em fio de luz repousa a liberdade um fio de esperança inunda o desejo fio de água corre dos olhos transforma o quase verde em azul mistério borrões fio de vida
porque me ignorou o sol peguei carona com a lua andei doidivana fui Maria Clara, Celina, Ivana já nem sei quem sou estranha vida mundana
não há vírgula entre o bem e o mal entre a loucura e a lucidez sequer um hifen ou ponto final
quando bebo do mesmo azul de que se valem os pássaros o que é vida tardia desagua em riso frouxo quase alucinado onde só se vê poesia e a onipotente lua plainando sobre água fria
Na entrada da casa pássaros e flores de fuxico acomodados em guirlandas de cetim explosão de cores anúncio de boas novas No meu tempo interno borboletas dançam
* Visão *
Eu vi um homem de cera um homem velho fincado ao pé da colina Eu vi um homem de cera velho tempo derretido no solo
* Esquizofrenia *
Arrancou as calças no meio do salão ninguém tinha notado sua presença até então Olhar distante medo ambulante colibri em cauda de pavão
* Canto aflito *
Espicha a noite modelo sonhos no esmeril da vida
Eis que espia o dia Junto os espólios do quem em mim desfacelou
* Profecia *
Passarinho defecou no vidro da janela "É sinal de sorte " minha mãe dizia Sorte ? Só se for para ela Passarinho manchou minha aquarela Turvou mundo de sonhos do outro lado da janela
* Haikai *
Mar azul canta lança corpo na praia mil rendas de sal
* poemas com registro de autoria *imagem do Google
Quisera enxergar na parede apenas aquele ponto mal esboçado quase invisível, ali prostrado imóvel, imperceptível Quisera aquietar meu coração na certeza do que não vejo do que é crível de uma teimosa esperança acalentada pelo tempo irremovível esparramada na parede Do outro lado uma cratera profunda Não há rede só uma base funda
Quisera viver como os pássaros completamente dependentes do Seu criador Não plantam , não colhem todavia, não lhes falta alimento nem alento Não se perdem em lamento não choram de dor não conhecem o amor não sabem de si senão o que vivem a cada preciso e indecifrável momento