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sábado, 14 de janeiro de 2012

Presença

imagem: Duy Huynh

contemplo hoje
da vida
nova face
nunca antes vista
e que jamais será
vista de novo

é preciso viver
cada momento como
um acontecimento essencial
tal qual
a queda de uma folha
o trajeto de uma lágrima
a agonia do sol no horizonte
ao fim de uma tarde avermelhada
que no dia seguinte
pode não se fartar de cor
e surgir domada
por um céu plúmbeo
em todo o seu vigor

Úrsula Avner

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

* A vida de uma lágrima ( Rondel )


imagem : Gota
autora : Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo
gota de cristal transformada em magma
vulcaniza meu peito na busca do teu colo

precisa gota que brota da ânima
pequena pedra de sal que rola sem dolo
dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo

pesada e viscosa é a lágrima que cai
sentimento burilado na porosidade dos lamaçais
pensamento marejado a lubrificar meus ais
solitário momento na inquietude da alma
dos olhos escorrega uma lágrima

Úrsula Avner

* este poema foi escrito há anos e só agora resolvi postá-lo. Grata pela leitura e comentário.

domingo, 4 de abril de 2010

*Germinação*

quanto ao verso
que não compus
virou queixume de coisas
lágrima e pus
(es)correu nas narinas do tempo
perdeu-se no vão dos sentimentos


Faço versos
ao embalo de canção uterina
entendo ser essa a minha sina
ouço a melodia que vem das entranhas
voz de muitas águas que cantam
na noite e no dia
no riso e nas manhas


Úrsula Avner


* imagem do google

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

* Átimo *




Florescimento


na voz insone do verbo


oculta flores em cimento


ápteras


lacônica existência


na porosidade da lágrima


desfolhada na aridez do dia


bulicoso estado do ser


intrépido modo de (sobre)viver




O silêncio das pedras


precisa bradar


vociferar o que está guardado


Estagnar pode ser sopro de vida


analgésico, entorpecente


o sal das ondas o sabem


em dias argênteos


ou em noites poluidas


do lacônico viver




Em vales e depressões


alojam-se águas límpidas


nas vísceras, rios vivos


chocalham peixes á margem


dos sonhos


dos desejos


dos arroubos




Bulício no íntimo


Silêncio !


As pedras podem despertar



Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria