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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

* dentro *

tela a óleo: noite branca
autor: Kazuo Wakabayashi

quando no leito
coração disparado
mente desperta
verso despudorado

não se aquieta
longínqua memória
badaladas de um velho sino
som retumbante e fino
salta das veias da estória

Úrsula Avner

terça-feira, 9 de novembro de 2010

* do que é surreal *

quero do tempo
o instante
nada mais

o ponto
é degrau
para mais
um ponto
e assim
se instaura
um conto

congelo imagens
da espuma removo
a transparência
da bruma, a essência

das minhas viagens
esquartejada memória
goteja estrelas frias
sóis encarcerados
telas ainda vazias

Úrsula Avner


domingo, 28 de fevereiro de 2010

* Tapete de memórias *

arte: Mel Gama


menina sonha acordada
sonhos em pedrinhas de açucar
ilusão adocicada
pequenas gotas de cristal
tudo é infância afinal

nas memórias sobrevivem
a valsa das chamas na fogueira
o rosto abrasado da menina faceira
o baile multicolorido dos sons
o brilho da lua festeira
esparramado em muitos tons

céu estriado
tom laranja vitaminado
cor sem escrúpulo
crepúsculo
figuras espectrais surpreendem
na dança de formas que ascendem
no tapete das memórias
no palco das estórias


Úrsula Avner

domingo, 27 de dezembro de 2009

* De volta á velha casa ( Soneto)


tela : Benedito Calixto



Mãos deslizam sobre o velho teclado

desnudam tons graves e agudos

memórias saltam do passado

descarilam fantasmas mudos


a pele do tronco do carvalho

se dissolve na saliva do vento

tulipas anelam chuva de orvalho

a secura da ausência debela o tempo


portas e janelas agora ventiladas

são caminhos de uma nova passagem

discreto eflúvio corre na casa da vila


no limbo das emoções surtadas

momentos empoeirados renascem

cada canto da casa de novo cintila



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

quinta-feira, 9 de julho de 2009

* O suor do poema *




Nos escorregadores da memória

pensamentos deslizam

querem transmutar

palavras se aninham

tecem estórias


O poema transpira

alguns tímidos versos

extravasam emoções pelos poros

Ofegante o poema respira

pétalas frescas são colhidas

por um anjo azulado

no chão do pensamento orvalhado


Nos sulcos profundos da alma

sentimentos falam mais que mil palavras

ouso tracejar algumas linhas

letras mal esboçadas

na folha que almeja pelo poema inteiro



Versos me escapam

como filetes de água

escorrem entre os dedos

umedecem as paredes dos desejos



Persiste o sonho do poema

em brocal bordado

do verso pulsante

despudorado

do verso ainda não plantado

ausente da vida uterina

tão efusivamente sonhado

semeado para germinar

cumprir sua sina



Poema

te quero em versos impensados

que me venham como larvas vulcânicas

cuspidas no destino da folha



Te quero lacrimejante

como quem verte lágrimas de pus

brotoejas na alma das palavras

Te vejo como chamas flamejantes

em versos nus

que ardem a dor

das vontades aprisionadas



Úrsula Avner



* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

terça-feira, 23 de junho de 2009

* Que venha o silêncio *



Há momentos

dentro de mim

que emergem como um frêmito

numa avidez visceral

buscam a causa

de meus suspiros, ais e desalentos



Preciso ficar a sós com meus pensamentos

estancar a lamúria dos sons

revolver nos guardados da memória

deletos momentos

trancá-los á chave

preservar o brilho dos tons



Hoje, o novo me assusta

é tormento

o que é surpreendente me repele

é aflito

Quero apenas no eco dos pensamentos

cada preciso instante vivido

as mesmas reflexões em novos movimentos



Úrsula Avner



* poema com registro de autoria


* imagem retirada do Google- desconheço a autoria

terça-feira, 17 de março de 2009

* A moça espia da janela *



A moça espia da janela
espia ao longe
como quem contempla numa tela
o galante e sorridente rouxinol
que namora as flores fincadas na terra do quintal

Espia no vão das lembranças
que saltam como um cardume
de peixes graudos
na rede do pescador

São tantas andanças
que emergem da palidez ao lume
em olhos vivos ou sorrisos mudos
no lugar compartilhado da dor e do amor

No céu pálido da memória
as recordações se amotinam
formam uma encadeada estória
singulares momentos que se aglutinam

A moça espia da janela
o tempo em suas facetas
o instante regado de luz ou o cinzento temporal
o ballet harmonioso das borboletas
o dia e a noite, nas trilhas do bem e do mal

* Úrsula Avner *

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no google