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sábado, 7 de maio de 2011

* Feito amor de mãe *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

horizonte aberto
á minha frente
braços robustos
escancarados
traz assombro
não é a amplitude
que me aflige
é o que ela esconde
contemplo o que
sobrou do sol
de manhã era conde
ao fim da tarde
servo sem dono
sem identidade
sem fonte
não sabe viver
sem o colo maternal
do horizonte

Úrsula Avner

sábado, 9 de abril de 2011

* emergente estação *

Fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

folha seca
tremula aflita
espera a passagem
do tempo
o colo celestial
o rito do vento

cai a chuva
impiedosa
renova a terra idosa

assim se desfaz o verão
respira o outono

Úrsula Avner

quinta-feira, 1 de julho de 2010

* Asas no azul *


arte : Freedom of my soul
by : Mel Gama
quando o mar abrir seu colo
deitar-me-ei em plácidas ondas
berço das vontades inquietas
dos desejos doudos
das palavras desertas

num ramo de flor
atei um pedido
raiz caule dor
do que não foi ouvido


Úrsula Avner

sábado, 12 de junho de 2010

* Trajetória de uma raça *


arte : Vino Morais

atravessou o tempo

certeiro como arpão

o grito da escravidão


sementes escondidas

em cabelos crespos

cairam no caminho

vontades sacudidas

fecundaram o solo

espalharam raízes


bebês buscaram o colo

das mães amortecidas

oprimidas

desiludidas

ecoou no vento

toque de tambor

buscou-se alento

em canções de dor


Úrsula Avner


* Vino Morais é artista plástico Angolano. Conheça outras obras dele clicando aqui

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

* Breve companhia *

Partiste
lépido sem despedida
do meu regaço fugiste
deixaste-me
solitário e triste
gotejando a dor da partida

Quisera aninhar-te
em meu colo
afagá-lo em minhas mãos
só mais um instante

contemplar o silêncio
de tuas asas
o pulsar galopante
do teu coração
sentir tua respiração
ofegante

Invejo tua liberdade
que em mostrar-me insiste
o quanto sou chão
em mim subsiste
a lembrança da tua canção
serena e incisiva
abaulando no peito
segredos inescrutáveis da vida


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* Imagem do google

terça-feira, 15 de setembro de 2009

* Incontinência *


lágrimas escorrem

como seiva do caule

gota a gota

salgam o oceano

levam dores e alegrias

no dorso de noites e dias


lágrimas escorrem

feito água de chuva

gota a gota

inundam o solo

fazem curva

cobrem do rio o colo


lágrimas escorrem

enquanto luzes dormem


Úrsula Avner


* imagem retirada do google- sem informação de autoria

* poema com registro de autoria