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sábado, 13 de agosto de 2011

* sangria*

imagem: íris roxas
por :Pâmela Reis

silêncio é minha voz
sua voz é silêncio
ainda assim
fazemos alarde
meu corpo insulta
o verbo e arde
dentro do peito
cabem manhã e tarde
galopa sem freio o desejo
até a noite cobrir o céu
da cor de Marte

Seu olhar me traga
e ainda que você
traga
veludo ou espinhos
sou sangria
de todos os vinhos

Úrsula Avner

* ainda sobre a paixão...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

* Deslumbre *

desenho: A flor do desejo
por: Luiza Maciel Nogueira

a voz que seca a garganta
salta em versos
como gotas lacrimejam
a folha na madrugada

se a pérola soubesse
do canto de pássaro
não seria tão contida
mas o adormecer
em si mesmo
gera asas
quando adormeço
em mim
amanheço
sol esparramado
claridade sem fim

Úrsula Avner

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

* Canção do entardecer *

desenho: Por do sol
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

esta faca
em seus olhos
agreste felina
lâmina afiada
corte de esgrima
esconde pérolas
brilho aveludado
réstia de sol
amor obnubilado
tímida voz no arrebol

Úrsula Avner

... em cada coisa o lado que corta se revela... João Cabral de Melo Neto

* Caros amigos e amigas, estou sendo plagiada por uma tal de " Hanna " , cujo endereço na net não consegui encontrar. Apenas localizei imagens com poemas meus assinados por ela. Uma amiga do Recanto das Letras me informou por e-mail. Se alguém conseguir descobrir alguma coisa favor me avisar para que eu possa adverti-la de que vários poemas meus tem registro de autoria, inclusive um dos que ela plagiou está publicado em uma coletânea ... É incrível como que a ética, o respeito e o bom senso são cada vez mais escassos hoje em dia...
Um abraço carinhoso a todos e todas !

sexta-feira, 28 de maio de 2010

* Mutismo *


tela : Dog woman
by : Paula Rego

apegou-se ao paladar


losna de abismo


halitose


voz embargada


em som doído


d o i d o


overdose


d o s e


do que não pode ser dito



Úrsula Avner


domingo, 11 de abril de 2010

* Andrógina*

tela: Vendedora de flores
by : Diego Rivera


meu caminho é inverso
ao caminho das coisas
penso andar
na contramão do mundo
em mim repousa
mistério profundo

não sei se quero partir
não sei se me dou
se devo sorrir
se arrisco voo de condor

quisera ir
quisera voar
para bem distante da dor
sem rumo, sem ter onde chegar

se hoje sou silêncio
já fui estrondo
voz de cachoeira
se hoje me rendo
já mergulhei rio adentro
canto de lavadeira

Úrsula Avner

domingo, 4 de abril de 2010

*Germinação*

quanto ao verso
que não compus
virou queixume de coisas
lágrima e pus
(es)correu nas narinas do tempo
perdeu-se no vão dos sentimentos


Faço versos
ao embalo de canção uterina
entendo ser essa a minha sina
ouço a melodia que vem das entranhas
voz de muitas águas que cantam
na noite e no dia
no riso e nas manhas


Úrsula Avner


* imagem do google

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

* Sentimentos de rosa *



quem sabe da melancolia da rosa
que solitária cresce no vaso ou no campo ?
Quem vê seus espinhos brotarem
tatuando sua carne ?
Acaso há espanto quando desfolhada
a rosa geme ?
Quem conhece seu silêncio orvalhado ?
Quem teme
tocar sua pele com cuidado
sem a lixa das mãos ?
Quem já ouviu as batidas do seu coração ?

Se o cravo brigou com a rosa
em desalento
não foi essa a razão
do seu desfalecimento
Não é o cravo seu algoz
é quem não lhe reconhece a voz


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem disponível no google sem informação de autoria

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

* Percurso *


deseja o poeta

deixar o verbo solto

sem eira nem beira

a esmo e revolto

em chão árido

ou em voz de cachoeira

mas é na alma

seu cárcere

e na palma

seu fim

sob pedra de mármore



Úrsula Avner


* imagem do Google- não foi informada a autoria

domingo, 13 de setembro de 2009

* Auto-observação *


Se enrijeço

não mais me (te) vejo

sob o regaço da sombra

adormeço

onde nada se altera

plácida voz da repetição

na fugacidade do tempo

que ruge como fera


Se oscilo

não aconteço

não me concretizo

transito do fim ao começo

Emudeço

no útero da vida

no cárcere do desejo


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

imagem do Google- Tela de Seurat, 1883 - " Camponesa sentada na grama "

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

* Brev idade *




Breve vida

breve idade

breve querer

breve voz


Na brevidade dos dias

são breves os anseios

não me alimento de sonhos

só de brevidade


Úrsula Avner
* poema com registro de autoria