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quarta-feira, 4 de maio de 2011

* Canção que vem de dentro *

tela : aurora- Gabriela Boechat

encostei o ouvido
na parede do tempo
quis ficar lá
como quem marca
o assento
com o próprio suor
silhueta desenhada com sal
ouvi o sussurro
das conchas do mar
o lamento das ondas
impresso no olhar
do dia
do acaso
do sentimento

Úrsula Avner

quinta-feira, 1 de julho de 2010

* Asas no azul *


arte : Freedom of my soul
by : Mel Gama
quando o mar abrir seu colo
deitar-me-ei em plácidas ondas
berço das vontades inquietas
dos desejos doudos
das palavras desertas

num ramo de flor
atei um pedido
raiz caule dor
do que não foi ouvido


Úrsula Avner

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

* Átimo *




Florescimento


na voz insone do verbo


oculta flores em cimento


ápteras


lacônica existência


na porosidade da lágrima


desfolhada na aridez do dia


bulicoso estado do ser


intrépido modo de (sobre)viver




O silêncio das pedras


precisa bradar


vociferar o que está guardado


Estagnar pode ser sopro de vida


analgésico, entorpecente


o sal das ondas o sabem


em dias argênteos


ou em noites poluidas


do lacônico viver




Em vales e depressões


alojam-se águas límpidas


nas vísceras, rios vivos


chocalham peixes á margem


dos sonhos


dos desejos


dos arroubos




Bulício no íntimo


Silêncio !


As pedras podem despertar



Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

* Marítima *




No murmúrio das conchas busquei


algum ruído de mar


canção azul e distante


voz em guelras de peixe


ondas lançaram-se na areia


em estampido


lamento contumaz , convulsionado


revestida de sal

petrifiquei


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

* Amplitude *



verso invertido

revela de mim

o que da ferida

sabe o prurido


invento um mar

sem ondas

oceano aberto

do começo ao fim


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google

domingo, 8 de março de 2009

*Compasso da espera


Ando calejada
como as areias do mar
feridas pelas ondas
que desembocam na enseada
Placas de sal no coração
Rochas desgastadas
Erosão
Enquanto o tempo passa
dentro de mim
mar de lágrimas

( Úrsula Avner )


* imagem retirada da net
* poesia com registro de autoria