quarta-feira, 13 de maio de 2009

* Artífice do amor *



Ah quem me dera

ter asas como o beija-flor

artífice do amor

galante e intrépido sedutor

Ah se eu pudesse

voar como o beija-flor

levar em minhas asas

o perfume roubado da flor

Vai e vem o pequeno galanteador

sem compromisso ou demora

se embrenha no jardim de variada flora

voa até ser noite e de novo , aurora

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* esta poesia é composta por tres quartetos- não consegui fazer a divisão necessária por problemas no computador.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

* Chove em todo lugar *



A chuva cobre

em lamento incontido

a face da vidraça



Em gotas felpudas a chuva escorre

do olhar nublado e abatido
inunda o chão da praça


A chuva se deita lépida e faceira

nas ruas da cidade inteira


Se derrama a chuva sem piedade

no solo dos pensamentos, na tez da saudade


Úrsula Avner



* poesia com registro de autoria


* imagem retirada de pesquisa no Google-desconheço a autoria

sexta-feira, 8 de maio de 2009

* Sala de espelhos *



Tantas vezes olhei para mim mesma

ainda olho

Olhar atento de quem busca o que é familiar

e encontra o inexplicável

Olhar enviesado de quem duvida de si mesma

e se depara com o inevitável

Do avesso me reviro

Chocalho de sentimentos

Balanço alvoroçado de emoções

alvejadas por complexos pensamentos

Não posso fugir de mim mesma

Espelhos internos e externos

cercam-me por todos os lados

nos meus espaços quadrados

Reflexo indelével

do que não posso deixar de contemplar

Sinal incontestável

do que cotidianamente

há de me acompanhar

Um olhar atônito atravessa o tempo

fica guardado no cristal dos espelhos

Vejo uma figura estranha

cujo processar é lento

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem pesquisada no Google- desconheço a autoria

terça-feira, 5 de maio de 2009

* Sobre o envelhecimento



Nesta manhã que irrompe majestosa

Não me vejo mais envelhecida

Vejo-me mais inteira, até mais vistosa

As vigas no rosto não me emudecem

As sombras do passado não me fenecem

Em mim, encontro algumas fendas

por onde escorrem a luz da reflexão

Sou capaz de me olhar no espelho

e encontrar alguma paixão

descobrir que sou fecunda

que em meu ser, a vida ainda abunda

desejosa de parir meus anseios

ainda saltitantes

feito milho transformado em pipoca

feito beijo quando estrala e espoca



*Úrsula Avner

* Este poema é uma singela homenagem aos idosos

* imagem retirada do Google- desconheço a autoria
* poema com registro de autoria

quinta-feira, 30 de abril de 2009

*Resquício de outono



Hoje amanheci inverno

gosto de folhas secas na boca

resquício de outono

em meu tempo interno

Um vento gélido laminando a alma

sibilando no vão dos sentimentos

açoite na pele dos pensamentos

Levanto-me serena e calma

um feixe de luz solar invade o quarto

Hoje não almejo o espelho da claridade

quero a penumbra que se aloja na dor do parto

das reflexões gestadas pela serenidade


Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* imagem do Google

segunda-feira, 27 de abril de 2009

* O melhor presente


Queres me dar algum presente ?

Dá-me livros

onde o esmero da vida está guardado

onde meus olhos e coração podem contemplar

o inusitado, vida proeminente

Onde se entrelaçam registros de uma existencia

de uma época, de uma cadencia

o devaneio de uma mente

o olhar de um vidente

desejos e crenças de seres viventes

Nos livros encontro a mim mesma

fugidia ou presente

mas essencialmente eu

ainda que parte de outro ser

pedaço da teia, da rede tecida em saber

um saber desarvorado ou quase impenetrável

o saber do inconsciente coletivo

das coisas passadas e vindouras

de mundos secretos e altivos

com suas delícias e chagas

suas correntes e asas

certezas e medos

arroubos e segredos

* Úrsula Avner *

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

sexta-feira, 24 de abril de 2009

* Pouso certo *



Uma delicada borboleta
encontrou pouso na minha mão
parecia dizer-me : " abra seu coração "
Preciso buscar a palavra certa

Secou o rio das paixões desvairadas
Hoje, transita em mim o amor sereno
o sentimento calçado de um brilho ameno
sem palavras que borbulham impensadas

Trago no coração a palavra almejada
busco no lamento do meu ser abissal
a vida adormecida no silencio do cristal
A borboleta ? Permanece em minha mão (re) pousada

* Úrsula Avner *


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google- desconheço a autoria