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segunda-feira, 28 de março de 2011

* Da sequidão *

fonte da imagem : google

plantou sementes
em terra seca
á espera de
um milagre
que nunca veio
o vento ainda sibila por lá
solitário canto
arrasta folhas rugosas
galhos mancos

á noite
voz de mil estrelas
fazem do pó esfoliante
extenso tapete
rio árido
da contemplação


Úrsula Avner

domingo, 13 de fevereiro de 2011

* Do interior *

fonte da imagem: Google- sem informação de autoria

súbito estrala
o som dos teus sonhos
perscrutam os meus

.......

* continue a ler o poema acima no " Maria Clara : Simplesmente Poesia ", onde estou hoje. Clique aqui

* Obrigada por sua presença e carinho !


Úrsula Avner

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

* da despedida *


imagem : Restos
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


fiz as malas
defiz os laços
peguei tudo o que era meu
agrupei em sacos plásticos
pertences pesados
difíceis de carregar
sonhos aprisionados
aves que agora
querem voar

rompi barreiras
quebrei algemas
falei asneiras
usei estratagemas
para não cair
no vazio
para não sentir
na face
o hálito acre
da mesmice
fluindo como um rio
caudaloso e lento
na incerta vida de dentro

Úrsula Avner


Queridos amigos, amigas e visitantes, voltei com entusiasmo, embora ainda ferida, em processo de elaboração da separação conjugal. Tenho a poesia, tenho vocês, tenho o amor e o apoio da minha família, das minhas filhas e tenho sobretudo, a fé Naquele que criou todas as coisas e me sustenta nos momentos difíceis. Um abraço afetuoso a todos que sempre me visitam e assinalam em palavras e/ou pensamentos o carinho que me dedicam.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

* crepúsculo de outras terras *


foto : Por do sol na chácara da minha irmã em Nova Veneza/GO

em terras distantes
corpo nu do sol estirado
entre nuvens suspira

em aveludadas retinas
espelho de uma cena singular
vibra respira

sol agonizando no horizonte

leva rio de desejos

imagem pespontada na memória
sela a magnitude do ensejo


Úrsula Avner

* este poema é dedicado á minha sobrinha Juliana que admira o crepúsculo assim como eu... Beijos Ju !
Queridos Carlos e Ângela, obrigada pelo privilégio de compartilhar da companhia de vocês naquela chácara tão linda.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

*A noite(s)cendo *

desenho : Azul escuro com um toque de laranja
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

num céu vazado
olhos de vaga-lume
se despedem do dia
correm o rio e o tempo
de mãos dadas
com a poesia
tão incisiva
no azul
no laranja
em Lara

Úrsula Avner

* poema inspirado na poesia- " Da cor de Lara " elaborada por Luiza Maciel Nogueira em homenagem à Lara Amaral do Teatro da Vida. Para ler a poesia clique aqui

* Singelo presente Lara !

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

* Estação *

tela : Gustav Klimt

colou em mim
estado de árvore
como sede
de um rio sequíssimo

calou em mim
o que foi dilúvio
água (trans) lúcida
feito pele argêntea de lua

leitosa
pedante
nua

Úrsula Avner

terça-feira, 31 de agosto de 2010

* O que é preciso saber *

foto : libélula
por : Alberto Maia


o que há sob as luvas
dissolve um deserto
umidifica um rio sedento
sustenta o peso do mundo

o silêncio verde
da mariposa
cobre jardins
de um mistério profundo

há lágrimas no interior
de rochas calcárias
basta uma gota de chuva
para banhar a pétala

não é preciso morrer
para se alcançar
estado de graça
bem o sabe a libélula

Úrsula Avner

* poesia inspirada no poema " Uma didática da invenção " de Manoel de Barros

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

* Aborto *






Tela : Heuller Pinson


entre os soluços

da tarde

(a)fetos revirados

fetos do que seria

amor


sobre a mesa

um vaso de flor

um retrato desfigurado

em silente dor

alguma miudeza


no chão

de mármore

rio de incerteza


Úrsula Avner

domingo, 11 de abril de 2010

* Andrógina*

tela: Vendedora de flores
by : Diego Rivera


meu caminho é inverso
ao caminho das coisas
penso andar
na contramão do mundo
em mim repousa
mistério profundo

não sei se quero partir
não sei se me dou
se devo sorrir
se arrisco voo de condor

quisera ir
quisera voar
para bem distante da dor
sem rumo, sem ter onde chegar

se hoje sou silêncio
já fui estrondo
voz de cachoeira
se hoje me rendo
já mergulhei rio adentro
canto de lavadeira

Úrsula Avner

sábado, 27 de março de 2010

* Sede *

arte : I want to live ( eu quero viver )
By : Mel Gama

um rio seco

atravessa a garganta

o não dito

o mal dito

escoam

no suor da testa vincada

na espinha que abre a face

no pisca-pisca dos olhos

(mar)ejados

arejados de mar

de uma água

salgada e fria

de uma dor

que não se sabia

Úrsula Avner

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

* Germinação *


guardei
o que não era verbo
no fundo de um rio raso
veio enchente
rio transbordou
peixes saltaram
na vazante
agora
respiram poesia

Úrsula Avner


* imagem disponível no google- sem autoria informada

Olá queridos (as) amigos(as) , finalmente estou de volta !!!! Senti saudades...

Aos poucos visitarei cada um de vocês que sempre me honram e alegram com sua presença em meu cantinho. Beijos com carinho.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

* Pescaria *


Tela : Maggie Taylor

um peixe
olhou-me
olhos de esgrima

eu o persegui
rio abaixo
rio acima

estava o peixe
na vazante
solitário
na vida breve
do instante

desta vez
fui eu quem
lançou-lhe o olhar
de soslaio
em gesto silente

olhos de surpresa

o peixe assustou
morria o valente
á beira da represa

Úrsula Avner