Na hora zeronão me fustigará
o sol do meio dia
não se inclinará
meu corpo
ao cansaço das horas
não verei
os vincos da dor
ou os espinhos da injustiça
não terei por companhia
sombras encarceradas
não ouvirei ruflar
algum tambor
a guerra é uma sucessão de erros
não sabe do contorcionismo da ostra
quando germina a pérola
na hora zero
nenhum movimento
somente o eco cavernoso
do insolvente silêncio
Úrsula Avner
* poema com registro de autoria
* imagem do Google