recolhi minhas asasas guardei no baú
onde vivem teias amorfas
as cobri com a leveza da seda
com o veludo de pétalas de rosas
(hoje) sou pássaro ferido
insensivelmente abatido
vaso de barro trincado
em pedra fria esculpido
quero voar novamente
levar em minhas asas
alguma semente
de esperança, de amor
vida em botão de flor
quero arejar em minhas asas
antigos versos rimados
sentimentos alados
poesia cantada solfejada
decido abrir o baú
tapar as narinas
ao cheiro acre
do bolorento destino
quero remover o lacre
ouvir o badalar do sino
permito que o oleiro
repare o vaso
conserte as asas quebradas
encontro novas moradas
sou de novo
fluidez em poesia
em versos ritmados
em rimas cantadas
Úrsula Avner
* esse poema foi um dos primeiros que compus e é dedicado á talentosa e querida amiga Glória Salles
* imagem do google- desconheço a autoria