sexta-feira, 22 de maio de 2009

* A vida e o tempo *


Contemplo minha vida gotejando

nas linhas que o destino traça

A vida é como o tempo que me escapa

se acampa nos céus que ele mesmo tinge e enlaça


Hoje... As nuvens nimbus , o vento forte

A vida segue o compasso da tormenta

Amanhã... O céu azul anil , o sol no horizonte

A vida brada no ritmo do dia claro que a acalenta


Se hoje fechou-se o tempo

e a chuva torrencial destelha os bons pensamentos

onde lágrimas alojam meus desalentos

Amanhã , o dia se abrirá num manto azulado

A vida irá sorrir sem a lívida lembrança

do que já foi tornado


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria conforme Lei vigente no país

* imagem retirada do Google- desconheço a autoria

terça-feira, 19 de maio de 2009

* Por que escrevo ? *


Há coisas que não são explicáveis

são " sentíveis "

Apenas exequíveis

Sou poetisa não por acaso

ou por opção

Não por vaidade

mas por incumbência

por aterradora necessidade

Poesia é algo que compõe minha essência

Escrever está para as minhas veias

assim como o par de asas

está para o pássaro

Sou livre para alçar longos voos

nos tentáculos da imaginação

para sentir no pulsar das veias

o plasma vermelho da emoção



Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sábado, 16 de maio de 2009

* Ah se eu pudesse ...


Amanheci
se formou um vendaval em mim
Eu me perdi
como as folhas soltas no jardim
sonhos avulsos em mim
Serena, de novo adormeci
E me encontrei
quando vi teus olhos suspirei
Desejos mil
sobre um mar gigante eu deitei
Ah se eu pudesse
de novo dormir , sonhar...
Em teus braços despertar
Úrsula Avner
*poesia com registro de autoria

quarta-feira, 13 de maio de 2009

* Artífice do amor *



Ah quem me dera

ter asas como o beija-flor

artífice do amor

galante e intrépido sedutor

Ah se eu pudesse

voar como o beija-flor

levar em minhas asas

o perfume roubado da flor

Vai e vem o pequeno galanteador

sem compromisso ou demora

se embrenha no jardim de variada flora

voa até ser noite e de novo , aurora

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria

* esta poesia é composta por tres quartetos- não consegui fazer a divisão necessária por problemas no computador.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

* Chove em todo lugar *



A chuva cobre

em lamento incontido

a face da vidraça



Em gotas felpudas a chuva escorre

do olhar nublado e abatido
inunda o chão da praça


A chuva se deita lépida e faceira

nas ruas da cidade inteira


Se derrama a chuva sem piedade

no solo dos pensamentos, na tez da saudade


Úrsula Avner



* poesia com registro de autoria


* imagem retirada de pesquisa no Google-desconheço a autoria

sexta-feira, 8 de maio de 2009

* Sala de espelhos *



Tantas vezes olhei para mim mesma

ainda olho

Olhar atento de quem busca o que é familiar

e encontra o inexplicável

Olhar enviesado de quem duvida de si mesma

e se depara com o inevitável

Do avesso me reviro

Chocalho de sentimentos

Balanço alvoroçado de emoções

alvejadas por complexos pensamentos

Não posso fugir de mim mesma

Espelhos internos e externos

cercam-me por todos os lados

nos meus espaços quadrados

Reflexo indelével

do que não posso deixar de contemplar

Sinal incontestável

do que cotidianamente

há de me acompanhar

Um olhar atônito atravessa o tempo

fica guardado no cristal dos espelhos

Vejo uma figura estranha

cujo processar é lento

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem pesquisada no Google- desconheço a autoria

terça-feira, 5 de maio de 2009

* Sobre o envelhecimento



Nesta manhã que irrompe majestosa

Não me vejo mais envelhecida

Vejo-me mais inteira, até mais vistosa

As vigas no rosto não me emudecem

As sombras do passado não me fenecem

Em mim, encontro algumas fendas

por onde escorrem a luz da reflexão

Sou capaz de me olhar no espelho

e encontrar alguma paixão

descobrir que sou fecunda

que em meu ser, a vida ainda abunda

desejosa de parir meus anseios

ainda saltitantes

feito milho transformado em pipoca

feito beijo quando estrala e espoca



*Úrsula Avner

* Este poema é uma singela homenagem aos idosos

* imagem retirada do Google- desconheço a autoria
* poema com registro de autoria