
A moça espia da janela
espia ao longe
como quem contempla numa tela
o galante e sorridente rouxinol
que namora as flores fincadas na terra do quintal
Espia no vão das lembranças
que saltam como um cardume
de peixes graudos
na rede do pescador
São tantas andanças
que emergem da palidez ao lume
em olhos vivos ou sorrisos mudos
no lugar compartilhado da dor e do amor
No céu pálido da memória
as recordações se amotinam
formam uma encadeada estória
singulares momentos que se aglutinam
A moça espia da janela
o tempo em suas facetas
o instante regado de luz ou o cinzento temporal
o ballet harmonioso das borboletas
o dia e a noite, nas trilhas do bem e do mal
* Úrsula Avner *
* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no google