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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

* Herança *

penso que primeiro
meus pés vieram ao mundo
depois o corpo rompeu
o velcro profundo
que me mantinha aconchegada
ás entranhas maternas
desapegada
de quaisquer coisas dessa Terra

talvez por isso eu goste tanto
de pisar o chão ou de sair dele
em passos leves como os da bailarina
num caminhar desafrouxado
beirando o mar que me fascina

toco pedregulhos e algas
com as pontas dos dedos
na carícia da areia úmida
recolho conchas com seus segredos

depois que eu nasci
com o tempo percebi
que a tez pregueada e os vincos profundos
foram herança materna
o sorriso encurralado ao canto dos olhos fundos
foi legado paterno

meus pés amam o chão
também repousam neles
asas lubrificadas
com o óleo fresco da imaginação
com a indescritível essência da emoção

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria
* poema escrito em Agosto de 2008

quinta-feira, 6 de maio de 2010

* (re)nascimento*


quando perder o viço
a pele das palavras
há de se encontrar
nas rugas
versos adormecidos
acordes de lira
novo percurso
em alarido
nova morada

o que era sonho apalpei
no largo do caminho
das flores soube
o perfume e o espinho
é tarde e a primavera
já passou
molda novo sorriso
a presente estação


Úrsula Avner

terça-feira, 30 de junho de 2009

* Fluir Poético II *




Amor crepuscular


Moça bonita na janela

espia o fim de tarde

sol arregala os olhos

pinta um sorriso nas cores da aquarela

ilumina o rosto da beldade


*****//*****


Tempo interno


Sentiu uma fisgada

peso do mundo nas costas

sobrancelha arqueada

joelhos trôpegos

Lá fora

ainda não despontou o dia

Cá dentro

manhã despida de sol


*****//*****


Pisaduras


(Co) medi meus passos

(re) contei os dias

os que vivi

e os que ainda nem sabem de mim



*****//*****


Haikai


Nas avenidas

cotovelos se chocam

trafegam sonhos


***** //*****


Profecia auto-cumprida


Na mão espalmada

linhas curvas

traçaram seu destino

Vai ter vida de anjo

anjo torto

Não vai tocar flauta nem banjo

vai labutar


*****//*****


No jardim


Colibri cantou

nas hortências ovulantes do jardim

colibri pousou

Namoro acalorado á luz do dia

Enquanto as flores viscejam

colibri pia


***** // *****


Úrsula Avner


poesias com registro de autoria

imagem retirada de pesquisa feita no Google