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segunda-feira, 23 de maio de 2011

* sem medida *

escrever é caminho
sem volta
beco sem saída
onda desmaiada na areia
sem socorro sem guarida
falo do que me encanta
e do que me assombra
mas o que me assombra
também me encanta
na linha paradoxal
dos sentimentos
nascem os poemas
ávidos sedentos
cenas obscenas
desabafos lamentos
cacos fragmentos
implacáveis dilemas

Úrsula Avner

" escrever é uma pedra lançada no poço fundo" ( Clarice Lispector)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

* (des)vario *

tela: Duy Huynh

no desvario do tempo
vario feito onda
lançada na areia
sua eterna
morada

o dia vira
feito página avulsa
vem a noite ao som da lira
página em branco
aluada

desvairada é a canção
da vida empoçada
presa no silêncio de cactos
em paisagens inertes
entornada

Úrsula Avner

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

* ( haja ) luz*

tela a óleo: Lua de outono
autora : Nádia Poltosi

abriu-se a lua
a engolir o dia
a ferir de morte
o que entardecer seria
não há luz
intolerável
há luz
não palpável
esquecida como
conchas na areia
úmidas do vômito do mar
lembradas num canto de sereia

Úrsula Avner

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

* Marítima *




No murmúrio das conchas busquei


algum ruído de mar


canção azul e distante


voz em guelras de peixe


ondas lançaram-se na areia


em estampido


lamento contumaz , convulsionado


revestida de sal

petrifiquei


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

quinta-feira, 25 de junho de 2009

* Canto profundo *






Rendas de sal


que o mar regurgita na areia


trazem musgos e nostalgia


Melodiosa canção irrompe das conchas


que adornam os cabelos da sereia


canto profundo em melancolia


Uma estrela do mar aporta na praia


vem avisar que o oceano passa mal


devolve aos poucos tudo o que deglutiu


musgos, dejetos, desejos e o sal...



Úrsula Avner


*poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google