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sábado, 14 de janeiro de 2012

Presença

imagem: Duy Huynh

contemplo hoje
da vida
nova face
nunca antes vista
e que jamais será
vista de novo

é preciso viver
cada momento como
um acontecimento essencial
tal qual
a queda de uma folha
o trajeto de uma lágrima
a agonia do sol no horizonte
ao fim de uma tarde avermelhada
que no dia seguinte
pode não se fartar de cor
e surgir domada
por um céu plúmbeo
em todo o seu vigor

Úrsula Avner

domingo, 21 de agosto de 2011

*Escarlate *

imagem : Amanda Cass

pés outrora cimentados
não pisaram jardins abertos
olhos cerrados
não contemplaram
um céu escarlate
agonizando no peito

Quando você chegou
abriu-se manhã ensolarada
pés atirados ao vento
valsam com olhos chapiscantes
escarlate agora é
nossa teia de amor

Úrsula Avner


terça-feira, 16 de agosto de 2011

* Venha meu amado *

tela: Amanda Cass

Venha meu amado
adormecida
te espero
em nuvens prateadas
quero me achar
embevecida
em teu regaço
a ti aconchegada
lato brilho no olhar
holofote do amor

Venha meu amado
provarei do paladar do céu
como quem degusta um bom vinho
envolvida em carícias de fino linho

Venha amado meu
coberta estou por echarpe de seda
suave tecido fulgurante
em ti encontro aprazível vereda
sou tua mulher, amiga, amante

Úrsula Avner


* Para o meu amado que virá

quinta-feira, 26 de maio de 2011

* Intenso *

fonte da imagem : Google

despenque sobre minha cabeça
todo azul do céu
que me abrace o anil
o turqueza o petróleo
todos os tons de azul
todo azul em mil tons

fugiu do mar
do teu olhar
da tela do artista
o azul que não me sai da vista

Úrsula Avner

sexta-feira, 29 de abril de 2011

* Canção dos mistérios de ser *


tela : sun -rain ( sol-chuva)
por: Salma Shami

do deslumbre de ser
extrai-se o mel
e a folha amargosa
um pedaço de céu
o gosto acerbo da losna
o diário da rosa
frágil flor do desejo
doce e manca
ávida e pálida
entregue ao vigor do ensejo

do deslumbre de ser
evocam-se mistérios
que dançam na escuridão
em chão de névoa
não bailam em vão
há um ponto de luz
guia de cada coração

Úrsula Avner

sábado, 19 de março de 2011

* Coisas de alma poética *

gota de orvalho- Madu Lopes

se inventei de contar estrelas
é porque as elegi parceiras
no desenfreado desejo
de abraçar o céu
mistério cravado no íntimo

quisera retornar ao jardim original
desprovido de dor ou labor
a marca da falta
da ausência perene
cabe bem nos versos que invento
e eles conversam comigo

Úrsula Avner

* Freud que o diga...

quarta-feira, 16 de março de 2011

* Volúpia *

tela : follow your heart
by: Amanda Cass

margeia a tez
do desejo
como o predador
ronda sua caça
lá no útero
valsam estrelas
querem o céu
querem o mar
quando tudo
é volúpia
não há um só lugar
onde se possa aportar

Úrsula Avner

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

* Borboletrando *


Fonte da imagem : internet
Poema da querida amiga Wania em minha homenagem http://encantaventos.blogspot.com


Encasulo-me
[ Tessituras de mil pensamentos]
Fio a dor
Para cerzir as sedas
Das asas rotas
Descosturo-me
No avesso,
Ainda sou aquela borboleta
Que achava o céu pequeno

( Wania )


* querida amiga Wania, não resisti e postei o poema assim que o li... Agradeço de coração o belo poema tecido com tanta sensibilidade, carinho e habilidade poética. Bj na alma.

Úrsula Avner

domingo, 5 de dezembro de 2010

* Contemplação apenas *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

hoje posso
deitar na relva
olhos cravados no céu
como se nunca
o tivesse visto antes
queixo apontado para a lua
em volta
uma outra luz
entornada na rua
no vão dos umbrais
no vão dos desejos
seminua

Úrsula Avner

sábado, 30 de outubro de 2010

* Vida súbita *


imagem : Google- sem informação de autoria

saltou do casulo
seu útero de certezas
abriu as asas
como se desejasse
violar o azul do céu
aceitou o breve destino
partiu serena e ávida
até encontrar
o sono da noite
desencapado fio do silêncio

Úrsula Avner


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Foi bom demais !!!

Olá pessoal , ontem foi uma data muito significativa para as doze Marias, sobretudo para mim e para a Adriana Godoy, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente. O lançamento do nosso livro Maria Clara: UniVersos femininos, aqui em BH, foi um sucesso regado com deliciosos "comes" e "bebes" , alegria e muita música... Momento singular e inesquecível !

Um beijo a todos e todas que mesmo de longe estiveram presentes no evento, torcendo por nós !

Deixo-vos um poema de minha autoria e um da Adriana que constam do livro, para degustação dos queridos amigos, amigas e visitantes.


* quando acordei

peguei a noite com as mãos
de manhã
meus olhos eram duas estrelas

Adriana Godoy


* interior

imenso mar
guarda segredos
na praia
conchas falantes

Úrsula Avner


* Do improviso

Adriana foi ao céu
enquanto Úrsula foi ao mar

e apesar da distância
nunca estiveram tão perto...

Beijão Adriana !


Obs : atualizarei minhas visitas durante o feriado pois estarei absolutamente sem tempo até o final dessa semana. Bj.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

*A noite(s)cendo *

desenho : Azul escuro com um toque de laranja
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

num céu vazado
olhos de vaga-lume
se despedem do dia
correm o rio e o tempo
de mãos dadas
com a poesia
tão incisiva
no azul
no laranja
em Lara

Úrsula Avner

* poema inspirado na poesia- " Da cor de Lara " elaborada por Luiza Maciel Nogueira em homenagem à Lara Amaral do Teatro da Vida. Para ler a poesia clique aqui

* Singelo presente Lara !

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

* Celeste *

tela : Azul musical
de: Ana Luiza Kaminski

da palavra
retilínea ossuda
anoréxica
fria opaca
traço o verso mudo
quando escrevo sou
voz em guelras de peixe
o barulho que faço
é (sub)aquático
com desejo de céu


Úrsula Avner

sábado, 18 de setembro de 2010

*Janela aberta *

línguas vermelhas
serpenteiam arte

em céu de esplendor
saliva o fim de tarde

no horizonte fulvo
o sol ainda arde

tímido complacente
envelhece e parte

Úrsula Avner

sexta-feira, 25 de junho de 2010

* A palavra e o poeta *




consternada me via

soube que chorava

na sua (in)sanidade não se atrevia

a sair tresloucada


aguardava serena o momento certo

mergulhada em si mesma noite e dia

olhava-me com fervor bem de perto

mas era o silêncio seu guia


gotejava luz e minguava

tal qual estrela fria

e a lua no céu que acenava

no seu corpo o instante luzia


Ah bendita que chega de repente

junta-se a outras cúmplices e baila acalorada

na folha de papel respira contente

tece versos onde não cabe mais nada


Úrsula Avner


* imagem do google sem infomação de autoria

sexta-feira, 14 de maio de 2010

* Do que sei... *

quem me conhece riso
largo e ebúrneo
não sabe de mim
canto alagado
rio transbordante
embriagado

no jiló do que sou
há gotas de mel
danço com estrelas
na infnitude do que
se nomeia céu

salivo o desejo
tão almejado
cárcere de pedras
cintilantes
onírico chão
marmorizado


Úrsula Avner

* imagem do Google- sem informação de autoria

sexta-feira, 19 de março de 2010

* Projeção *




suntuosa é aquela nuvem

rajada de lilás

em céu azul anil

ensinua-se

cheia de trejeitos

move-se

vejo aqueles seios

rijos transparentes

duas tulipas imponentes

olhos ardentes

perscrutam meus pensamentos

debelam meu peito

oxigenam sentimentos


de repente

se desfaz lentamente

desaparece

nunca mais retornará

não da mesma forma

da forma que só eu a vi passar


mal dita nuvem

aparece

se oferece

meus sentidos aquece

depois simplesmente

me esquece


Úrsula Avner


* imagem do google

terça-feira, 16 de março de 2010

* Cópula em dobro *




imagem : Casal

autor: Lauri Blank
sol penetrou
lua garbosa

breve encontro crepuscular

feixes de luz saltitaram

- orgasmos múltiplos-

No céu

um arco-íris noturno

erótica paisagem

******//******


o lápis penetra a folha alva

vai desvirginando o vazio

um canto orgástico ecoa

palavras viris



Úrsula Avner

domingo, 28 de fevereiro de 2010

* Tapete de memórias *

arte: Mel Gama


menina sonha acordada
sonhos em pedrinhas de açucar
ilusão adocicada
pequenas gotas de cristal
tudo é infância afinal

nas memórias sobrevivem
a valsa das chamas na fogueira
o rosto abrasado da menina faceira
o baile multicolorido dos sons
o brilho da lua festeira
esparramado em muitos tons

céu estriado
tom laranja vitaminado
cor sem escrúpulo
crepúsculo
figuras espectrais surpreendem
na dança de formas que ascendem
no tapete das memórias
no palco das estórias


Úrsula Avner

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

* Por um instante *

grafite no céu
emudece estrelas falantes
corpo nu no túmulo
apregoa o vazio do instante
tempo parado no tempo
asas decepadas

No jardim
de súbito
um bem-te-vi
corta o silêncio

bem te vi
espiar meus desejos
por um vão insolente
daquele céu
em negrume esponjoso
condensado como mel
fluido e pegajoso


Úrsula Avner

* imagem disponível no google
* poema com registro de autoria