quinta-feira, 24 de setembro de 2009

* Brasil em carne viva *



Como me calar diante de tantas atrocidades ?

Vidas clamam nas ruas por dignidade

aquilo de que necessitam não é piedade

mas sim, direitos garantidos, oportunidade



Ouço muitos gemidos

o país adoeceu

fugiu a mãe gentil

dos filhos deste solo

o gigante dorme


em berço esplêndido

sem ter da genitora o colo


O sonho intenso

se transforma

em pesadelo imenso

sem raio vívido

Onde está o céu risonho e límpido ?


Onde há no seio da pátria mais amores ?

O que vejo é uma passarela coberta de cinzas

onde há solene desfile de dores

alguma alegria transitória e débil


dança nas ruas

fixa em cada rosto


máscaras incolores


A verdade é mulher que anda nua

não pode ser ignorada

carne aberta e crua

Fechou-se o riso dos lindos campos floridos

onde estão as margens plácidas do rio da esperança ?

Se houve glória no passado, que paz haverá no futuro ?

No que se transformará o viço da criança ?


Quero acreditar na mudança

mas só vejo o céu escuro

não posso deixar

que arranquem

a minha raiz

ainda choro quando ouço


o hino do meu país


Úrsula Avner


* este texto foi postado no site www.sitedepoesias.com.br/poetas/avner no ano passado ; é um desabafo que o meu senso de justiça me impeliu a registrar.

* a imagem é do Google e desconheço a autoria

Meu sincero agradecimento a todos que me visitam !

13 comentários:

  1. Oi amiga!
    Faz muito bem em chorar quando ouve o hino do seu país, é sinal que ainda tem esperança na mudança, apesar de tanta dor , miséria, tristeza...
    Vale sempre a pena lutar pelo que é nosso e o que aqui acabou de escrever, falará mais alto.
    Esta deliciosa poesia, eleva os pensamentos daqueles que a lêem.
    Parabéns e força!
    Um beijo,
    Judite

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  2. PARABÉNS PELO TALENTO, DEUS TE DÊ MUITO MAIS EM FELICIDADE E PAZ!

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  3. Oi Úrsula, passa lá pra pegar o selinho e responder a umas perguntas!
    Bjs amiga
    Gena

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  4. Úrsula,
    Só mesmo vc pra fazer esse grito de cidadânia, esse desabafo patriótico, que é forte, comovente e poético.
    Compartilho dos mesmos sentimentos. Parabéns!
    Um bjão, amiga.

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  5. Oi, Ursula!

    É muito doloroso a gente falar de nossa pátria assim, afinal não temos tido colo dessa mãe nada gentil... Mas sou brasileira e teimosa, acredito e tenho esperança de que as coisas vão mudar.

    Bjs.

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  6. Úrsula,

    teu poema me lembrou Gonçalves Dias, que deve estar se rebolando todo na cova.

    mas ele morreu em naufrágio?


    =D
    marcos

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  7. Olá, Úrsula!

    "Ouvi", arrepiada, o seu grito! Linda poesia! Bom seria poder ouvir e cantar com alegria e orgulho o nosso Hino...

    Forte abraço, poetisa!

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  8. Parabéns,com muito orgulho seguirei o seu blog.

    Bravo !!!!

    raquel

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  9. eu não sou nacionalista, mas, claro, tenho "senso de justiça"... pena que nem todos tenham, né, úrsula...

    um beijo.

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  10. Deixo para vc meu sorriso ,um afago e muita paz.
    Também Desejo que tenhas um ótimo fds!!!
    Grande beijo.

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  11. Uma desconstrução poética, um grito de justiça. Muito bonito. Bj

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  12. Espero um dia poder chorar de esperança, de alegria, de orgulho... e não por ter comigo essa mágoa e essa falta de perspectiva

    Lindo, como sempre é tudo por aqui!

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  13. Caros(as) amigos (as) e visitantes, obrigada pelas palavras gentis manifestas em meu espaço.
    Um grande abraço a todos.

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