deitada sobre colchãode folhas secas
não vi estrelas no céu
tudo tão escuro misterioso
como no interior da traqueia
ou num beijo de língua
que fermenta a espuma nas bocas
só a saliva do desejo é cristalina
de olhos cerrados vi
um vestido cor de prata
talvez fosse rosa chá
pequeno ponto de luz
na negritude
barulho algum
a não ser
o som da sequidão
das folhas copulando
ao vento
(de)lírio
só soube daquele
bordado no vestido
pela manhã
há de orvalhar poesia
em vestes de seda
depois de romper
o silêncio insondável
da placenta
fórceps ao avesso
Úrsula Avner
* imagem do google
* poesia com registro de autoria





















