Mostrando postagens com marcador caminho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador caminho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de maio de 2011

* sem medida *

escrever é caminho
sem volta
beco sem saída
onda desmaiada na areia
sem socorro sem guarida
falo do que me encanta
e do que me assombra
mas o que me assombra
também me encanta
na linha paradoxal
dos sentimentos
nascem os poemas
ávidos sedentos
cenas obscenas
desabafos lamentos
cacos fragmentos
implacáveis dilemas

Úrsula Avner

" escrever é uma pedra lançada no poço fundo" ( Clarice Lispector)

sábado, 12 de junho de 2010

* Trajetória de uma raça *


arte : Vino Morais

atravessou o tempo

certeiro como arpão

o grito da escravidão


sementes escondidas

em cabelos crespos

cairam no caminho

vontades sacudidas

fecundaram o solo

espalharam raízes


bebês buscaram o colo

das mães amortecidas

oprimidas

desiludidas

ecoou no vento

toque de tambor

buscou-se alento

em canções de dor


Úrsula Avner


* Vino Morais é artista plástico Angolano. Conheça outras obras dele clicando aqui

quinta-feira, 6 de maio de 2010

* (re)nascimento*


quando perder o viço
a pele das palavras
há de se encontrar
nas rugas
versos adormecidos
acordes de lira
novo percurso
em alarido
nova morada

o que era sonho apalpei
no largo do caminho
das flores soube
o perfume e o espinho
é tarde e a primavera
já passou
molda novo sorriso
a presente estação


Úrsula Avner

domingo, 11 de abril de 2010

* Andrógina*

tela: Vendedora de flores
by : Diego Rivera


meu caminho é inverso
ao caminho das coisas
penso andar
na contramão do mundo
em mim repousa
mistério profundo

não sei se quero partir
não sei se me dou
se devo sorrir
se arrisco voo de condor

quisera ir
quisera voar
para bem distante da dor
sem rumo, sem ter onde chegar

se hoje sou silêncio
já fui estrondo
voz de cachoeira
se hoje me rendo
já mergulhei rio adentro
canto de lavadeira

Úrsula Avner

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

* dobradinha poética *


* Luzes

aglomeram-se


feito vaga-lumes


a cidade dorme


porém elas ...


são sentinelas


espiam segredos


por entre os cumes



* Silêncio


palavra veio


pousou de mansinho


não quis repousar


seguiu caminho


virou borboleta


em outro lugar



Úrsula Avner


*imagem do Google


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

* Guerreira *




brava rosa

(des)brava caminho

á beira do asfalto

chapiscado de vinho


passa carro

passa gente

o vento passa

a rosa resiste


cresce mato

vem enchente

o tempo passa

a rosa insiste


brada a rosa



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google

terça-feira, 18 de agosto de 2009

* Significado *




Um poema diz

o que se propõe dizer

o que não pretendia

o que desconhece de si mesmo

corpo fechado

matéria propalada

nas entrelinhas

em versos alados

em melodia solfejada

em meio a flores de aço ou vinhas


o não dito é lido

por quem rumina o poema

em homeopáticas doses

fagocitose

vida em sobressalto


Um poema é salto

basta a si mesmo

não sabe que é frágil

leque aberto

ave de voo ágil

caminho incerto


Seguro um poema nas mãos

com luvas de seda

sorvo dele uma canção

deixo-o repousar sob a asa esquerda


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google imagens


OBS : escrevi este poema depois de ouvir alguém falar que ás vezes não entende o que o poema quer dizer. Um abraço carinhoso a todos que me visitam.