sexta-feira, 20 de novembro de 2009

*(De) lírio *

deitada sobre colchão
de folhas secas
não vi estrelas no céu
tudo tão escuro misterioso
como no interior da traqueia
ou num beijo de língua
que fermenta a espuma nas bocas

só a saliva do desejo é cristalina

de olhos cerrados vi
um vestido cor de prata
talvez fosse rosa chá
pequeno ponto de luz
na negritude

barulho algum
a não ser
o som da sequidão
das folhas copulando
ao vento

(de)lírio
só soube daquele
bordado no vestido

pela manhã
há de orvalhar poesia
em vestes de seda
depois de romper
o silêncio insondável
da placenta

fórceps ao avesso


Úrsula Avner

* imagem do google

* poesia com registro de autoria

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

* Simplesmente azul *

Olá queridos (as) amigos(as) e visitantes,

tem poesia de minha autoria postada no Maria Clara Simples mente poesia. Clique no link abaixo para conferir. Obrigada por sua visita e apreciação.

http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/

sábado, 14 de novembro de 2009

* Perplexidade *

susto na fala
tonicidade no olhar
borboleta tonta paira
beija a corola de uma dália
flor dadivosa
menina manhosa
drapeja até o engulho
repele a borboleta com orgulho

há uma força oculta
no seio da pétala
não propalada pela boca
que a reprime
percebida porém pelo olhar
que a resume

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem do Google- sem informação de autoria

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

* dobradinha poética *


* Luzes

aglomeram-se


feito vaga-lumes


a cidade dorme


porém elas ...


são sentinelas


espiam segredos


por entre os cumes



* Silêncio


palavra veio


pousou de mansinho


não quis repousar


seguiu caminho


virou borboleta


em outro lugar



Úrsula Avner


*imagem do Google


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

* Momentos *




Quando tenho


a caneta em punho


a palavra cuida


de expandir horizontes


alargar a visão


torná-la mais fluida


feito cristal


peça de acrílico


Na mesa

em bule de ágata

a bebida

aos poucos esfria

café com poesia

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria

* poema com registro de autoria

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

* Guerreira *




brava rosa

(des)brava caminho

á beira do asfalto

chapiscado de vinho


passa carro

passa gente

o vento passa

a rosa resiste


cresce mato

vem enchente

o tempo passa

a rosa insiste


brada a rosa



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

* depois da tempestade *


tela : Salvador Dali
da avidez pluvial
o que fica
desenha poliedros na calçada

desejos encharcados
já não respondem
ao apelo visceral

há delírio na estrada

palavras são pêndulos
instáveis

ávidas e alucinadas
se moldam
frenesi

cansadas de vagar
se acomodam
cheias de si

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria