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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

* Outro tom de crepúsculo*

imagem: Google


Chegaste
em canto de pássaro
doce sussurrante
leveza e mistério

nas asas
o amor
em camadas

sonho lampeja
no alto da serra
a tarde é andeja
cobre de ouro velho
a face da Terra

é hora de deitar
o desejo sobre
as entranhas
da serra

abraço rubro



Úrsula Avner

* para o meu amor

quinta-feira, 28 de julho de 2011

* Deslumbre *

desenho: A flor do desejo
por: Luiza Maciel Nogueira

a voz que seca a garganta
salta em versos
como gotas lacrimejam
a folha na madrugada

se a pérola soubesse
do canto de pássaro
não seria tão contida
mas o adormecer
em si mesmo
gera asas
quando adormeço
em mim
amanheço
sol esparramado
claridade sem fim

Úrsula Avner

segunda-feira, 11 de julho de 2011

* Mestre*

imagem: passarinho bebendo água da bica no jardim japonês- Buenos Aires- Argentina


chegou cabaleante
nuvens nos cabelos
passo vacilante
não quis cantar
o amor
nem a pedido da flor
não se rogou amante

ilustre visitante
abreviou o pouso
no tempo de um instante
em gesto errante
ruflou as asas
voou para bem distante

Úrsula Avner

* raro momento cuja imagem captei no contato com a natureza... Um abraço a todos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

* Encantamento *

desenho de Luiza Maciel Nogueira
em : http://versosdeluz.blogspot.com


um pássaro
ruflou suas asas
ao pé do meu ouvido
em voz gentil
falou comigo
sussurrou
na língua dos poetas
depois voou
cercado de arcanjos
sob voz de profetas

Úrsula Avner

quarta-feira, 18 de maio de 2011

* outro canto de outono *

tela: Duy Huynh

voei na asa
de um pássaro
fosse talvez
um anjo
levou-me
á casa dos ventos
lançou-me
olhos atentos:
de outros tempos

de outra ordem
é o mistério que
aqui conto
e quem conta
aumenta um ponto

Úrsula Avner

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

* Dos desejos*

imagem : Amanda Cass


não quero um amor
mais ou menos
quase pleno
pseudo sereno
de gosto etílico e amargo
quero no toque da pele
o arrepio
na alma
o assobio
de pássaro cantador
livre e altivo
sabe-se inteiro
vivo
sem temor

Úrsula Avner

Preciosos (as) amigos , amigas e caros (as) visitantes, agradeço cada comentário, cada palavra de carinho, incentivo e conforto registrada na postagem anterior. Saibam que guardo no coração todas elas e fico muito feliz em poder contar com o apoio e amabilidade de cada um (a). Não estou tendo tempo hábil para visitar e agradecer a cada um (a) como gosto de fazer, mas assim que possível atualizarei as visitas. Um abraço afetuoso a todos e todas.

domingo, 22 de agosto de 2010

* Sondagem *


tela : pássaro contemplativo
autor: José Carlos Rodrigues

quando a ave do desejo
em teus olhos repousar
lembra-te de que és passageiro
andarilho em noites de luar

pássaro estrangeiro
vieste te visitar
não sabe do teu sono
ou do teu caminhar

chuva pranteou no telhado
mas bem que podia
ter sido em ti
a alma trêmula escandesce
o que se quer encobrir

Úrsula Avner

sábado, 31 de julho de 2010

* passagem *



tela : Salvador Dali


pássaro leva
no bico
um trevo

a contemplar seus olhos
não me atrevo

amanhece
aranha tece
sem pressa
sua teia

acontece
breve prece
na misteriosa ceia
desejo tem pressa

lá fora (aos poucos)
o dia esmorece

Úrsula Avner


Caros amigos , amigas e visitantes , o folder anuncia o lançamento do livro Maria Clara: uniVersos femininos, pela Livro Pronto Editora na 21 ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo- S.P entre os dias 12 e 22 de Agosto. O livro reune poesias de doze autoras- as " Marias" , entre as quais eu estou incluida. Tenho o prazer de fazer parte dessa obra literária organizada pela mestra Hercília Fernandes, professora e poetisa de grande talento e sensibilidade. Obtenha mais informações sobre o livro clicando aqui

Obrigada pelo carinho de todos,

Úrsula Avner

segunda-feira, 24 de maio de 2010

* Asas quebradas *

recolhi minhas asas
as guardei no baú
onde vivem teias amorfas
as cobri com a leveza da seda

com o veludo de pétalas de rosas
(hoje) sou pássaro ferido
insensivelmente abatido
vaso de barro trincado
em pedra fria esculpido

quero voar novamente
levar em minhas asas
alguma semente
de esperança, de amor
vida em botão de flor

quero arejar em minhas asas
antigos versos rimados
sentimentos alados
poesia cantada solfejada

decido abrir o baú
tapar as narinas
ao cheiro acre
do bolorento destino

quero remover o lacre
ouvir o badalar do sino
permito que o oleiro
repare o vaso
conserte as asas quebradas

encontro novas moradas
sou de novo
fluidez em poesia
em versos ritmados
em rimas cantadas

Úrsula Avner


* esse poema foi um dos primeiros que compus e é dedicado á talentosa e querida amiga Glória Salles
* imagem do google- desconheço a autoria

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

* Breve companhia *

Partiste
lépido sem despedida
do meu regaço fugiste
deixaste-me
solitário e triste
gotejando a dor da partida

Quisera aninhar-te
em meu colo
afagá-lo em minhas mãos
só mais um instante

contemplar o silêncio
de tuas asas
o pulsar galopante
do teu coração
sentir tua respiração
ofegante

Invejo tua liberdade
que em mostrar-me insiste
o quanto sou chão
em mim subsiste
a lembrança da tua canção
serena e incisiva
abaulando no peito
segredos inescrutáveis da vida


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* Imagem do google

sexta-feira, 17 de julho de 2009

* Colheita *



Com mãos de veludo

colhi da íris do desejo

pétalas regadas com sal


Fugiu de mim pássaro mudo

breve vida do ensejo

sonhos arquejaram ao final



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google- deconheço a autoria

domingo, 28 de junho de 2009

* Série Poetrix *




Um pássaro solfeja

na minha janela

sonhos voam com ele


***//***


Incontido é o lamento da noite

lágrimas felpudas

regam o silêncio


***//***


Par de incansáveis sentinelas

são seus olhos a perscrutar

aquilo que se oculta em mim


***//***


Há flores no jardim

em meu coração

botões fechados


***//***


O sol tinge o céu

com seus dedos dourados

aquarela crepuscular


***//***


Na madrugada úmida

profundo silêncio

desejos insones


***//***


Sons atravessam a madrugada

onde sonhos trafegam

ecos da alma


* versos com registro de autoria

* imagem retirada do Google

terça-feira, 19 de maio de 2009

* Por que escrevo ? *


Há coisas que não são explicáveis

são " sentíveis "

Apenas exequíveis

Sou poetisa não por acaso

ou por opção

Não por vaidade

mas por incumbência

por aterradora necessidade

Poesia é algo que compõe minha essência

Escrever está para as minhas veias

assim como o par de asas

está para o pássaro

Sou livre para alçar longos voos

nos tentáculos da imaginação

para sentir no pulsar das veias

o plasma vermelho da emoção



Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google