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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

* das rosas vermelhas *

rosas vermelhas
não falam
gritam
vestidas de gala
abrasam o tom
da pele
do céu do desejo

a paixão
vem como
mar caudaloso
cabe e não cabe
em qualquer lugar
hoje não coube em mim

sobejou

despejo
em camadas
ondas
sem freio
sem pudor
sem fim


Úrsula Avner


imagem : foto de Isabela Renault

* queridos amigos e visitantes estive ausente um bom tempo por motivos de saúde e trabalho mas estou voltando aos pouquinhos... Agradeço o carinho de todos em meu espaço e desejo um 2012 repleto de vitórias a cada um (a). Abraço terno.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

* Asas quebradas *

recolhi minhas asas
as guardei no baú
onde vivem teias amorfas
as cobri com a leveza da seda

com o veludo de pétalas de rosas
(hoje) sou pássaro ferido
insensivelmente abatido
vaso de barro trincado
em pedra fria esculpido

quero voar novamente
levar em minhas asas
alguma semente
de esperança, de amor
vida em botão de flor

quero arejar em minhas asas
antigos versos rimados
sentimentos alados
poesia cantada solfejada

decido abrir o baú
tapar as narinas
ao cheiro acre
do bolorento destino

quero remover o lacre
ouvir o badalar do sino
permito que o oleiro
repare o vaso
conserte as asas quebradas

encontro novas moradas
sou de novo
fluidez em poesia
em versos ritmados
em rimas cantadas

Úrsula Avner


* esse poema foi um dos primeiros que compus e é dedicado á talentosa e querida amiga Glória Salles
* imagem do google- desconheço a autoria

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

* Guerreira *




brava rosa

(des)brava caminho

á beira do asfalto

chapiscado de vinho


passa carro

passa gente

o vento passa

a rosa resiste


cresce mato

vem enchente

o tempo passa

a rosa insiste


brada a rosa



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google

segunda-feira, 20 de julho de 2009

* Paradoxo *


Se quero rosas vermelhas

tu me trazes pálidos crisântemos

se me recolho para olhar a mim mesma

do alto de minhas telhas

tu queres que eu remexa meus ânimos

que eu acenda minhas candeias

em mil centelhas


Queres que eu recolha minhas teias

fale pelos cotovelos

conte piadas

diga coisas engraçadas

que eu implore para ser amada


Se me exaspero

se liberto meus ais

se não sei se quero

tu clamas pelo silêncio

te recolhes mais


Se queres ler jornal

quero que me contemples

que não me vejas como ponto final

cuidas de olhar meu íntimo

mergulhado em exclamações

atolado em interrogações

repleto de interjeições


Se tu queres falar

quero que te cales

amordaças a tua boca

quero que toques meu corpo

com tua suavidade pouca

tua ardência louca


Se queres sorrir

quero um homem de sal

refeito em lágrimas

desejosas de parir

aquilo que se oculta em ti


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google