
como quem lava em açude
o rosto descamado
como quem vê amiúde
o mar esbravejar
e lanço rimas ao ar

alinhavo palavras
que não se avizinhavam
corpos estranhos
não se aninhavam

visto-me de sol
até a lua enciumar
colho estrelas com anzol
lanço versos ao mar

Úrsula Avner

segunda-feira, 14 de junho de 2010

* Busca *




cato aqui e ali

um cheiro de brisa


entre as pedras

um poema preso


nas parcas rimas

um gosto de hortelã


remo rumo ao sol

no suave abrigo da lã


Úrsula Avner


* imagem do google-sem informação de autoria



terça-feira, 8 de junho de 2010

* Confeite*




para enfeitar um poema

não preciso de rimas

ou de palavras sãs

preciso do fio da esgrima

da febre terçã

da adrenalina

da arte de tecelã

da singeleza de menina

da maciez da lã

preciso do amor em surdina

do mistério guardado na avelã

para enfeitar um poema

dispenso as rimas

e as palavras vãs


Úrsula Avner

segunda-feira, 24 de maio de 2010

* Asas quebradas *

recolhi minhas asas
as guardei no baú
onde vivem teias amorfas
as cobri com a leveza da seda

com o veludo de pétalas de rosas
(hoje) sou pássaro ferido
insensivelmente abatido
vaso de barro trincado
em pedra fria esculpido

quero voar novamente
levar em minhas asas
alguma semente
de esperança, de amor
vida em botão de flor

quero arejar em minhas asas
antigos versos rimados
sentimentos alados
poesia cantada solfejada

decido abrir o baú
tapar as narinas
ao cheiro acre
do bolorento destino

quero remover o lacre
ouvir o badalar do sino
permito que o oleiro
repare o vaso
conserte as asas quebradas

encontro novas moradas
sou de novo
fluidez em poesia
em versos ritmados
em rimas cantadas

Úrsula Avner


* esse poema foi um dos primeiros que compus e é dedicado á talentosa e querida amiga Glória Salles
* imagem do google- desconheço a autoria

segunda-feira, 26 de abril de 2010

* Incansável busca *

resgata em mim
o que é poesia
oh tempo !
Curvo-me diante de ti
não em lamento
ou em palpável sofrimento

Diante de ti
meus joelhos se dobram
na espera serena
de tua oferta generosa

as mãos enrugadas se tocam
ao som da valsa amena
de tua arte ditosa

contornos de poesia
meu paladar acaricia
um gosto de rima rica
que a alma umidifica

se o olhar do poeta
contemplasse as fezes
de sua poesia
certamente haveria
mais veracidade
no versejar de cada dia

Úrsula Avner


* imagem disponível no google imagens- sem informação de autoria

sábado, 21 de março de 2009

* Lenta espera *



Da minha janela

escrevo tímidos versos

em tantas linhas, dispersos

na lenta espera

do poema encorpado

pelas rimas , agraciado

de palavras reluzentes, adornado

Ilusão de quem poetiza

é almejar pelo poema inteiro

não há verbo que sintetiza

o que se abriga no terreno abissal

de cada humano canteiro


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem colhida do Google


sábado, 21 de fevereiro de 2009

* No interior da poesia *

Em meio a rimas e versos quero estar
no interior da poesia quero mergulhar
É onde encontro meu lugar
onde desfilam meus anseios e sentimentos
minhas inquietações, meus pensamentos
É na poesia que aporto meus dissabores
derramo minha vida na intensidade de mil amores
A poesia é meu porto seguro
É deleite constante e puro
Ah poesia, falar de ti é menos
te construir e decifrar é frenos
Te quero poesia
poesia te quero
Ad infinitum
Ad serenus

* Autora: Úrsula Avner

* imagem retirada da net
* poesia com registro de autoria