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segunda-feira, 6 de junho de 2011

* Algum surrealismo*

tela: Salvador Dali

um dia
hei de escrever
canto de passarinhos
dor de borboletas
videiras que fermentam vinhos
sentimento sem letras
o que não se pode carregar sozinho

jasmim mangou de mim
não quis a sombra do jardim
tampouco o beijo do grafite
sobre a folha de papel carmim

quero o mundo ao avesso
se pudesse escrever flor
de outo jeito
seria assim
: ROLF

Úrsula Avner

sábado, 19 de março de 2011

* Coisas de alma poética *

gota de orvalho- Madu Lopes

se inventei de contar estrelas
é porque as elegi parceiras
no desenfreado desejo
de abraçar o céu
mistério cravado no íntimo

quisera retornar ao jardim original
desprovido de dor ou labor
a marca da falta
da ausência perene
cabe bem nos versos que invento
e eles conversam comigo

Úrsula Avner

* Freud que o diga...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

* tríade da liberdade *

a poesia
cabe em
qualquer lugar
quando ela pousou
no jardim
não coube
mais em mim
extravasou na dança solta
de três borboletas amarelas
contemplei o bailado singular
alegre dourado previsível
cena sem mancha ou sequelas
ensaio do amor
da simplicidade
rara beleza do que é crível


Úrsula Avner

Querida Ângela (minha irmã) , dedico esse poema a você por sua sensibilidade ao observar as borboletas amarelas no seu jardim e se lembrar de mim, da poesia... Você trouxe a inspiração e eu, alguma poesia... Bj com amor.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

* do que está velado *

desenho : jardim de luz
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


não sei
do mistério
da folha
da sombra
do vento

ao andar
entre esporas
do tempo
entendi de
perscrutar
o véu sobre
tua face
paradoxalmente
rijo e transparente

não te desvendei
te guardei segredo
jardim fechado
te tranquei
no silêncio
do almoxarifado

Úrsula Avner

quinta-feira, 10 de junho de 2010

* Para Clarice *

Bem que eu te disse
Clarice
há sonhos deitados
em relva orvalhada
escorre seiva do desejo

antes do amanhecer
um canto de estrela
o jardim florido

Vejo-te
reluzente e só

Úrsula Avner

* imagem do google sem informação de autoria

* homenagem singela á grande escritora Clarice Lispector

quinta-feira, 20 de maio de 2010

* Paisagismo*

no jardim
pau-ferro marmorizado
dita o tom

espadas-de-são-jorge
crescem em cachepôs
folhas rajadas


em ramos altos
do chapéu-de-sol
festejam orquídeas

flores de ipê
deitadas no chão
são estrelas

domesticada flora

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

* Breve canção poética

borboleta taxeia
entre as flores do jardim
dança rodopia esperneia
alegre tonta em efusão

quem dera fosse um zangão
sem ansiedade

sem vida nevrálgica
sem rugas em breve idade

na sua euforia uterina
a borboleta goza em ebulição
vida breve e intensa
transformada em canção


Úrsula Avner

* imagem do google

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

* Por um instante *

grafite no céu
emudece estrelas falantes
corpo nu no túmulo
apregoa o vazio do instante
tempo parado no tempo
asas decepadas

No jardim
de súbito
um bem-te-vi
corta o silêncio

bem te vi
espiar meus desejos
por um vão insolente
daquele céu
em negrume esponjoso
condensado como mel
fluido e pegajoso


Úrsula Avner

* imagem disponível no google
* poema com registro de autoria

terça-feira, 24 de novembro de 2009

* Nostalgia *



em vaso de barro
plantei bromélias
crescem sérias
orvalham saudades
do jardim

Úrsula Avner

*poema com registro de autoria
*imagem do google

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

* Soneto do retorno *



Na casa de todos os ventos
soprava um cântico de cor anil
envolto agora em trapos sedentos
do que em tempos idos sorriu

Um girassol reinava no jardim
absoluto em beleza e majestade
nas canções que se abriam em mim
havia o doce favo da liberdade

Sopravam ali copiosos ventos
cruzavam os cômodos em jactância
notas musicais de alegrias e lamentos

No balanço de velhos desejos sedentos
paira sereno o aroma da infância
persistem sol e lua de arejados tempos


Úrsula Avner


* imagem - retirada de dowloads.open4group.com

domingo, 28 de junho de 2009

* Série Poetrix *




Um pássaro solfeja

na minha janela

sonhos voam com ele


***//***


Incontido é o lamento da noite

lágrimas felpudas

regam o silêncio


***//***


Par de incansáveis sentinelas

são seus olhos a perscrutar

aquilo que se oculta em mim


***//***


Há flores no jardim

em meu coração

botões fechados


***//***


O sol tinge o céu

com seus dedos dourados

aquarela crepuscular


***//***


Na madrugada úmida

profundo silêncio

desejos insones


***//***


Sons atravessam a madrugada

onde sonhos trafegam

ecos da alma


* versos com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sábado, 20 de junho de 2009

* Fluir poético *




* Bailado *


Na entrada da casa
pássaros e flores de fuxico
acomodados
em guirlandas de cetim

explosão de cores
anúncio de boas novas
No meu tempo interno
borboletas dançam

* Visão *

Eu vi um homem de cera
um homem velho
fincado ao pé da colina
Eu vi um homem de cera velho
tempo derretido no solo

* Esquizofrenia *

Arrancou as calças no meio do salão
ninguém tinha notado sua presença
até então
Olhar distante
medo ambulante
colibri em cauda de pavão

* Canto aflito *

Espicha a noite
modelo sonhos
no esmeril da vida

Eis que espia o dia
Junto os espólios
do quem em mim desfacelou

* Profecia *

Passarinho defecou
no vidro da janela
"É sinal de sorte "
minha mãe dizia
Sorte ? Só se for para ela
Passarinho manchou
minha aquarela
Turvou mundo de sonhos
do outro lado da janela


* Haikai *


Mar azul canta
lança corpo na praia
mil rendas de sal


* poemas com registro de autoria
*imagem do Google

sábado, 16 de maio de 2009

* Ah se eu pudesse ...


Amanheci
se formou um vendaval em mim
Eu me perdi
como as folhas soltas no jardim
sonhos avulsos em mim
Serena, de novo adormeci
E me encontrei
quando vi teus olhos suspirei
Desejos mil
sobre um mar gigante eu deitei
Ah se eu pudesse
de novo dormir , sonhar...
Em teus braços despertar
Úrsula Avner
*poesia com registro de autoria

quarta-feira, 13 de maio de 2009

* Artífice do amor *



Ah quem me dera

ter asas como o beija-flor

artífice do amor

galante e intrépido sedutor

Ah se eu pudesse

voar como o beija-flor

levar em minhas asas

o perfume roubado da flor

Vai e vem o pequeno galanteador

sem compromisso ou demora

se embrenha no jardim de variada flora

voa até ser noite e de novo , aurora

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* esta poesia é composta por tres quartetos- não consegui fazer a divisão necessária por problemas no computador.

sábado, 18 de abril de 2009

* Sentinela dos sonhos *



Há sonhos alvejados de um briho celestial
em que espocam desejos na plenitude do cristal
Vez por outra, um anjo acampa nas trilhas
dos pensamentos engomados de luz
onde uma estrela de mil pontas reluz

O anjo recolhe desejos em formato de flor
envasa deles, o aroma, a cor e o sabor
Desenha um jardim no véu nebuloso dos sonhos
ornados com as pétalas do verdadeiro amor

Sereno, o anjo espalha as sementes
na terra misteriosa e fecunda de cada coração
Somente os sensíveis seres viventes
não querem despertar do sonho celestial
onde o anjo continua a entoar uma sublime canção
suave melodia sem igual


* Úrsula Avner * ( http://www.ursulaavner.com/ )

dica: leia o poema ouvindo a música "Angels" da Enya- tecle "play" no ipod ao lado- música 2

* poema com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

sábado, 4 de abril de 2009

* Sonhos voam da janela *



Sonhos escaparam de mim
voaram da borda da janela
onde me debruço todas as tardes

Vagaram por entre as flores do jardim
se misturaram ás cores da aquarela
em vívida flora onde se espelham minhas vontades

Voam os sonhos sem pouso certo
fazem do céu seu campo aberto
ora estão distantes, ora estão por perto


* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

* Jardim do encontro *


Em meu jardim encantado
encontro você
Quisera em meu livro repaginado
te reescrever
Em meu fúlgido pensamento
te esquecer
Quisera em meu insensato coração
te esconder
sufocar minha emoção
até de vista te perder

* Úrsula Avner *

* imagem retirada da net / poesia com registro de autoria