sábado, 19 de setembro de 2009

* Compasso da queda *

aquela folha caída
banida
nem sabe de si

nem sabe
que
eu
a
vi
cair

na lentidão da pluma
corpo leve
feito espuma
flutua(nte)
no rastro do instante


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem do Google-não foi informada a autoria

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

* A poesia ] mar aberto [ de Úrsula Avner


Hoje , a querida , talentosa e sensível poetisa, professora e amiga Hercília Fernandes elaborou uma rica apreciação literária sobre o meu trabalho poético no blog NOVIDADES & VELHARIAS onde ela homenageia várias poetisas e poetas da blogosfera. Deixo aqui o convite para que visitem o blog . Obrigada pelo carinho de sua presença em meu cantinho e comentário.

http://novidadesevelharias-fernandeshercilia.blogspot.com/

terça-feira, 15 de setembro de 2009

* Incontinência *


lágrimas escorrem

como seiva do caule

gota a gota

salgam o oceano

levam dores e alegrias

no dorso de noites e dias


lágrimas escorrem

feito água de chuva

gota a gota

inundam o solo

fazem curva

cobrem do rio o colo


lágrimas escorrem

enquanto luzes dormem


Úrsula Avner


* imagem retirada do google- sem informação de autoria

* poema com registro de autoria

domingo, 13 de setembro de 2009

* Auto-observação *


Se enrijeço

não mais me (te) vejo

sob o regaço da sombra

adormeço

onde nada se altera

plácida voz da repetição

na fugacidade do tempo

que ruge como fera


Se oscilo

não aconteço

não me concretizo

transito do fim ao começo

Emudeço

no útero da vida

no cárcere do desejo


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

imagem do Google- Tela de Seurat, 1883 - " Camponesa sentada na grama "

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

* Sono x Escrita *



Quando o bocejo vem

com ele um hálito de poesia

fio de navalha corre pelo corpo

retesa membros

cerra as janelas da alma

encerra o dia


ao solavanco de estrelas

desponta a noite

tão senhora de si

perscruta pensamentos

aprisiona em quarto escuro

versos que não desabrochei

adormecidos sob os olhares atentos

do que ainda não (desen) cantei


Úrsula Avner


* imagem do Google


domingo, 6 de setembro de 2009

* Silêncio poético *

É no murmúrio da noite
que avança o mistério

no silente quarto fechado
no céu apagado

na mata desvirginada
na dor embutida

borboleta parou
imóvel ficou
como se fosse
proibido dançar

Qual nada ! ( tola borboleta)
na noite quem faz barulho
é quem não sabe voar

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

* Brev idade *




Breve vida

breve idade

breve querer

breve voz


Na brevidade dos dias

são breves os anseios

não me alimento de sonhos

só de brevidade


Úrsula Avner
* poema com registro de autoria