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sexta-feira, 20 de maio de 2011

* Anoitecendo* ( segundo canto)

tela: Duy Huynh

o corpo do dia
esticado
no varal dos olhos

se o orvalho
transcendesse
a gota
seria dilúvio
não caberia
em meus olhos
calejados de ver
a face do mundo
do mudo
do que é fundo
e não transborda

de longe
a noite espia

se estrelas cantassem
em coro afinado
embalariam meu
sono caloso
macerado
fadigado
amofinado

vem o clarão da noite
em pele fina
e ainda é dia

Úrsula Avner

domingo, 17 de abril de 2011

* Simplesmente azul *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

há um azul abstrato
que se deita na claridade
ora discreto cordato
ora repleto de vaidade

azul que lateja entre estrelas
sobeja no mar á luz do sol
azul da chama de muitas velas
da luz que emite o farol

o azul das veias constrange
em dias azulados de inverno
um olho azul petrifica o instante
o corpo azulado fica quente e terno

a pétala azul é poliglota
a geleira azul da montanha o sabe
o azul do jeans que desbota
cobre as águas em contornos de ave

a língua azulada saliva
o amor que ficou no azul
do tempo do breve momento
do vagão que leva hálito sedento

é azul a cor de dentro

Úrsula Avner

Caros(as) amigos (as) e visitantes, postei este poema no blog Maria Clara : Simplesmente Poesia há algum tempo atrás e embora não seja cruzeirense ( rs rs ), hoje senti vontade de postá-lo aqui. Desejo um dia e uma semana muito azul para todos e todas ! Um abraço terno.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

* crepúsculo de outras terras *


foto : Por do sol na chácara da minha irmã em Nova Veneza/GO

em terras distantes
corpo nu do sol estirado
entre nuvens suspira

em aveludadas retinas
espelho de uma cena singular
vibra respira

sol agonizando no horizonte

leva rio de desejos

imagem pespontada na memória
sela a magnitude do ensejo


Úrsula Avner

* este poema é dedicado á minha sobrinha Juliana que admira o crepúsculo assim como eu... Beijos Ju !
Queridos Carlos e Ângela, obrigada pelo privilégio de compartilhar da companhia de vocês naquela chácara tão linda.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

* Hibernação *

em cesto
de vime
colho golfadas de brisa
vozes de pássaros
são pegadas
no chão que se pisa

nem mesmo
manhãs ensolaradas
em céu azul realeza
escapam da lâmina

entre sulcos da ânima
há um fio cortante
vento de inverno

com pontos de agulha
in vento um terno
que me cobrirá
o corpo
mas não evitará
as estrias nos lábios
o abate morno

Úrsula Avner

* imagem extraída do Google- sem informação de autoria

domingo, 18 de julho de 2010

* Amplidão *

lanço as pernas ao ar

porque o chão é áspero

prende em placas de cimento

o que se quer deixar voar


levita ave azul do pensamento

leva em seu frágil corpo

a fugacidade do instante oco

o tártaro do sentimento


Úrsula Avner

* imagem retirada do google- sem informação de autoria

terça-feira, 11 de maio de 2010

* Relação pontual *

tela : casal
by : Francisco Paneca


no ponto de ônibus
encontro marcado

em ponto de bala
correm nossos olhos
corpo a corpo

nos contemplamos
ao som estrepitoso
da paixão
observamos
um ponto no céu

alinhavamos nossa união
em ponto-de-cruz
ao ponto de não desatar

em tal ponto da relação
não basta
um ponto de exclamação
ou de interrogação

a que ponto chegamos ?
Retornamos ao ponto de partida
até alcançarmos o ponto final
ou não


Úrsula Avner

quinta-feira, 1 de abril de 2010

* Crepúsculo particular ( Soneto)


O firmamento em cor púrpura rajado
se estende diante do meu olhar perplexo
como um fino véu retalhado
na memória postado em anexo

Pensamentos percorrem infindos lugares
levando-me para além do sinuoso horizonte
trazendo-me o desejo descrito em "Cantares"
tornando-me ébria por ter bebido de sua fonte

Quisera tocar seu corpo pela última vez
transitar pela sua pele acetinada, beijar sua tez
já me ausentei de toda sensatez

Mergulhei profusamente no rio da paixão
não me vejo pensando se há nisso alguma razão
só quero deixar fluir os robustos desejos do coração


Úrsula Avner

* Cantares- se refere a um dos livros das escrituras sagradas

* este é um dos primeiros sonetos que escrevi e hoje pensei em postá-lo... Obrigada por sua visita !

domingo, 14 de março de 2010

* Sempre Poesia *










Imagem : jóia em forma de borboleta com ouro amarelo, ouro branco, rubis e pérola-


Fonte: google


* esse texto poético leva o mesmo nome do blog e traz em seu bojo duas figuras poéticas que podem ser vistas no template do blog- borboletas e pérolas, que representam a liberdade, a delicadeza e transparência na criação poética, da forma como a concebo. É uma singela homenagem ao dia da poesia !



Abracei meus silêncios
como o mar (en)revolve as conchas
em seu corpo profundo e extenso
Entre pérolas e borboletas traço meus segredos
ora escancarados, ora ( nas entrelinhas) presos
Espaços vazios em mim falam mais que milhares de palavras.
Quando a poesia dança entre meus dedos
outro som algum se torna audível.
Palavras saltam da alma, do ventre, do peito...
do que é ou não crível.
Desatam-se os nós.
As pérolas cintilam
as borboletas, serenas, migram...


( de um canto a outro do meu ser ).



Úrsula Avner

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

* Assim *

tela : Frida Khalo


tenho um lado
que se esconde de mim
se faz de rogado
hoje aparece
de terno abotoado
amanhã
chega nu e desbotado

quando o desconforto
encontra pouso
brotoeja na pele
espinho no corpo
na alma
lodo pegajoso


Úrsula Avner

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

* Por um instante *

grafite no céu
emudece estrelas falantes
corpo nu no túmulo
apregoa o vazio do instante
tempo parado no tempo
asas decepadas

No jardim
de súbito
um bem-te-vi
corta o silêncio

bem te vi
espiar meus desejos
por um vão insolente
daquele céu
em negrume esponjoso
condensado como mel
fluido e pegajoso


Úrsula Avner

* imagem disponível no google
* poema com registro de autoria

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

* Na hora zero *

Na hora zero
não me fustigará
o sol do meio dia

não se inclinará
meu corpo
ao cansaço das horas

não verei
os vincos da dor
ou os espinhos da injustiça

não terei por companhia
sombras encarceradas

não ouvirei ruflar
algum tambor

a guerra é uma sucessão de erros
não sabe do contorcionismo da ostra

quando germina a pérola

na hora zero
nenhum movimento
somente o eco cavernoso
do insolvente silêncio

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem do Google

sábado, 19 de setembro de 2009

* Compasso da queda *

aquela folha caída
banida
nem sabe de si

nem sabe
que
eu
a
vi
cair

na lentidão da pluma
corpo leve
feito espuma
flutua(nte)
no rastro do instante


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem do Google-não foi informada a autoria

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

* Sono x Escrita *



Quando o bocejo vem

com ele um hálito de poesia

fio de navalha corre pelo corpo

retesa membros

cerra as janelas da alma

encerra o dia


ao solavanco de estrelas

desponta a noite

tão senhora de si

perscruta pensamentos

aprisiona em quarto escuro

versos que não desabrochei

adormecidos sob os olhares atentos

do que ainda não (desen) cantei


Úrsula Avner


* imagem do Google


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

* Pintura *


Agarrei as cores do arco-íris

tingi de azul pétala de flor

pincelei sobre o mar intenso verde

borrei de amarelo as montanhas

espalhei lilás sobre dunas

misturei as outras cores

alegrei escunas

matizei o mundo


Fiz minha própria aquarela

desvirginei meu sonho

no corpo nu de uma tela


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google- não foi informada a autoria da pintura

* Se não podemos colorir o mundo literalmente, que ao menos na imaginação e na poesia, possamos lhe dar cor, vida , brilho , com aquele toque especial de infantilidade que perpassa nosso ser quando sonhamos. Um abraço grande a todos que me visitam.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

* Significado *




Um poema diz

o que se propõe dizer

o que não pretendia

o que desconhece de si mesmo

corpo fechado

matéria propalada

nas entrelinhas

em versos alados

em melodia solfejada

em meio a flores de aço ou vinhas


o não dito é lido

por quem rumina o poema

em homeopáticas doses

fagocitose

vida em sobressalto


Um poema é salto

basta a si mesmo

não sabe que é frágil

leque aberto

ave de voo ágil

caminho incerto


Seguro um poema nas mãos

com luvas de seda

sorvo dele uma canção

deixo-o repousar sob a asa esquerda


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google imagens


OBS : escrevi este poema depois de ouvir alguém falar que ás vezes não entende o que o poema quer dizer. Um abraço carinhoso a todos que me visitam.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

* Paradoxo *


Se quero rosas vermelhas

tu me trazes pálidos crisântemos

se me recolho para olhar a mim mesma

do alto de minhas telhas

tu queres que eu remexa meus ânimos

que eu acenda minhas candeias

em mil centelhas


Queres que eu recolha minhas teias

fale pelos cotovelos

conte piadas

diga coisas engraçadas

que eu implore para ser amada


Se me exaspero

se liberto meus ais

se não sei se quero

tu clamas pelo silêncio

te recolhes mais


Se queres ler jornal

quero que me contemples

que não me vejas como ponto final

cuidas de olhar meu íntimo

mergulhado em exclamações

atolado em interrogações

repleto de interjeições


Se tu queres falar

quero que te cales

amordaças a tua boca

quero que toques meu corpo

com tua suavidade pouca

tua ardência louca


Se queres sorrir

quero um homem de sal

refeito em lágrimas

desejosas de parir

aquilo que se oculta em ti


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google


quinta-feira, 2 de julho de 2009

* Florescimento



Eu mulher

(tra) vestida de flores

em manhã primaveril


Traduzidos no corpo

esparramados na alma

jardins de Monet sob céu anil



Úrsula Avner



* poesia com registro de autoria

* Pintura de Alice Rabaça Gaspar F. Vaz - " Cara flores "

sábado, 20 de junho de 2009

* Fluir poético *




* Bailado *


Na entrada da casa
pássaros e flores de fuxico
acomodados
em guirlandas de cetim

explosão de cores
anúncio de boas novas
No meu tempo interno
borboletas dançam

* Visão *

Eu vi um homem de cera
um homem velho
fincado ao pé da colina
Eu vi um homem de cera velho
tempo derretido no solo

* Esquizofrenia *

Arrancou as calças no meio do salão
ninguém tinha notado sua presença
até então
Olhar distante
medo ambulante
colibri em cauda de pavão

* Canto aflito *

Espicha a noite
modelo sonhos
no esmeril da vida

Eis que espia o dia
Junto os espólios
do quem em mim desfacelou

* Profecia *

Passarinho defecou
no vidro da janela
"É sinal de sorte "
minha mãe dizia
Sorte ? Só se for para ela
Passarinho manchou
minha aquarela
Turvou mundo de sonhos
do outro lado da janela


* Haikai *


Mar azul canta
lança corpo na praia
mil rendas de sal


* poemas com registro de autoria
*imagem do Google

terça-feira, 9 de junho de 2009

* Sentimento flamejante *



Que me abrace a paixão desmedida
garbosa ave a plainar altiva
sobre o céu carmim do coração
Em versos jubilosos invento uma canção

Quero abrir o peito á flecha do arqueiro
cupido que vem em ritmo festeiro
ou surge entre as nuvens de um céu seresteiro

Que me abrace a paixão crepitante
labareda letal que envolve os amantes
Deixo-me arder em brasa viva
Foge o medo, o desejo fica

Entregue estou ao sentimento flamejante


Úrsula Avner

* Veja ao final da página o vídeo da poesia
publicado no You Tube


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

quinta-feira, 9 de abril de 2009

* Crisântemos vermelhos*



Aproximou-se de mim com serenidade
como um sopro de brisa primaveril
tocou minha face sem fazer alarde
acendeu em meu peito o pavio
tateou suas mãos orvalhadas
pelo meu corpo já cambaleante
sussurrou palavras de amor adornadas
com respiração ofegante
Chamou-me amada de minh´alma
envolveu-me em seus braços com surpreendente calma
lançou-me o olhar do desejo em estilhaços
refletido em espelhos do brilho aveludado
dos crisântemos vermelhos


* Úrsula Avner * ( Obrigada por sua visita ! )



* poesia com registro de autoria