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quarta-feira, 27 de maio de 2009

* Desejo de ser pássaro *



Quisera enxergar na parede
apenas aquele ponto mal esboçado
quase invisível, ali prostrado
imóvel, imperceptível

Quisera aquietar meu coração
na certeza do que não vejo
do que é crível
de uma teimosa esperança
acalentada pelo tempo
irremovível
esparramada na parede

Do outro lado
uma cratera profunda
Não há rede
só uma base funda

Quisera viver como os pássaros
completamente dependentes
do Seu criador
Não plantam , não colhem
todavia, não lhes falta alimento nem alento
Não se perdem em lamento
não choram de dor
não conhecem o amor
não sabem de si senão o que vivem
a cada preciso e indecifrável momento


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

segunda-feira, 11 de maio de 2009

* Chove em todo lugar *



A chuva cobre

em lamento incontido

a face da vidraça



Em gotas felpudas a chuva escorre

do olhar nublado e abatido
inunda o chão da praça


A chuva se deita lépida e faceira

nas ruas da cidade inteira


Se derrama a chuva sem piedade

no solo dos pensamentos, na tez da saudade


Úrsula Avner



* poesia com registro de autoria


* imagem retirada de pesquisa no Google-desconheço a autoria

sexta-feira, 24 de abril de 2009

* Pouso certo *



Uma delicada borboleta
encontrou pouso na minha mão
parecia dizer-me : " abra seu coração "
Preciso buscar a palavra certa

Secou o rio das paixões desvairadas
Hoje, transita em mim o amor sereno
o sentimento calçado de um brilho ameno
sem palavras que borbulham impensadas

Trago no coração a palavra almejada
busco no lamento do meu ser abissal
a vida adormecida no silencio do cristal
A borboleta ? Permanece em minha mão (re) pousada

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google- desconheço a autoria

terça-feira, 21 de abril de 2009

* Palavras poéticas *



Componho versos com simplicidade
Não almejo o rebuscamento das palavras
que emergem sem viço
como pele seca, flor desbotada
sem a saliencia do riso
ausentes da vivacidade

Componho versos
em vida penetrada pela poesia
em solo aberto e fecundo a cada dia
oscilando entre as areias e os oasis
dos meus desertos

O que importa que digam
"seus versos são simples"
A simplicidade é o adubo da vida
vida livre das correntes dos códigos
essencia inscrita nas tábuas da lei
do meu coração asfaltado
daquilo que eu sei
dos sentimentos diversificados
pela poesia viscejados

Em respiração arpejada
com os olhos marejados de strass
solfejo palavas poéticas em nuvem prateada
onde por fim, qualquer lamento jaz

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* conheça o meu blog de poesias infantis- Gotinhas de poesia e o site - A alma da poesia ( na lista de links)
Obrigada pelo carinho da sua visita !