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sábado, 25 de junho de 2011

* Um certo olhar*

fonte da imagem : Google

anda solto
um olhar acomodado
vaga pelas ruas e avenidas
olha mas não vê
passeia entre outros olhares
desa (di) vi sa dos
percorre praças e jardins
lugares sem guarida
portos pontes becos
sem fim sem saída
quer se desvencilhar
das correntes
se desgarrar
de dores pendentes
no dorso da cegueira forjada
cavalga intrépido o olhar
em longa jornada
vai levando na íris
um pouco de tudo
daquilo que acha que vê
daquilo que não quer ver
do que deixa de olhar
do que deseja perscrutar
do que teme contemplar

Úrsula Avner

quinta-feira, 21 de abril de 2011

* o olho mais azul *

fonte da imagem : Google

antes que desbote
o sol no horizonte
a dança do mar
me captura
não sei como
nem onde
o mar se apossou
de mim
ou fui eu
que o engoli
mas a verdade
é mais do que vejo
o que enxergo
é somente lampejo
não há como decifrar
o indecifrável
se o mar me vem
como canção
discrimino poucos acordes
em notas minguadas assim
mas a melodia que ouço
jamais será fugaz em mim

Úrsula Avner

quarta-feira, 14 de julho de 2010

* Quando me vejo *

tela : Olhando no espelho
autor : Marco Antônio

no suplício das horas
um resquício de sol
suspiro incontido vaga
entre colunas e paredes
espectro solar

Foge da luz
chama de vida
só na penumbra
encontra guarida
estou a salvo
de mim mesma
salvo quando
me olho no espelho
onde quase tudo
é claridade


Úrsula Avner

sexta-feira, 8 de maio de 2009

* Sala de espelhos *



Tantas vezes olhei para mim mesma

ainda olho

Olhar atento de quem busca o que é familiar

e encontra o inexplicável

Olhar enviesado de quem duvida de si mesma

e se depara com o inevitável

Do avesso me reviro

Chocalho de sentimentos

Balanço alvoroçado de emoções

alvejadas por complexos pensamentos

Não posso fugir de mim mesma

Espelhos internos e externos

cercam-me por todos os lados

nos meus espaços quadrados

Reflexo indelével

do que não posso deixar de contemplar

Sinal incontestável

do que cotidianamente

há de me acompanhar

Um olhar atônito atravessa o tempo

fica guardado no cristal dos espelhos

Vejo uma figura estranha

cujo processar é lento

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem pesquisada no Google- desconheço a autoria