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sábado, 14 de janeiro de 2012

Presença

imagem: Duy Huynh

contemplo hoje
da vida
nova face
nunca antes vista
e que jamais será
vista de novo

é preciso viver
cada momento como
um acontecimento essencial
tal qual
a queda de uma folha
o trajeto de uma lágrima
a agonia do sol no horizonte
ao fim de uma tarde avermelhada
que no dia seguinte
pode não se fartar de cor
e surgir domada
por um céu plúmbeo
em todo o seu vigor

Úrsula Avner

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

* Outro tom de crepúsculo*

imagem: Google


Chegaste
em canto de pássaro
doce sussurrante
leveza e mistério

nas asas
o amor
em camadas

sonho lampeja
no alto da serra
a tarde é andeja
cobre de ouro velho
a face da Terra

é hora de deitar
o desejo sobre
as entranhas
da serra

abraço rubro



Úrsula Avner

* para o meu amor

sábado, 13 de agosto de 2011

* sangria*

imagem: íris roxas
por :Pâmela Reis

silêncio é minha voz
sua voz é silêncio
ainda assim
fazemos alarde
meu corpo insulta
o verbo e arde
dentro do peito
cabem manhã e tarde
galopa sem freio o desejo
até a noite cobrir o céu
da cor de Marte

Seu olhar me traga
e ainda que você
traga
veludo ou espinhos
sou sangria
de todos os vinhos

Úrsula Avner

* ainda sobre a paixão...

domingo, 24 de julho de 2011

* lilás *

desenho: árvore do fim de tarde
por: Luiza Maciel Nogueira

já vejo estrelas
porto de anseios
como na Terra
em todos os seios
palpita um coração
entre luas
entre/meios
.
.
.

leva-me

secretamente
ao seio da noite
só lá sinto-me
em casa
cheiro de leite
nas narinas

é lilás
o fim de tarde

Úrsula Avner

sábado, 7 de maio de 2011

* Feito amor de mãe *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

horizonte aberto
á minha frente
braços robustos
escancarados
traz assombro
não é a amplitude
que me aflige
é o que ela esconde
contemplo o que
sobrou do sol
de manhã era conde
ao fim da tarde
servo sem dono
sem identidade
sem fonte
não sabe viver
sem o colo maternal
do horizonte

Úrsula Avner

sábado, 18 de setembro de 2010

*Janela aberta *

línguas vermelhas
serpenteiam arte

em céu de esplendor
saliva o fim de tarde

no horizonte fulvo
o sol ainda arde

tímido complacente
envelhece e parte

Úrsula Avner

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

* Aborto *






Tela : Heuller Pinson


entre os soluços

da tarde

(a)fetos revirados

fetos do que seria

amor


sobre a mesa

um vaso de flor

um retrato desfigurado

em silente dor

alguma miudeza


no chão

de mármore

rio de incerteza


Úrsula Avner

quarta-feira, 21 de abril de 2010

* Tédio *

arte : Mel Gama


enrolada
nos trapos da mesmice
olhava para si mesma
com ar de desdém
sem desejo de sorrir
ou de lacrimejar também
sentimento depois de revirado
desbotado entornado
se não muda
petrifica

o cair da tarde
evoca lembranças
de outras eras
no chão de pele escura
verte-se lágrimas de sangue
explosiva mistura

Úrsula Avner

terça-feira, 14 de julho de 2009

* Agoniza o dia *

Demasiado tarde
para sorver do sol
canção de estrela

Já se estendeu
em restolho de luz
colérico crepúsculo

Escarrou no céu
estrias em amarelo tostado

Noite veio em represália
resfriar e toldar
réstia de luz

Eclipse

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada do Google- desconheço a autoria