sexta-feira, 30 de outubro de 2009

* Pescaria *


Tela : Maggie Taylor

um peixe
olhou-me
olhos de esgrima

eu o persegui
rio abaixo
rio acima

estava o peixe
na vazante
solitário
na vida breve
do instante

desta vez
fui eu quem
lançou-lhe o olhar
de soslaio
em gesto silente

olhos de surpresa

o peixe assustou
morria o valente
á beira da represa

Úrsula Avner

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

* Crisálida *



asas (con)torcidas

dentes presos no abismo

rebuliço no íntimo

partiu com dores de parto

mas partiu

drapeja ébria entre as flores


Úrsula Avner


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

* Vivo *

à flor da pele
( vincada )
á flor do riso
( alucinado)
á flor do toque
( desalmado)

na pele da escrita
no riso da pena
no toque da poesia

noite e dia

Úrsula Avner

* imagem do Google- sem informação de autoria

sábado, 24 de outubro de 2009

* Apneia *


pintura : Marta Ferreira


Amei a plenos pulmões

abri o peito á flecha

do cupido

anjo sem juizo

levado ao sabor do desejo

lancei-me feito rojão

no tempo (in)certo do ensejo

explodi a varejo

Ufa !

Faltou- me o ar


Úrsula Avner

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

* Vozes na escuridão *



Quando a noite repousa
estrela despenca do céu
queda bruta

borboleta corre
ébria e nua
absoluta

coruja pia
lamento de quem vigia
o sono da noite


Úrsula Avner

* imagem do Google- sem informação de autoria

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

* Convite *




Caros (as) visitantes, hoje tem poema de minha autoria postado no Maria Clara simples mente poesia. Convido -os (as) a descobrirem o motivo da imagem acima ter sido postada, clikando aqui : http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/

Um abraço afetuoso a todos e obrigada pelo carinho !

Úrsula Avner

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

* Átimo *




Florescimento


na voz insone do verbo


oculta flores em cimento


ápteras


lacônica existência


na porosidade da lágrima


desfolhada na aridez do dia


bulicoso estado do ser


intrépido modo de (sobre)viver




O silêncio das pedras


precisa bradar


vociferar o que está guardado


Estagnar pode ser sopro de vida


analgésico, entorpecente


o sal das ondas o sabem


em dias argênteos


ou em noites poluidas


do lacônico viver




Em vales e depressões


alojam-se águas límpidas


nas vísceras, rios vivos


chocalham peixes á margem


dos sonhos


dos desejos


dos arroubos




Bulício no íntimo


Silêncio !


As pedras podem despertar



Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria