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quinta-feira, 9 de junho de 2011

* O que emerge*

tela: Salvador Dali

no casco da noite
galopam sonhos
em cacos de vitral
porque não é inteiro
o que emerge do ser

poetizar é como delirar
sonho que se vive acordado
loucura que abraça o poeta
com ele dança em
passos de quem
nunca se cansa
á luz do dia ou
da madrugada
em qualquer ritmo
qualquer dança

Úrsula Avner

quinta-feira, 21 de abril de 2011

* o olho mais azul *

fonte da imagem : Google

antes que desbote
o sol no horizonte
a dança do mar
me captura
não sei como
nem onde
o mar se apossou
de mim
ou fui eu
que o engoli
mas a verdade
é mais do que vejo
o que enxergo
é somente lampejo
não há como decifrar
o indecifrável
se o mar me vem
como canção
discrimino poucos acordes
em notas minguadas assim
mas a melodia que ouço
jamais será fugaz em mim

Úrsula Avner

segunda-feira, 11 de abril de 2011

* Alma flamenca *

tela : danza del fuego- Carlos Carreteiro

passos absolutos
golpeiam o chão
chora a guitarra
...

Hoje estou no Maria Clara: Simplesmente Poesia- para continuar lendo o poema clique aqui

Obrigada por sua visita e carinho. Um abraço amigo.

Úrsula Avner

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

* A última dança *


riscavam o piso da sala
em passos certeiros
de um tango argentino
tantas vezes tocado
feito gaita de menino
acordes de um hino

o vinho esquentou nas taças
manchou de vermelho o chão
um beijo estralou vidraças
corpos e almas em união

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria

segunda-feira, 22 de março de 2010

* Vozes *




arte: Maggie Taylor


ouço passos

de dança

(com)passos

que a vida rege


ouço vozes

de anjos

de homens

de bichos

atrozes


sons do silêncio

se enroscam

nas paredes do tempo


ouço movimentos

folhas farfalham ao vento

águas que correm

regurgitam lamentos



Úrsula Avner

domingo, 14 de março de 2010

* Sempre Poesia *










Imagem : jóia em forma de borboleta com ouro amarelo, ouro branco, rubis e pérola-


Fonte: google


* esse texto poético leva o mesmo nome do blog e traz em seu bojo duas figuras poéticas que podem ser vistas no template do blog- borboletas e pérolas, que representam a liberdade, a delicadeza e transparência na criação poética, da forma como a concebo. É uma singela homenagem ao dia da poesia !



Abracei meus silêncios
como o mar (en)revolve as conchas
em seu corpo profundo e extenso
Entre pérolas e borboletas traço meus segredos
ora escancarados, ora ( nas entrelinhas) presos
Espaços vazios em mim falam mais que milhares de palavras.
Quando a poesia dança entre meus dedos
outro som algum se torna audível.
Palavras saltam da alma, do ventre, do peito...
do que é ou não crível.
Desatam-se os nós.
As pérolas cintilam
as borboletas, serenas, migram...


( de um canto a outro do meu ser ).



Úrsula Avner

domingo, 28 de fevereiro de 2010

* Tapete de memórias *

arte: Mel Gama


menina sonha acordada
sonhos em pedrinhas de açucar
ilusão adocicada
pequenas gotas de cristal
tudo é infância afinal

nas memórias sobrevivem
a valsa das chamas na fogueira
o rosto abrasado da menina faceira
o baile multicolorido dos sons
o brilho da lua festeira
esparramado em muitos tons

céu estriado
tom laranja vitaminado
cor sem escrúpulo
crepúsculo
figuras espectrais surpreendem
na dança de formas que ascendem
no tapete das memórias
no palco das estórias


Úrsula Avner

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

* Breve canção poética

borboleta taxeia
entre as flores do jardim
dança rodopia esperneia
alegre tonta em efusão

quem dera fosse um zangão
sem ansiedade

sem vida nevrálgica
sem rugas em breve idade

na sua euforia uterina
a borboleta goza em ebulição
vida breve e intensa
transformada em canção


Úrsula Avner

* imagem do google