sexta-feira, 16 de outubro de 2009

* Átimo *




Florescimento


na voz insone do verbo


oculta flores em cimento


ápteras


lacônica existência


na porosidade da lágrima


desfolhada na aridez do dia


bulicoso estado do ser


intrépido modo de (sobre)viver




O silêncio das pedras


precisa bradar


vociferar o que está guardado


Estagnar pode ser sopro de vida


analgésico, entorpecente


o sal das ondas o sabem


em dias argênteos


ou em noites poluidas


do lacônico viver




Em vales e depressões


alojam-se águas límpidas


nas vísceras, rios vivos


chocalham peixes á margem


dos sonhos


dos desejos


dos arroubos




Bulício no íntimo


Silêncio !


As pedras podem despertar



Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria

19 comentários:

  1. Belíssimo poema querida amiga. Gostei imenso.
    Bom fim de semana.
    Beijos.

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  2. Olá Ursula

    toc ..toc ...toc ...rsrs

    Vim aqui beber um pouco da sua poesia.
    O blog da Regina , me indicou o caminho.
    http://maisondavila.blogspot.com/
    Percebi que aqui . Alem de Poesia tem um perfume no Ar.
    Eu me pergunto , querendo talvez explicação , porque certos blogs nos passam certo encantamento?
    O seu é um deles , minha querida
    PARABENS E OBRIGADA !!
    Abraço Apertado!!

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  3. Bom dia Úrsula,
    " estagnar pode ser sopro de vida"...talvez lembrança da vida que se deixou ficar em algum canto esquecido pela memória bruta latejante das artérias da existência.Vales... água translúcida...verdade...escondidas águas que o sopro de vida faz lembrar.
    Obrigada pela visita...Deixo aqui minha memória "estagnada em um sopro de vida".
    Carinho por todas as palavras.
    Lúcia Amorim

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  4. Lendo o teu poema, quis destacar um trecho que mais me tocou.Li e o reli e quis copiá-lo todo, aqui.
    Amiga,tu és alguém a quem podemos, com toda a propriedade, chamar de artesã das palavras. O teu manusear de imagens, o teu poder de mesclar essas mesmas imagens num mar de melodias,simplesmente me encanta.
    Então, que posso mais te falar?
    Beijos, no teu coração.

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  5. "O silêncio das pedras"
    Sabemos que as pedras têm alma pelo andar ansioso de nossos passos...
    Um belo poema, Úrsula.
    Um beijo.

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  6. por que tanta tristeza ultimamente?

    "o poeta só é grande se sofrer"
    (Vinicius de Moraes)


    mas a meta é superar o sofrimento e ser feliz na velhice, se der tempo.
    por isso que havia o conselho dos anciãos e o senado romano na Antiguidade. os velhos normalmente já deveriam ter superado os conflitos e tristezas, além de ter adquirido experiência para o dom do Conselho, um dos 7 dons do Espírito Santo, conforme o Catecismo.

    beijó(K)awanami

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  7. Os seus poemas me levam sempre à algum lugar.
    E sendo assim eu gosto de visitar seu blog para tentar me encontrar em seus poemas.
    Tenho sentido falta da sua visita.
    Um fim de semana iluminado.
    Beijos.

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  8. Olá Úrsula!! Tudo bem?

    L i n do post!!!! Uma letra de cada vez porque perdi a respiração ao ler poema tão belo.
    Mergulhei nas águas límpidas, ao lado dos peixes, e deixei alguns dos meus sonhos, desejos e arroubos. As águas costumam trazer de volta tudo que levam...

    Um beijo e meus parabéns!!!

    E.T. Muito obrigada por suas palavras, sempre generosas, no meu blog.

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  9. encantada com seus textos......Parabéns!

    Agradeço visita querida....Bom FDS!

    Beijos meus!

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  10. Belíssimo, pungente, triste, poesia...gostei. Bj

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  11. Belíssimo!

    O silêncio mineral das pedras, faz brotar e fluir e renascer o que pulsa no mais íntimo do ser.

    Parabéns, Úrsula!

    Beijos

    Mirse

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  12. Corre assombração
    Vai para outro mundo numa toada de vento
    Afasta de mim este cálice
    Deixa-me aprisionar a morte na vida por um momento

    Deixa-me sentir com a alegria dos sentidos
    Deixa-me acreditar no voo do por-do-sol
    Deixa-me beijar as águas de um lago feliz
    Deixa-me navegar sem rumo, perder o control


    Bom domingo


    Mágico beijo

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  13. Linda poesia amiga, parabéns, estarei sempre lendo suas poesias.Arnoldo

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  14. Salve! o silêncio, Úrsula.

    Nossas temáticas sintonizaram-se, percebeu?

    Adorei o texto, Úrsula: imensa beleza e sensibilidade, como sempre.

    Um bjo grande.

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  15. Lindo Úrsula!
    Uma analogia poética e perfeita das dores da alma.
    Beijos
    Paola

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  16. Agradeço a cada um dos (as) amigos(as) que aqui registraram seu comentário. Obrigada pelo carinho. Um abraço afetuoso a todos.

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  17. Lindo seu texto
    Linda sua imagem
    Obrigado por compartilhar
    Tenha uma boa semana

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