domingo, 4 de outubro de 2009

* Morte súbita *

palavra suicidou
forma certeira de me punir
para que eu não descubra
no sal do desejo
forma absoluta de inquirir
e inquirindo
me entregue ao ensejo
e escreva até que o verbo
não mais seja

Úrsula Avner

* imagem disponível no site flickr.com/photos - borboleta morta encontrada no corredor de um dos prédios da T.V Cultura em São Paulo- S.P

16 comentários:

  1. E sem palavras não haverá respostas a tantas inquirições...isso é mesmo um jeito de punir!
    beijos

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  2. Triste esse silencio,mas muito bonito poema,Ursula!Bom dia!

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  3. belíssima a borboleta. elas vivem um só dia e não dão rasantes, só voam pelos entornos...

    tudo é verbo.

    um beijo.

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  4. Muito lindo, Úrsula!

    É realmente uma forma absurda de tortura. Não poder inquirir .

    Belíssimo!

    Beijos

    Mirse

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  5. Lindo. Mas duvido que o verbo morra em você,co m essa inspiração radiante. beijos,querida

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  6. É, realmente a proibição é uma forma muito brutal de punir. Porem, não acredito que mesmo te vedando os olhos, e te tapando os ouvidos, te faltarão verbos para prosseguires com as tuas belas criações.

    Lindo poema. Muito profundo. Parabéns!

    Beijos,

    Furtado.

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  7. Só será morte quando a tua boca e os teus olhos deixarem a vida, até lá será um adormecer temporário.
    Um beijo,
    Judite

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  8. Se o verbo deixar de ser,
    o que será?

    Bjo grande!
    Boa semana, Úrsula. :)

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  9. Úrsula,
    Acredito que a sensibilidade faz parte de nós e temos que mostrar isso ao mundo de alguma forma nesta selva de pedras que vivemos.
    Obrigada pela visita, é uma hora seguir seu blog, inspira e inaltece a alma.
    Um abraço.

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  10. Há uma delicadeza difícil de se encontrar em qualquer "canto"... Eu gosto disso, difícil...

    Felicidades, Úrsula!

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  11. Oi Úrsula,
    tenho navegado pelo teu blog e deleitado-me com teus versos. Adorei teu estilo. Linkei o Sempre Poesia no meu blog www.paolacaumo.blospot.com (pois esse estou atualizando mais).
    Beijos e até a próxima.
    Paola

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  12. mas a palavra sempre ressuscita, a cada geração, ou mesmo a cada dia, né?

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  13. ouso dizer (quem sou eu?) que a tua escrita cresce a cada dia... tenho a impressão que cada vez mais lapidas as palavras, como pedras preciosas... e é por isso que elas brilham.
    besos

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  14. Olá, amiga!
    Seja lá como for, sem inquirições e/ou na dor, canta belamente os teus versos, faz outros corações sonhar, pensar, refletir, em direções diferentes, em todas as direções, em tua direção... mas, refletir.
    Bjs nessa alma linda!

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  15. Úrsula não poderia existir punição mais severa a um poeta do que a morte súbita de suas palavras! E sem palavras, não haveria perguntas e não havendo perguntas, as respostas passariam a ser desnecessárias... triste fim, sem dúvida!

    Que o nosso verbo só silencie quando o silêncio for a nossa morada!

    Tua poesia conseguiu ser poeticamente forte e suavemente bela!

    Bjs

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  16. Que deleite ler-te !
    Me identifico com sua poética.

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